Combate à apologia da ignorância

Combate à apologia da ignorânciaAinda é notório, em alguns redutos evangélicos, certo preconceito no que tange aos estudos teológicos e seculares. Vez por outra, esse nefasto e equivocado pressuposto é expresso numa conversa informal ou, até mesmo, numa prédica sobre o púlpito. Historicamente, em se tratando de Assembleia de Deus, os estudos teológicos formais padeceram muita discriminação e aversão no passado, pois havia o receio de que as faculdades e institutos teológicos gerassem esfriamento espiritual.

A verdade é que experimentamos ainda hoje verdadeiras apologias à ignorância. Quantas vezes observamos a defesa da ignorância em detrimento dos estudos, sob o pretexto de que o Espírito Santo seria mais fluente na vida do indouto do que na do letrado? Recordo-me de ouvir, numa sala de aula em uma conhecida instituição teológica, durante uma preleção de um renomado pastor e teólogo, seu testemunho pessoal de como nos idos passados, ainda em sua juventude, enfrentou ferrenha oposição de seus pastores por se dedicar aos estudos. Indubitavelmente, há resquícios nítidos desta arcaica perspectiva ainda hoje, apesar de grandes esforços e considerados avanços. Hoje contamos com faculdades, escolas e cursos de altíssimo nível, além de professores, doutores e mestres que são baluartes do conhecimento bíblico-secular e exemplo de espiritualidade. Contudo, os resquícios de preconceito precisam ser totalmente erradicados.

É preciso saber, antes de tudo, que esta apologia à ignorância é antibíblica e anticristã. Senão, vejamos. Primeiro, em diversos textos a Bíblia nos orienta a conhecer (Oséias 6.3) e nos estimula a desenvolvermos nossas capacidades cognitivas (Provérbios 3.13; 4.5 e 7; 18.15; 19.8). Outrossim, o próprio Jesus protestou contra a ignorância (Marcos 12.24). O apóstolo Paulo insistiu para que seu leitor primevo, Timóteo, e por consequência, nós, desenvolvêssemos o hábito de leitura, o que é um incentivo ao conhecimento (1 Timóteo 4.13). Acresce a isso o fato do próprio apóstolo ser um amante do conhecimento e da leitura (2 Timóteo 4.13). Em seus escritos, inclusive, temos citações de filósofos de sua época, o que implica um conhecimento angariado no decorrer dos anos pelos estudos e leitura (Tito 1.12). Podemos ainda falar sobre os livros sapienciais – Provérbios e Eclesiastes –, cujo propósito é promover sabedoria. Ou seja, diante do exposto, num ponto de vista bíblico, é inconcebível um cristão fazer uma defesa da ignorância.

Entretanto, além das razões escriturísticas, nós temos razões históricas que corroboram com as assertivas da Bíblia. O cristianismo contribuiu significativamente para o desenvolvimento educacional da humanidade. No livro O cristão na cultura de hoje (CPAD), Colson e Pearcey dizem: “O cristianismo deu à luz uma nova instituição, a universidade”. Ou seja, na Idade Média, período do surgimento das universidades, os monges cristãos foram os geradores de uma das maiores instituições educacionais e sociais do mundo.

Ainda podemos citar os grandes filósofos cristãos que auxiliaram a humanidade, como Agostinho de Hipona, no início do cristianismo; Tomás de Aquino, Tertuliano, Clemente de Alexandria, só para citar alguns.

Soma-se a isso o fato de que até as novas modalidades de ensino vigentes hoje, como a Educação à Distância, tiveram influência cristã. Segundo especialista da Educação à Distância, as missivas do apóstolo Paulo podem ser consideradas uma forma deste meio educacional tão difundido hoje.

Outro dado importante a ser considerado é que, em uma pesquisa recente efetuada pelo IBOPE, percebeu-se que a taxa de leitores no Brasil é maior entre os evangélicos. Além da Bíblia, estamos lendo mais livros.

Sem falar da maior escola do mundo – a Escola Dominical. Robert Raikes transformou para sempre a educação no mundo através desta ferramenta.

Perceba, portanto, que, biblicamente e historicamente, o cristão tem razões de sobra para ser promotor do conhecimento e da sabedoria. Acolhermos a ignorância em detrimento da educação e dos estudos é um insulto à Bíblia e a história do cristianismo. Deveríamos ser os primeiros a incentivar a educação, o ensino e os estudos. Afinal, cristão e a ignorância são duas coisas que não combinam.

Por, ente da Assembleia de Deus.

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