Vestígios indicam escravidão israelita

Museu londrino guarda artefatos da permanência de Israel no Egito

Vestígios indicam escravidão israelitaNa comunidade científica, não existe um consenso sobre as razões pelas quais não existem provas inequívocas de registros arqueológicos que comprovam o período em que os israelitas permaneceram no Egito, como escravos e cumprindo trabalhos forçados que resultaram na construção das cidades de Pitom e Ramessés (Êxodo 1.11). Mas não é somente isto: ainda faltariam relatos extra-bíblicos sobre a saída do povo hebreu e as pragas que antecederam esse acontecimento.

Normalmente, o argumento que “justificava” essa falta de informações era que os povos antigos não tinham por costume registrar suas derrotas no campo de batalha, apenas as vitórias. Mas o curador do Departamento do Egito no Museu Britânico em Londres (Inglaterra), doutor John H. Taylor, discorda e afirma categoricamente que existem, sim, várias evidências que confirmam o relato bíblico como fato histórico e consistente.

Falando em discordância, segundo o comentarista da Bíblia de Estudo Pentecostal, o pastor norte-americano Donald Carrel Stamps, há dois pontos relacionados com o livro de Êxodo que sempre levantam acalorados debates: a data da saída dos israelitas do Egito e a autoria do livro. Os eruditos costumam apresentar duas datas diferentes para o evento: uma “data recuada” (também conhecida por data bíblica), retirada de 1 Reis 6.1, em que é possível ler que a saída dos hebreus do território egípcio aconteceu 480 anos antes do quarto ano do governo do rei Salomão. Este relato estabelece a data da partida dos israelitas do Egito em 1445 a.C. Entretanto, no livro de Juízes 11.26, Jefté (cerca de 1100 a.C.) diz que seus antepassados ocuparam o território de Canaã em cerca de 1400 a.C. Segundo o comentarista, essa cronologia do Êxodo, a da conquista da terra e a do período dos juízes preenchem as lacunas nos eventos datáveis da história dos três primeiros reis de Israel (Saul, Davi e Salomão). Mesmo assim, os críticos da Palavra de Deus indicam uma “data posterior” para a saída dos israelitas do Egito: cerca de 1290 a.C. , tendo como base suposições a respeito dos governantes egípcios, em conjunto a uma data arqueológica do século 13 a.C. acerca da destruição das cidades cananéias durante a conquista de Canaã pelos hebreus liderados por Josué (Josué 1.1,2).

Os eruditos também costumam discutir em torno a autoria do livro de Êxodo. Os intérpretes modernos normalmente consideram o livro como uma obra conjunta, esquematizada por diversos escritores e completada em um período da história de Israel muito posterior aos tempos de Moisés (a chamada teoria JEDP). Também a tradição judaica desde os tempos de Josué (Josué 8.31-35), incluindo o testemunho de Jesus (conferir Marcos 12.26), dos primitivos cristãos, e da erudição conservadora contemporânea, todos concordam com a autoria do livro à Moisés. Numerosos registros no segundo livro da Bíblia dão conta de que o autor foi testemunha ocular dos eventos ocorridos naqueles dias (por exemplo: 2.12; 9.31,32; 15.27). Não esquecer que trechos do próprio livro revelam participação direta do líder hebreu na sua escrita (17.14; 24.4; 34.27).

O livro do Êxodo tem início com a descrição do sofrimento dos israelitas no Egito: opressão, escravidão e infanticídio, e termina com a presença, o poder e a glória de Deus manifestos no Tabernáculo, com os descendentes de Jacó já livres da escravidão. Os teólogos afirmam que a saída dos hebreus do Egito é declarada em todo o Antigo Testamento como a mais grandiosa experiência de redenção do Velho Concerto. Este livro existe para que os leitores tivessem um registro permanente dos atos históricos e redentores de Deus, pelos quais Israel foi liberto da escravidão egípcia e organizado como a sua nação escolhida. Pelos mesmos atos divinos, o Senhor outorgou aos israelitas a revelação escrita, do concerto entre Deus e a nação. A Lei também serviu como um elo extremamente importante da auto-revelação geral e progressiva de Deus, que culminou na pessoa de Jesus no Novo Testamento.

No museu na capital inglesa, o doutor Taylor apresenta cerca de 20 tijolos de barro gravados com um selo real que diz “casa de Ramsés 2º”. Os artefatos datam três milênios de idade, e permanecem conservados nos cofres subterrâneos do museu, sem ser exibidos ao público. Os cientistas submeteram as raridades a um teste de datação de carbono, e descobriram que os achados pertencem ao período de escravidão israelita no Egito.

O doutor Taylor assevera que não foram os israelitas os responsáveis pela existência das pirâmides, como alguns tendem a pensar. As pirâmides foram erguidas em cerca de 100 anos após a saída dos hebreus do território egípcio. Mas em conformidade com o que está escrito no primeiro capítulo de Êxodo, já mencionado nesta reportagem, existem indícios que os israelitas construíram cidades, tendo os mesmos tijolos de barro misturados com palha, conforme o processo utilizado naqueles tempos em que os trabalhadores atuavam na olaria para a produção do material.

Concomitantemente, o museu preserva um mural que mostra como era a vida dos escravos no Egito. Apesar de não haver o termo “judeus”, o painel exibe como acontecia o processo de manufatura dos tijolos que coincide com o período em que os israelitas estavam sob servidão. Mas não para por aí. O doutor Taylor indica outra peça curiosa: uma barra de ferro de quatro metros de comprimento, em formato de cobra que foi encontrada em um túmulo dentro de uma pirâmide. É possível identificar que a ponta do bastão tem o formato da cabeça de uma naja, serpente comum no país. É provável que os instrumentos utilizados pelos feiticeiros egípcios tivessem esse formato. De acordo com Êxodo 7.11-12, eles eram foram identificados como “encantadores egípcios”.

Outro achado em exibição é um “espelho de bronze”, citado em Êxodo 38. 8, quando as hebréias doaram os seus espelhos aos carpinteiros a fim de reunir material para fabricar as peças do Tabernáculo, durante a sua jornada até a Terra Prometida.

Por, Eduardo Araújo.

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