De Abraão aos dias de hoje

De Abraão aos dias de hojeQue relação pode haver entre madeiras carbonizadas, um pouco de sementes de uva, algumas espinhas de peixes, ossos, cerâmica antiga e os atuais conflitos em Jerusalém? Muita, afinal, os artefatos foram encontrados sob as rochas da Cidade de Davi, juntamente com lacres identificados como “característicos do final do período do Primeiro Templo”, conforme declarou o Dr. Joe Uziel, do Israel Antiguities Authority: “Eles eram usados pelo sistema administrativo que se desenvolveu no final da dinastia judaica”. A madeira queimada e as evidências de ações das chamas em diversos objetos evidenciam a afirmativa do profeta Jeremias de que os babilônios “queimaram todas as casas de Jerusalém”. Assim, fatos datados de 2600 anos atrás confirmam a veracidade bíblica e a presença judaica na região. Espera-se que, brevemente, o material arqueológico seja devidamente catalogado e exposto para visitantes do mundo inteiro.

Visitas a Israel com enfoque na história e na arqueologia ganharão renovo com esses e novos achados, em especial após a inauguração do Kedem Center, o que não se fará demorar, conforme declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O bairro de Silwan, onde as construções avançam, abrigará o complexo turístico que atrairá aqueles que se dedicam a aprofundar suas pesquisas sobre os relatos do Livro Sagrado. O projeto, aprovado em abril de 2014, segundo a ONG israelense Betselem, ganhou novos esforços após a decisão da Unesco de incluir a cidade de Hebron, onde repousam os restos do patriarca Abraão, na lista de cidades tidas como patrimônio mundial em perigo, sinalizando-a como área palestina. A partir do anúncio da Unesco, o premier israelense informou uma diminuição dos fundos que Israel destina a esse organismo internacional: “Decidi cortar um milhão de dólares adicionais das quotas de Israel às Nações Unidas e transferir para o estabelecimento de um Museu do Patrimônio do Povo Judeu em KiryatArba e Hebron”, disse. Para o complexo turístico em Silwan, Netanyahu pretende contar com a visita de importantes personagens: “O mundo inteiro verá a verdade e os primeiros visitantes que convidarei serão a Unesco e as delegações da ONU”, afirmou em comunicado oficial. “Perante a negação da Unesco, Israel apresentará ao mundo a verdade histórica e a ligação profunda do povo judeu durante milhares de anos com Hebron”, concluiu.

A negação a que se refere o Ministro faz parte de uma série de outras importantes defesas da não existência de qualquer vínculo entre o povo judeu e a região. Numa construção narrativa feita com o apagamento de indícios e o obscurecimento das fontes históricas, pretendem fazer crer que não há qualquer possibilidade de estabelecer-se vínculo que justifique a presença de Israel nas chamadas Terras Bíblicas.

Para os estudantes da Bíblia não parece haver necessidade dessa comprovação. Percorremos as notícias dos jornais com a mente permanentemente ligada a narrativas que nos são caras e verdadeiras, não segundo as confirmações que alegram os escavadores e as instituições de pesquisas, mas segundo o testemunho do Espírito Santo. Pelas Escrituras acompanhamos os primeiros passos do peregrino desde seu chamado em Ur dos Caldeus até Harã e, posteriormente para o Sul, enfrentando inimigos, protegendo, prosperando, crendo e esperando. Nossa mente habita com ele à tenda trançada de pelos de cabras, por onde o sopro do vento passa e diante da qual se assentam os Três Visitantes que comem do seu pão e lhe fazem promessas. Negar a presença de Israel em sua possessão ancestral é negar o Texto Sagrado.

