A graça da convivência familiar

A graça da convivência familiarPara início deste artigo, tomo por base o texto de Mateus 10.36, que diz: “Os inimigos do homem serão os da sua própria família”. A ideia do texto citado, segundo a exegética cristã, é enfatizar a realidade daqueles que comprometem o relacionamento familiar quando precisam optar entre Deus e sua família, pois o verdadeiro Evangelho não tem como objetivo trazer discórdia entre pessoas. O ideal de Deus é que toda família seja alcançada pela graça permitindo que o Evangelho produza crescimento na comunhão entre os irmãos a partir de suas próprias casas, nisto compreendemos que Deus constituiu a família a fim de salvá-la e não destruí-la. Ele jamais lutará contra Sua própria criação, sendo mentor de dissensões e discórdias familiares. A finalidade da exposição do texto narrado por Mateus é enfatizar a superioridade do amor a Deus acima de qualquer pessoa, inclusive daqueles que mais amamos, mesmo sendo nossa própria família.

A sociedade pós-moderna preza os desvalores em detrimento aos valores, por isso a questão de tantas situações aguerridas no seio familiar. O apóstolo Tiago é enfático quando diz: “De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vem disto, a saber, dos vossos deleites que nos vossos membros guerreiam?” (Tiago 4.1-3). De fato, a busca obcecada pelos bens perecíveis e por aquilo que deleita o corpo, tende a gerar conflitos de relacionamento pessoal e interpessoal. No tocante a isso, Tiago nos impele a abraçar os desafios que nos são propostos e nos mantermos guardiões dos valores morais, espirituais e familiares.

Nunca se viveu um tempo tão complexo como nosso, quanto à inversão de valores. A tendência desta geração é apreciar o conforto e coisas fúteis que desaparecem repentinamente. Hoje, o ser humano se desgasta valorizando coisas e não pessoas, objetos e não o ser. Tem invadido muitos lares, uma nova cultura trazendo modismo que deturpam o caráter cristão prejudicando o relacionamento do homem com Deus, do esposo com a esposa, dos pais com os filhos, de irmãos com irmãos. Os valores intrínsecos do cristianismo e a verdade das Escrituras estão sendo substituídos pelos valores efêmeros da vida. O relacionamento conjugal tem sido visto como descartável, pois o sentimento puro do amor tem sido confundido com questões ligadas apenas ao prazer sexual. O casamento parece mais acasalamento onde as pessoas se atraem pelo instinto e não pelo sentimento. Este é o século que vivemos e como qual não podemos nos conformar.

O conceito da individualidade do ser humano em relação a sua história no tocante a sexo, gosto, temperamento, idade, composição genética, etc, não interfere na qualidade do relacionamento conjugal e familiar dos que prezam pelo respeito e a honra de seus semelhantes. As diferenças comumente não são percebidas como oportunidades de enriquecimento, e, lamentavelmente, as pessoas conduzem essas diferenças de forma destrutível conduzindo-as a conflitos de interesses pessoais e discordâncias aguerridas através dos insultos e/ou desamor. A filosofia do individualismo defendida por esta geração tende a fragmentar e comprometer a comunhão e estrutura familiar, todavia, em combate a esta tese, é vital ao bom ambiente do lar que os cônjuges tenham uma aliança forte e saibam administrar os conflitos a fim de satisfazer as necessidades mútuas, assim como também exerçam as funções de pais em apoio a autoridade de cada um em relação com os filhos.

Quando os assuntos de discórdias entre o casal não são resolvidos, automaticamente irá desencadear um conflito marital nos filhos, fragilizando-os emocionalmente e pressionando-os a optarem pela preferência de um dos genitores, e se isso não for tratado poderá acarretar lesões na alma, podendo comprometer o sucesso relacional no futuro. Quando a formação de um indivíduo ocorre em um lar em conflito, onde os pais apresentam desequilíbrio emocional, ou apenas um dos genitores, com disciplina rígida ou relapsa; ou por meio de um comportamento disfuncional e desorientado, debaixo de um ambiente oprimido, a tendência é dar tudo errado na formação da vida deste indivíduo, neste caso a família perde o referencial e macula o crescimento sadio da criança.

Mediante todas essas complexidades abarcadas em nossa sociedade, a família cristã deve prezar pela graça da convivência familiar. No tocante a isso se compreende que o termo “graça” é um substantivo feminino oriundo do latim gratiae significa “benevolência”, “mercê” e “estima ou favor que se dispensa ou recebe”. Corresponde também às características agradáveis de uma pessoa. O portador da graça tem a capacidade de atrair os outros pelo seu caráter, assim como pode estar bem relacionada com elegância e graciosidade. A convivência familiar reflete no estado de saúde emocional do indivíduo. Jesus, compreendendo o reflexo do estado emocional do indivíduo no mundo exterior, nos alertou dizendo: “O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mau tesouro que está no seu coração, porque sua boca fala do que está cheio seu coração” (Lucas 6.45). Por isso precisamos nos conter para não sermos escravos de nossas emoções e ferirmos verbalmente as pessoas que amamos.

O objetivo de nosso adversário é lutar através de seus ardis e destruir os valores que permeiam a graça de nosso relacionamento familiar. O evangelista João realça um alerta dizendo: “O ladrão veio senão para roubar, matar e destruir” (João 10.10). Essa tríplice missão tem sido exercida pelo Inimigo ardilosamente contra a família nesta geração.

Destaco aqui alguns elementos fundamentais que trarão crescimento ao convívio familiar:

1) O marido ama e se sacrifica em favor da esposa como Cristo fez pela Igreja;

2) A esposa respeita e obedece a seu marido como faz a Cristo;

3) Os pais amam e se dedicam pelo bem estar de seus filhos investindo neles os valores morais, sociais, espirituais e financeiros a fim de que tenham um presente e um futuro abençoados;

4) Os filhos amam, respeitam e obedecem a seus pais a fim de que vivam bem e alcancem a longevidade (Efésios 6.1-3).

5) Todos os membros da família prezam pelo cuidado mútuo e buscam uma relação harmoniosa e debaixo da graça de Deus.

Por, José Carlos dos Santos.

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