Família: segurança e felicidade

Família - segurança e felicidadeVivemos na era da tecnologia, na era digital, somos a geração da era atômica, das naves interespaciais, do domínio da busca dos limites do infinito, da disputa desenfreada do homem pelo poder para vencer o outro. Na ciência, o homem progrediu de tal maneira, que é possível hoje salvar vidas a beira da morte, através dos transplantes cirúrgicos de órgãos vitais para a existência humana.

Apesar de toda a positividade das inovações tecnológicas e do avanço cientifico, por outro lado, temos o grotesco aumento da criminalidade, da violência, da exploração sexual e do declínio moral da sociedade. Perdemos e muito, os valores básicos da convivência, do respeito e da ética. Essas mudanças chegaram às famílias.

O lar se transformou num lugar onde as pessoas moram, mas não se encontram. Estão pertos, mas distantes. A família moderna pode ser comparada a um elevador de um prédio de muitos andares, onde ninguém se olha e nem se fala apesar de estarem bem próximos uns dos outros. Os filhos já não respeitam os pais e consequentemente não seguem as tradições familiares com respeito. Os pais lutam para manter a casa, mas não tem mais diálogo, e quando porventura se encontram, não conseguem se entender. Infelizmente, vivemos num tempo de franca decadência dos mais altos valores, dentre eles, o casamento. A chamada “classe artística”, com sua constante banalização da moralidade, contribui muito para a desvalorização da instituição do casamento. É comum vermos “artistas” alardeando “casamentos” que duram de seis a oito meses, numa verdadeira violência aos princípios eternos que o casamento representa. Retratos de uma sociedade adoecida. O que fazer?

Entre a compreensão e o amor há um vínculo muito forte e estreito, que nunca se sabe onde começa um e termina outro. Quem ama compreende e quem compreende ama. Quem se sente compreendido, se sente amado. Quem se sente amado, se sente compreendido. Ninguém pode evoluir, crescer ou amadurecer na vida sem se sentir compreendido. Quando incompreendido, o ser humano perde a confiança em si mesmo e em Deus, perde o sentido da vida, se bloqueia em um casulo de decepções e frustrações e retrocede bruscamente.

O amor é a essência do verdadeiro relacionamento. O conceito mais revolucionário de todos os tempos é: Deus é amor! Quando alcançamos o verdadeiro significado dessa verdade, nós podemos entender o propósito divino para cada ser humano. Isto é demonstrado de duas maneiras: (1) o amor de Deus sendo revelado para nós, através da Sua morte e, por conseguinte, em nós sendo reconciliados nEle; (2) o amor de Deus revelado em nós (Romanos 5.10).

Muitos casamentos fracassam hoje porque são iniciados sem amor, são projetados apenas com base no sexo ou na paixão, ou mesmo em tradições familiares asfixiantes. Se o amor não for a base do casamento, tudo desmoronará. Sem amor não há casamento, há apenas um ajuntamento de corpos numa tragédia sensual.

No amor, nossa natureza é transformada: aprendemos a beleza da transformação. Experimentamos o desafio de conciliar visões diferentes (e às vezes conflitantes) da vida, numa sinfonia plena da comunhão.

A necessidade de crer e consequentemente obedecer se torna muito importante para o sucesso do lar cristão. A Bíblia nos ensina de forma objetiva e clara que o fundamento básico do lar cristão é a aceitação irrestrita da autoridade de Cristo e a obediência a ela. Como posso obter essa fé? Aqui é que entra a obediência. A fé em desenvolvimento se aprofunda e cresce à medida que avançamos na vida cristã. Não é mero conhecimento, mas ação que se estabelece com base no conhecimento. É uma crença exercida através de vida prática, ou seja, obediência. Como disse Dietrich Bonhoeffer: “Somente aquele que crê obedece; e só quem é obediente crê realmente”.

Para termos fé e obedecer é preciso desenvolver no lar cristão um relacionamento íntimo com Deus através de práticas devocionais certas. Como parte da vida devocional os pais devem ter a Palavra no coração (Deuteronômio 11.18); os pais devem ter a Palavra de Deus nas mãos (Deuteronômio 11.18) e devem ensiná-la cuidadosamente (Deuteronômio 11.19). A Palavra de Deus é a regra áurea para uma vida de fé e obediência.

Creio que o verdadeiro significado da oração é a abertura entre pedido e resposta (Mateus 7.7,8; Marcos 11.24; 1 João 5.15). Oração não é apenas um movimentar dos lábios. É questão de enamoramento entre o ser humano e o Senhor. Oração é entrega, é apresentação de nossa fragilidade ao Deus da força e do amor sem limites. Oração é o grito de um pobre que precisa estar suspenso ao Senhor. A oração não é apenas uma ladainha enfadonha de pedidos de coisas que nós mesmos temos que conseguir. A oração é abandono, entrega, admiração, encantamento, pedido de socorro. Desde a nossa infância vamos tentando estabelecer como Senhor esse diálogo amoroso. Importante que ele não se interrompa. Importante que o coração dos orantes seja humilde. Importante que essa oração não seja um mero papaguear dos lábios e aconteça apenas em alguns momentos de aflição do casal e da família.

Muitas vezes, o casal precisa ter momentos de oração a dois. Num canto da casa, no quarto. Uns momentos de silêncio, uma invocação do Espírito Santo, um trecho da Escritura, curto e denso, uns momentos de silêncio, um salmo, a entrega da vida a dois a Deus. E o casal se coloca no seio de Deus. Melhor dizendo: o Senhor se torna hóspede de seu relacionamento conjugal.

Há também a necessidade da oração familiar. De preferência com todos. Se não for diária, ao menos frequente. À noite ou em torno à mesa. Uma família cristã que não ora está dando o seu atestado de fracasso. Momentos de silêncio, também uma Palavra. Preces espontâneas. Os filhos crescem quando veem que seus pais colocam sua vida diante do Senhor. Orações em família vão além das refeições e da hora de dormir. Nossas necessidades vão além de alimentos e temores. A família deve não só discutir, mas também orar junta em uma variedade de questões. Os benefícios de orações em família são enormes.

Por, Sérgio Pereira.

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