Se a mídia não tem poder para seduzir o fiel, tem para ocupar o espaço do desconhecimento e da ideologia antissemita e antissionista. Por isso, outra importante decisão foi tomada nos últimos dias para tentar conter o avanço de informações prejudiciais à nação de Israel e ao seu povo. Trata-se da medida anunciada no dia 6 de agosto de que o governo pretende fechar os escritórios da emissora Al Jazeera em Jerusalém e revogar as credenciais dos jornalistas daquele canal. O ministro das Comunicações Ayub Kara afirmou que isso também incluiria a versão em inglês do mesmo jornal. Israel não é o único ou o primeiro país a adotar medidas contra a rede. A Arábia Saudita, o Egito, os Emirados Árabes Unidos e Bahrein cortaram o sinal de TV Al Jazeera por considerá-la uma ferramenta de apoio ao terrorismo e o radicalismo religioso. Segundo Kara, o canal tornou-se “uma ferramenta do Daesh, do Hamas, do Hezbollah e do Irã”. “Não há restrições à liberdade de expressão em Israel. O país está cheio de vozes expressando a dissidência”, declarou fonte do gabinete do primeiro-ministro, mas, segundo a mesma fonte, mesmo “nos países democráticos também há coisas que são inaceitáveis e uma grande parte do conteúdo das transmissões da Al Jazeera recai nessa categoria”

A batalha pela informação mais enraizada na verdade percorre os sítios arqueológicos, os centros de pesquisa, os debates acadêmicos e os jornais, e é inegável que a decisão contra a rede de informações tem ligação com a cobertura tendenciosa que fez dos últimos acontecimentos no Monte do Templo em Jerusalém. Após a morte de soldados israelenses pertencentes à equipe de vigilância necessária e contínua naquele sítio de paz frágil, com armas que possivelmente teriam sito guardadas na área ocupada pela mesquita e pelo Domo da Rocha, Israel instalou detectores de metais, o que provocou exaltação de ânimos, com repercussão internacional por conta da cobertura feita pela já citada emissora. Centenas de fiéis muçulmanos passaram a rezar no exterior do local sagrado e assim permaneceram até que o sistema de proteção fosse removido. Em todo o tempo houve incitação às reações e violência, o que levou às medidas de contenção de falsas informações. Disse o governo: “Chegamos à conclusão de que a segurança e a preservação de nossos cidadãos prevalecem sobre a liberdade de expressão. A liberdade de expressão não pode jamais ser a liberdade de incitação”.

O pano de fundo não revelado pela mídia comum é que, no último TishaB’Av, data que assinala a destruição do primeiro e do segundo Templos, algumas centenas de judeus estiveram presentes na esplanada. Eram, talvez, uns mil e trezentos, segundo um observador (no ano passado foram 400). Acompanhados por policiais armados, a ascensão inédita chamou a atenção do rabino Yisrael Ariel, soldado que atuou como paraquedista em 1967, quando aquele espaço foi conquistado: “o lugar sagrado nunca tinha visto tantos judeus reunidos num TishaB’Av desde que o Segundo Templo foi destruído, há exatamente 1947 anos”. Para ele, “quanto mais se aproxima a edificação do Terceiro Templo, mais os inimigos se levantam contra Israel, e é a isso que temos assistido nestas últimas semanas”.

Quando o Secretário Geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, fizer sua primeira visita a Israel (o que não aconteceu antes do fechamento desta edição do MP), não sabemos se encontrará espaço para ativar as conversações de paz no Oriente Médio – atualmente, diz-se que estão em ‘ponto-morto’. O Secretário tem sido cauteloso em seu posicionamento quanto à política local por causa das acusações feitas pelos EUA de que a ONU é parcial contra Israel.

Parciais, tendenciosos, mentirosos, torcedores dos fatos, negacionistas da Historia, quando o Messias regressar, todas as intenções e atos dos homens serão revelados, e a peregrinação de suas palavras, com as marcas indeléveis deixadas em cada lugar de Sua passagem será manifesta. Diante de suas tendas, o Juiz, que também é o Guarda de Sião e o Vigia de Israel, cobrará daqueles que lançam irmão contra irmão o sangrento resultado de seu trabalho. Haja paz em Jerusalém!

Por, Sara Alice Cavalcanti.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Google Translate »