Punidos por pregar Jesus no trabalho

Advertências e demissões por compartilhar o Evangelho já se tornam comuns

Punidos por pregar Jesus no trabalhoAo findar o seu ministério terreno, o Senhor Jesus Cristo deu a sua última ordem aos seus seguidores: “Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19). Desde então a comunidade cristã se empenha em cumprir essa determinação na qual a Palavra de Deus deve ser divulgada por todo o planeta, através dos meios de comunicação ou mesmo como acontecia naqueles tempos primevos: no contato mútuo entre as pessoas em que o diálogo era a principal estratégia de anunciar a mensagem cristã.

Mas e hoje em dia? Apesar de a liberdade de expressão não ser uma realidade na vida de cada ser humano, devido às constantes perseguições empreendidas por fanáticos religiosos que proíbem a divulgação da Palavra de Deus às demais pessoas, o Evangelho continua sendo difundido por fiéis que secundarizaram seus planos pessoais e a própria vida.

Mas e quando a perseguição ocorre em lugares até então considerados livres por suas leis garantirem a livre expressão de pensamento? O drama vivido pelo professor Walter Tutka, que acabou demitido por presentear um de seus alunos com uma Bíblia. De acordo com o site FaithWire, a confusão teve início quando um aluno que ocupava a última colocação na fila a deixar a sala de aula, ouviu o professor dizer algo.

O professor Walter Tutka disse em voz alta: “Assim, o último será o primeiro, e o primeiro será o último”, referindo-se a passagem bíblica de Mateus 20.16. A curiosidade do estudante aguçou e quis saber mais informações sobre a citação e perguntou sobre suas origens.

Após mostrar ao aluno o versículo em sua Bíblia, o professor deu o texto para o aluno, uma vez que ele mostrou mais interesse e pediu uma cópia das Escrituras. Mas a alegria do menino presenteado não foi bem acolhida pelos representantes do Distrito Escolar de Phillipsburg, onde o profissional estava empregado. Seus superiores interpretaram o ato de Walter Tutka como uma violação da política adotada pela entidade em que os funcionários não podem distribuir literatura religiosa nas escolas. O professor acabou demitido, mas dois anos depois do ocorrido, o caso foi resolvido. A firma jurídica First Liberty ajudou Tutka a resistir ao processo, ajudando-o a obter uma grande vitória.

A Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego dos Estados Unidos deu o seu parecer: o profissional foi discriminado com base em sua religião. Com esse argumento, a First Liberty obteve liberação para avançar com um processo em potencial.

“Nós sempre soubemos que Walt cumpriu todas as políticas do distrito escolar e as leis federais. Agora o professor Walt está voltando ao seu serviço para a comunidade de Philipsburg”, disse Hiram Sasser, advogado da First Liberty, a Starnes.

Outro caso relacionado a problemas no trabalho por compartilhamento da fé cristã é o do bombeiro norte-americano Jonathan Sprague, que também perdeu o emprego. Ele vai recorrer perante a Suprema Corte de Washington, no final do ano corrente. “Eu vou lutar pelos meus direitos religiosos”, avisou.

A entidade Pacific Justice Institute (PJI) entrou na briga e representou o bombeiro demitido. A instituição apresentou uma declaração judicial com o argumento de que o Departamento de Bombeiros de Spokane Valley o dispensou por ter expressado a sua opinião religiosa. Ambos os casos aconteceram em 2012.

“O problema foi censurar a expressão religiosa de Sprague, que a empresa chamou de insubordinação e conduta imprópria”, disse o instituto em um comunicado à imprensa. Por sua vez, o bombeiro está crendo na possibilidade de o tribunal superior do estado reveja o seu caso, após um tribunal inferior ter decidido contra ele.

O advogado do bombeiro, Matt Albrecht considerou favorável a notícia em uma entrevista ao The Spokesman-Review. “Consideramos uma boa notícia, já que ele teve uma decisão contra, em um nível mais baixo. Isso diz que existe alguma razão para que eles queiram rever isso”.

Após a sua demissão em 2012, Jonathan Sprague quer voltar as suas atividades. A troca de e-mails e o boletim eletrônico utilizado pelos bombeiros foi a causa do imbróglio. O Departamento de Bombeiros despacha boletins informativos com conteúdo assistencial destinado aos empregados, envolvendo assuntos como conflitos familiares, suicídio, jogo compulsivo e transtornos alimentares.

O informativo traz publicações de funcionários que vendem ingressos para concertos e buscam por babás. “Mas quando Jonathan fez anúncios e enviou e-mails com referências bíblicas – algumas sobre os mesmos tópicos sociais apresentados pelos bombeiros – ele foi disciplinado e finalmente demitido”, disse o instituto.

O bombeiro entrou com uma ação judicial para ter o emprego de volta. O argumento utilizado é que o Departamento de Bombeiros violou seus direitos de Primeira Emenda, porque seus e-mails sofreram restrições e isto não aconteceu com outras mensagens desvinculadas ao trabalho. O caso de Sprague foi retirado dos tribunais inferiores.

Enquanto Jonathan Sprague aguarda decisão judicial acerca de sua volta às atividades, fica a seguinte dúvida: É possível falar do amor de Deus aos demais funcionários de uma empresa sem incorrer em alguma infração? O advogado empresarial e vice-presidente da Assembleia de Deus em Curitiba (PR) pastor Carlos Eduardo Neres Lourenço dá uma dica:

“A responsabilidade outorgada por Jesus aos crentes, de serem ‘sal da Terra’ e ‘luz do Mundo’, não é algo irrelevante. Não é algo que possa ser praticado sem exercício de todos os demais princípios como da prudência, responsabilidade e sabedoria. Ser sábio, impõe ao crente o desenvolvimento de sensibilidade para ‘perceber’ qual o entendimento da empresa sobre o assunto. Existe em cada empresa uma ‘cultura corporativa’, que traça os limites dentro dos quais cada funcionário deve agir”.

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