Não provoqueis à ira a seus filhos

Não provoqueis à ira a seus filhosEm nossas igrejas, ainda nos deparamos com pais com uma mentalidade muito arcaica em relação à criação de filhos e, julgando estarem certos, acabam causando distúrbios no processo educacional. Criam filhos emocionalmente fragilizados ou copias fies de um modelo retrógado de educação familiar.

Não bastasse isso, vez ou outra vemos lideres e pregadores contarem histórias de como foram criados e das muitas palmadas que receberam dos pais, falam isso com fortes premissas de que esse é o modo certo de criar e educar filhos. Não quero aqui ser contrário à correção, pois a vejo inteiramente necessária no processo disciplinar de nossos filhos, no entanto, meu propósito é ressaltar quais o limites da disciplina com a vara e a importância de não incidir no erro de pensar que está disciplinando quando, na verdade, está provocando a ira aos filhos.

Antes de disciplinar, dê carinho

Geralmente, pais que se manifestam a favor da correção com a vara, não se mostram carinhosos para com os filhos em seu dia a dia, salvo, é claro, as raras exceções. Muitos desses, não vêem nenhuma outra maneira de corrigir os filhos a não ser por meio das palmadas. Todavia, não são apenas estes os bons métodos de correção e disciplina.

Se seus filhos desfrutam de carinho e afeto todos os dias, por mais que se entristeçam quando corrigidos, logo voltarão para os seus braços como filhos amados. Do contrário, se tudo que eles recebem de você são desafetos, palavras arrogantes e grosseiras somadas a correções o tempo todo, terão grandes chances de tornarem-se cidadãos desgostosos da vida e com fortes ressentimentos em relação aos pais.

A disciplina também é um processo de amor. Diz o sábio Salomão: “Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem” (Provérbios 3.12). Logo, não basta apenas disciplinar, é preciso que toda repreensão seja motivada, primeiramente, pelo amor e não apenas como um ato de reprovação e alivio da ira que sentiu pelo ato indisciplinar praticado pelo filho.

E o amor deve ser manifestado e demonstrado por ações. Quais atitudes você costuma esboçar quando seus filhos acertam? Ou você é daqueles que acha que quando filho se dá bem em alguma atividade ou obrigação, não fez nada além do que deveria? Se você pensa assim, precisa urgentemente rever os seus padrões de educação e criação de filhos. Elogie-os quando acertarem, pois esses gestos farão uma enorme diferença quando precisar corrigir.

Afinal, Deus nos deu a tarefa de sermos pais não apenas para criarmos filhos mecanizados pelos atos disciplinares aprendidos dentro de casa, mas para esboçar diante da sociedade que são frutos de uma família sadia e pautada pela bendita Palavra de Deus.

Não provoqueis à irá

Uma breve leitura do texto nos mostra que Paulo está repassando aos irmãos em Éfeso algumas obrigações que deveriam ser cumpridas por todos. Para isso, o apóstolo inicia relembrando quais eram as obrigações dos filhos para com os pais, dizendo: “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra” (Efésios 6.1-3). Há, pelo menos, dois destaques especiais neste texto bíblico. O primeiro é a questão da obediência aos pais. Todo filho tem por obrigação ser obediente aos pais, isso é uma ordenança de Deus para nós. O segundo destaque é dado à questão da honra. Paulo relembra um texto que faz parte dos Dez Mandamentos, dando vazão aos benefícios preditos por Deus aos filhos que honram pai e mãe, mostrando que seus dias serão prolongados nesta terra.

Feitas as observações quanto às responsabilidades dos filhos em relação aos pais. O apóstolo vem agora na direção oposta, trazendo à tona as obrigações dos pais para com os filhos, e diz: “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6.4). Neste versículo, ficam claras algumas responsabilidades e cuidados indispensáveis para manutenção do bom relacionamento entre pais e filhos. Nele, o apóstolo inicia frisando o cuidado em relação a autoridade, a fim de não abusarmos e provocarmos a ira a nossos filhos.

Ainda sobre o termo provocar [parorgizete], Lawrence Richards, argumenta “que sugere tratamento tão irracional dos filhos que eles se tornam desanimados ou ressentidos”. Descreve ainda, a soberania do pai de acordo com a lei romana, que, apesar de requererem a obediência e respeito dos filhos, não viam como obrigação a consideração dos sentimentos e bem estar dos mesmos. Todavia, isso não poderia figurar nos lares evangélicos.

O escritor e pastor Elienai Cabral diz que “o sentido da palavra ‘ira’ nesse texto é represália ou repulsa”. E esclarece que “um tipo de exigência irracional e incompreensível não oferece aos filhos a condição espontânea de antipatia em relação ao tipo de obediência exigida”. Logo, a incitação à ira não é o melhor caminho para disciplina que se deseja.

Não são poucos os pais que, pensando que estão disciplinando, abusam do poder paternal e maternal, provocando sentimentos de ódio no coração dos filhos. Todavia, esse não é o padrão disciplinar que o Pai estabeleceu para os genitores, mas criá-los no caminho do Senhor, ensinando-os no caminho que devem andar, para que quando crescerem não se afastem dele.

Outro ponto levantado pelo apóstolo Paulo é criá-los “na doutrina e admoestação do Senhor”. Neste aspecto, Elienai Cabral ainda ressalta que “a disciplina feita na ‘admoestação do Senhor’ formará personalidades fortes e sadias, moral e espiritualmente. A disciplina dentro dos padrões bíblicos corrige não só os filhos, mas também os pais quanto aos métodos aplicados”. Quando a disciplina é nos moldes estabelecidos pela palavra de Deus, não há espaço para provocação da ira em nossos filhos, pelo contrário, eles crescem movidos pelo amor de Deus, implícito nos corações de cada pai.

A educação de nossos filhos envolve, acima de tudo, amor. Não se pode pensar em criar e educar sem gestos que demonstrem carinho. Às vezes, pensando que estão usando a autoridade, alguns pais correm ladeira a baixo, provocando sentimentos de indignação nos filhos e, assim, formam cidadãos totalmente revoltados com a criação que tiveram.

Por isso, a exortação de Paulo é inteiramente pertinente. Nossos filhos precisam ser criados na doutrina e admoestação do Senhor e não provocados por constantes atos de autoritarismo.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Estudo Palavra Chave. Hebraico e Grego. Almeida revista e corrigida, 2ª ed. 2ª impressão. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
CABRAL, Elienai. Comentário Bíblico, Efésios. 3ª edição. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

Por, Edeilson Santos.

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