Os descendentes moabitas de Rute e Boaz

O filho de Rute e Boaz era aceito na comunidade de Israel, uma vez que Rute era uma cidadã moabita? A Bíblia diz que nenhum amonita ou moabita teria ingresso na congregação do Senhor (Deuteronômio 23.4).

Os descendentes moabitas de Rute e BoazA pergunta é pertinente e com a ajuda de Deus tentaremos responder. Em primeiro lugar, observamos que toda lei é baseada em uma causa ou princípio. O motivo que fez surgir a legislação de Deuteronômio 23.3-6 foi porque os moabitas foram cruéis em não deixarem Israel passar por suas terras na peregrinação a Canaã. Puro egoísmo, produto de velha intriga e inveja contra a família de Abraão, de quem o ancestral deles, Ló, era sobrinho ingrato (Gênesis 19.30-38).

Em segundo lugar, toda lei tem excludente de ilicitude e isso não só no direito secular, mas também no direito bíblico. Haja vista que furtar é pecado, o furto famélico era permitido pela própria lei, como também comer os pães da proposição e os sacerdotes ministrarem nos sábados, conforme Mateus 12.1-8, onde o próprio Senhor Jesus afirma que a misericórdia é mais importante do que a letra seca da lei.

Em terceiro lugar, a proibição e exclusão dos gentios da congregação israelita era de forma geral e não pessoal, pois na mente de Deus já estava designado por Ele que, independente do grupo ou família, quem se convertesse ao Senhor seria salvo, conforme Ezequiel 18.

Em quarto lugar, Rute enquadra-se perfeitamente neste contexto escriturístico: ela converteu-se ao Deus de Israel. Ela disse à Noemi: “o teu Deus é o meu Deus” (Rute 1.16b). Ela deu frutos de arrependimento não comendo o pão da preguiça (Rute 2.2; Provérbios 31.27), sendo humilde às diretrizes de sua sogra (Rute 2.21-23; 3.1-4), e sobriamente por obediência, rejeitou bons partidos de casamentos com jovens para, por obediência à lei, casar-se com um idoso (Rute 3.9,10). Que queremos mais como evidência de uma conversão verdadeira? Para completar vem o placet divino, quando a Santa Escritura diz: “O Senhor lhe fez conceber e ela deu a luz um filho” (Rute 4.13). Cumpriu-se antecipadamente a palavra de Pedro: “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável aquele, que, em qualquer nação o teme e faz o que é justo” (Atos 10.34,35).

Em quinto lugar, cumpriu- -se nela o que o profeta Isaias vaticinaria 614 anos depois: “E aos filhos dos estrangeiros que se chegarem ao Senhor para o servirem e para amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos seus […] e os que abraçarem o meu conserto, também eu os levarei ao meu santo monte, e os festejarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar, porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos” (Isaías 56.6,7).

Em sexto e último lugar, Deus se agradou mais dela do que de muitos israelitas, pois fez dela bisavó do grande rei Davi, mediante Obede, de onde veio o Cristo, nosso Senhor e Salvador Jesus. Assim sendo, o filho de Rute e Boás não teve rejeição alguma na comunidade de Israel, pois também no passado deles já houvera outras manifestações da graça de Deus incluindo gentios no meio do povo de Deus tais como Tamar (Gênesis 38.6) e posteriormente Raabe (Josué 6.25; Hebreus 11.31).

Por fim, o Espírito Santo honrou-a mandando Mateus registrar o nome dela no áureo quadro da genealogia do Messias (Mateus 1.5). Se alguém ainda tiver dúvidas da salvação de Rute, aguente a surpresa ao encontrá- -la no reino dos Céus com Abrão, Isaque e Jacó (Mateus 8.11).

Por, José Orisvaldo Nunes de Lima.

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