Vivendo sob a cruz de Cristo

Vivendo sob a cruz de CristoAs primeiras narrativas do Antigo Testamento nos revelam Deus como o Criador da vida. Em seguida, apresentam o ser humano em completa harmonia com Ele. Logo depois é narrada a entrada do pecado e da morte na trajetória da humanidade, a quebra da aliança, da comunhão entre homem e Deus e a promessa de uma redenção.

Ao longo do Antigo Testamento lemos diversas iniciativas de Deus em abrir vias de reconciliação: são exemplos os sacrifícios de remissão de pecados pré-estabelecidos na Lei mosaica. Esses sacrifícios, porém, eram um espelho da redenção que aconteceria através do Messias, conforme os anúncios proféticos.

Na encarnação de Jesus, Deus estava provendo um remidor perfeito. Jesus viveu sendo homem e sendo Deus, conheceu a tentação, mas não conheceu o pecado. Sem vínculos com o pecado, em plena santidade Ele estava apto para vencê-lo. Os Evangelhos nos contam essa vitória que aconteceu na cruz.

Jesus se entregou para morrer na cruz por causa dos nossos pecados. O pecado afronta a santidade de Deus, desperta a Sua justa ira e é condenável. A condenação pelo pecado é a morte. E nós, os pecadores, é que éramos dignos dessa morte. Porém, Jesus, voluntariamente se entregou para receber essa condenação em nosso lugar. Ele nos substituiu. Recebeu a penalidade do pecado, recebeu a maldição por nós, morreu em nosso lugar.

E na Sua morte Ele quitou nossa dívida. O Seu sacrifício aplacou a santa e justa ira de Deus. E, assim, nos deu a oportunidade de sermos livres do pecado e da morte. Ele nos redimiu e abriu um caminho para nos reaproximarmos novamente de Deus através do perdão. Em Sua morte (pelo Seu sangue) recebemos a Sua vida. E o grito anunciado na cruz ainda hoje pode ecoar em nossos corações: “está consumado!”

Refletindo sobre a grandeza dessa revelação, somos despertados para a importância histórico-teológica da morte de Jesus na cruz. Pois, a mensagem e o exemplo de Cristo ainda hoje são relevantes, pois ensinam um modo de viver e de agir revolucionários.

Após a morte, ressurreição e ascensão de Jesus, os discípulos, juntamente com todas as pessoas que criam nEle, passaram a compor uma comunidade com valores próprios. Stott conceitua de “comunidade de celebração”. Nela, barreiras foram derrubadas (havia judeus e gentios, pobres e ricos, homens e mulheres). A comunidade de Cristo se formou para ser um espaço onde os “membros pertencessem a ele, amassem uns aos outros e zelosamente servissem ao mundo.” (Stott, p.258)

E hoje, nós que cremos em Jesus e na salvação que Ele nos deu, devemos nos perguntar: o que significa compor essa comunidade de Cristo?

Vemos que Jesus em Sua morte salva os pecadores e os faz compor uma comunidade redimida, popularmente chamada de Igreja, tornando-a um sinal histórico do Seu reino, onde é compartilhado o amor e a justiça de Deus. Nas palavras de Stott “… a comunidade da cruz devia se interessar pela justiça social como também pela filantropia amorosa” (Stott, p.297)

Tal conceito se faz ainda mais desafiador hoje, pois para vivê-lo, para experimentá-lo em seu dia a dia, as igrejas e seus líderes precisam vencer (ou superar) os muros denominacionais, levantados ao longo da história; é preciso superar as diferenças em nome da unidade da crença em Cristo a fim de dar testemunho dEle e servir o mundo.

Para muitos, as questões sociais são de responsabilidade do Estado e não compõe a missão da Igreja. Porém, a busca pela justiça social, o trabalho em defesa dos marginalizados, a defesa de pessoas/grupos expostos à violência são um meio sim de exercer e espalhar no mundo o amor e a justiça de Deus.

A compreensão plena do que representou a entrega de Jesus na cruz, bem como suas implicações pode revolucionar o modo como a Igreja se compreende e executa a obra missionária. Pois se uma igreja entende e compreende a cruz, viverá sob sua influencia e ensinará e compartilhará todo o amor e compaixão de Deus revelados nela.

Referência Bibliográfica

STOTT, John. A Cruz de Cristo. São Paulo: Vida, 2006

Por, Flavianne Vaz.

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