As brechas da Arca e da vida

As brechas da Arca e da vidaQuando o Senhor mandou que Noé construísse uma arca a fim de preservar a sua família e demais seres vivos que entrariam nela, Ele não se esqueceu de um detalhe importantíssimo: a impermeabilização desse grande barco. Sim, a fim de torná-lo à prova de água, o Senhor comunicou a Noé: “Faze para ti uma arca de madeira de gôfer: farás compartimentos na arca, e a revestirás de betume por dentro e por fora” (Gênesis 6.14).

Tendo ouvido esta ordem de Deus, não vemos em nenhum momento Noé contestando onde encontraria tanto betume para essa grande empreitada de calafetagem, mesmo porque a presença desse impermeabilizante era bastante comum naquela região. A Bíblia cita que havia poços cheios desse material: “Ora, o vale de Sidim estava cheio de poços de betume…” (Gênesis 14.10a). Só a título de conhecimento, esse vale fica numa área subjacente ao Mar Morto. Por isso, creio que Noé não teve muito trabalho para encontrar o betume para calafetar a sua arca, mesmo que o assunto desse texto tenha ocorrido muito tempo depois do Dilúvio.

Sem muito esforço, entendo que, mesmo que Noé tivesse construído aquela arca com todo o denodo possível, de maneira a unir bem cada tábua à outra, ela não estaria isenta de brechas e fissuras. Então, prefiro acreditar que se aquele barco não fosse totalmente calafetado, talvez não suportasse um dia de chuva.

E Deus, como é o Grande Construtor e detalhista por excelência, determinou que fosse aplicada uma camada de betume por dentro e outra por fora para selar as juntas e evitar a entrada de água. Sob essa condição é que a arca suportaria quarenta dias de chuvas torrenciais. O que na verdade aconteceu (Gênesis 7.4,12,14). Deus sempre cumpre o que promete!

Mas, além do betume ser um excelente elemento impermeabilizador, ainda servia para prolongar a vida útil da madeira e também protegê-la do ataque de cupins. Assim, como era obediente e não queria perecer, Noé tapou cada brecha das juntas dos soalhos, telhados e demais partes da sua arca. O sucesso da aplicação do betume foi tão grande que a arca ficou cento e cinquenta dias sobre aquelas águas (Gênesis 7.24; 8.3).

Por fim, Noé e sua família, bem como os animais, saíram ilesos da arca quando as águas minguaram sobre a terra (Gênesis 8.16-18). Não é uma bênção obedecermos ao Senhor?

Irmãos e irmãs, nós não podemos ter “brechas e fissuras” em nossa vida de crentes em Jesus. Se o Senhor mandou que Noé betumasse a sua arca, precisamos “betumar” as muitas brechas que temos. Ora, se a menor brecha poderia comprometer toda a estrutura da arca, as nossas de igual sorte também.

Muitos acham que não têm brechas, mas têm. Existe a “brecha da inveja”. Isso acontece sempre que um dos irmãos nossos começa a se destacar entre os demais. Isso aconteceu com José: “Seus irmãos, pois, o invejavam…” (Gênesis 37.11a).

Eu poderia ainda citar numeráveis exemplos só da Bíblia, mas prefiro mencionar um que acontece em nosso meio evangélico: ainda há pastor que tem inveja do ministério do outro!

Sabe como é que se calafeta a brecha da inveja? Com obediência à Palavra: “Andemos honestamente, como de dia: não em […], não em contendas e inveja” (Romanos 13.13). Leiam também Gálatas 5, versos 26.

Têm maridos e esposas que estão enfrentando dificuldades no casamento porque a maldita “brecha do ciúme” está aberta. Já ouvi casos de maridos que proíbem de suas esposas cumprimentar com um aperto de mão a outros irmãos. Isso é um absurdo e obra do maligno! “Porque onde há ciúme e sentimento faccioso, aí há confusão e toda obra má” (Tiago 3.16). Maridos crentes querem ir para o Céu? Então joguem o maldito ciúme na lata do lixo!

Há o caso da “brecha da murmuração”. Infelizmente, essa é uma das brechas que está aberta em muita gente. Volta e meia há pessoas murmurando contra o pastor, contra o ministério, contra outros irmãos e por aí vai. O pior é que a murmuração é uma brecha contagiosa: “Ora, quanto aos homens que Moisés mandara a espiar a terra e que, voltando, fizeram murmurar toda a congregação contra ele, infamando a terra” (Números 14.36). A melhor impermeabilização para tapar essa brecha é a obediência à Palavra: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas” (Filipenses 2.14).

Por incrível que possa parecer, há em nosso meio o que usa a “brecha da mentira”. Há uns que mentem com uma facilidade incrível (1 Timóteo 4.2). Uns inventam testemunhos, que na verdade são “tristemunhos”. Isso é falta de conversão a Cristo, ou então é porque a pessoa está convertida ao Diabo, já que ele é o pai da mentira (João 8.44). A única maneira de alguém fechar completamente a brecha da mentira é a submissão à Palavra: “Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros” (Efésios 4.25).

Poderíamos ainda falar de outras brechas. Contudo, não me escusarei de falar da “brecha da falta de perdão”. Certa feita li esta frase e guardei-a: “Aquele que não perdoa quebra a ponte em que ele mesmo tem que passar” (Tom Elliff, ex-presidente da Convenção Batista do Sul – EUA). Veja como é eficaz esta impermeabilização divina: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós” (Mateus 6.14).

Que tapemos bem as nossas brechas e fissuras com o poder da Palavra, pois o nosso barco (a nossa vida) há de aportar em terra firme!

Por, Moisés Soares da Câmara.

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