Os cristãos como as abelhas

Os cristãos como as abelhasO mel está presente na dieta do homem desde o início da civilização. As pinturas rupestres servem como prova de que o uso do mel pelo homem é tão antigo quanto o próprio homem. Os romanos, os gregos e até mesmo os egípcios fizeram questão de registrar em manuscritos, pinturas e artefatos pessoais sua relação com as abelhas e o mel. Na Grécia antiga, mel era símbolo de fecundidade.

Hipócrates, o maior reformador da medicina antiga, prescrevia o mel no tratamento de muitas afecções e também o consumia em grande quantidade. Ele considerava que “o mel absorvido com outros alimentos tinha grande valor nutritivo e dá boa cor ao rosto”. Ele desejava que todo medicamento fosse produto alimentar e vice-versa. O mel estava nessa condição.

O mel é mencionado nas placas de argila na biblioteca do rei assírio Assurbanipal (669-633 a.C), na Odisseia de Homero e em diversos outros livros antigos, principalmente da China e da Índia, inclusive em textos de Medicina, Filosofia, Arte e tradições religiosas. Desde sempre o homem tem usado mel, e não apenas como alimento, mas como fortificante, tônico, embelezador, rejuvenescedor, fator de longevidade, estimulante do crescimento e remédio para doenças.

O vocábulo mel aparece cerca de 60 vezes na Bíblia. Ele era tão abundante em Israel que os judeus o exportavam na época de Ezequiel.

Bem, mas por que estou falando de mel aqui? É que a origem da crise atual da igreja deve-se à anormalidade de seu apetite espiritual e mel é símbolo da Palavra (Ezequiel 3.3; Salmos 119.103). Nada fora do cardápio bíblico pode satisfazer o espírito. Há os “anoréxicos”, que não se alimentam mais da Palavra e, quando comem, não é o suficiente para suas necessidades; há os que comem, mas não se alimentam, pois seus quitutes estão fora do cardápio de Deus; e há os que comem as guloseimas do fast-food religioso, tentando compensar a carência que somente a Palavra pode suprir. Só uma dieta equilibrada pode garantir crescimento saudável.

Em Êxodo 16, encontramos a “padaria de Deus no deserto”: o maná diário. Com o maná, aprendemos que o alimento que o Senhor nos dá não foi feito ontem. O Senhor não tem “pão dormido”. Na cozinha do céu, não se requenta sobras. Jesus disse: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mateus 6.11). Comamos do cardápio de Deus todo dia! “Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares” (Isaías 55.2).

Comer mel alimenta e sacia a fome (Salmos 81.16). Mel é comparado a tesouro (Jeremias 41.8). Israel considerava o mel como um dos produtos mais preciosos de seu país. Jacó destaca o valor do mel em Gênesis 43.11, chamando-o de uma das coisas “mais preciosas” da terra. Será que temos dado à Palavra seu devido valor? Será que temos dado a devida prioridade à Palavra em nossos cultos ou os outros elementos da liturgia tomam o tempo que deveria ser da Palavra? Nossa geração precisa urgentemente da Palavra, pois é ela que nos alimenta.

Comer mel faz bem à alma e ao corpo (Provérbios 16.24). Além de ser um excelente alimento, é também remédio. Quem come mel revigora o ânimo (1 Samuel 14.24-27). Aquele que se alimenta da Palavra tem seu ânimo revigorado (Salmos 1).

Ao escrever uma matéria sobre mel à revista Globo Rural, a jornalista Janice Kiss alertou: “Embora a população reconheça qualidades nutritivas do mel, o consumo interno é baixo”. Que infeliz coincidência! Conhecemos a eficácia da Palavra, porém há pouca intimidade com ela hoje.

Outro detalhe é que as abelhas são chamadas “insetos sociais”, por viverem organizadamente em grupo, com funções distintas, mas com um objetivo em comum. Isso faz destes seres uma comunidade, e esta é uma das essências do cristianismo. Lucas registra em Atos o surgimento da Igreja como nova comunidade que bem parece uma colmeia santa. Além disso, segundo Karl von Frisch, cada abelha possui um pequeno frasco de perfume, que exala um forte odor de limão, perceptível até ao homem, e lembra também o cheiro de erva-cidreira ou citronela. Alguns pesquisadores chegam a afirmar que existe um perfume específico para cada família ou colônia, que a identifica e a credencia para acessar a colmeia. Ora, assim como as abelhas, nós também temos nosso perfume. Em Êxodo, vemos Deus prescrevendo os ingredientes que comporiam um perfume exclusivo da Casa do Senhor, chamado de “azeite da santa unção” ou, segundo Salmos 133, “óleo precioso”. A Arca da Aliança, a Mesa dos Pães da Proposição, o Altar do Holocausto e Arão e seus filhos seriam ungidos com esse perfume. Tanto o Tabernáculo quanto tudo que a ele pertencia, assim como os sacerdotes, eram marcados com esse perfume exclusivo, sob pena de morte para quem tentasse copiar a fórmula ou usasse esse unguento para uso particular. O apóstolo Paulo diz que somos o “bom perfume de Cristo” (2 Coríntios 2.15). De longe Salomão reconhecia o cheiro da amada (Cantares 3.6). Esaú era reconhecido por seu cheiro do campo (Gênesis 27.27).

A introdução da produção de mel no Brasil se deu com os jesuítas no século 18. Em 1839, o padre Antônio Carneiro Aureliano importou várias colmeias de Portugal e instalado-as no Rio de Janeiro. Em 1911, duas “abelhas” suecas mudaram a história do Brasil: Daniel Berg e Gunnar Vingren. Elas trouxeram o melhor mel que o Brasil poderia experimentar!

Se a Palavra de Deus é comparada ao mel, não é nenhum exagero compararmos o crente com a abelha. E a similaridade é surpreendentemente notável. Assim como o Senhor Jesus foi procurar fruto na figueira, as pessoas vão até uma colmeia à procura de mel. Você tem mel? Quando as pessoas vão até você, procurando consolo, conforto, uma palavra de Deus, você tem para dar? Se não, você está longe de ser abelha. Quando eu era criança, um vizinho sempre que passava por mim dizia: “Geziel! Geziel! Marimbondo não dá mel!”. É claro que ele dizia isso pela rima, mas estava certo: marimbondo não produz mel. Quando ouvimos alguém falar sobre marimbondos, boa coisa não é. Dor, febre, choro, pânico, perseguição, inchaço e picada farão parte do assunto. Você conhece alguém com essas características? Alguém que nunca tem uma palavra de bênção? Paulo, no capítulo 4 de Efésios, diz que o desejo de Deus é que haja entre seu povo a unidade do Espírito pelo vínculo da paz; e que as palavras sejam apenas aquelas que sirvam para edificação, para que dê graça aos que a ouvem.

Isso não quer dizer que a abelha também não pique, porém ela tem algo mais a oferecer: ela também tem mel. Ainda que a palavra seja uma repreensão, mas ela vem acompanhada de uma palavra doce, de esperança. Além disso, já é comprovado cientificamente que, com a dosagem certa, o veneno da picada da abelha tem efeitos curativos para doenças como reumatismo, neurites e neuralgias, taxa de colesterol no sangue, entre outras. Até na repreensão há cura!

Você conhece alguém normal que crie marimbondo? Até conheço pessoas que possuem uma “casa de marimbondo” no telhado, no teto da varanda, no poste de luz, em alguma área do quintal. Quando isso acontece, é porque o dono da casa tem medo de removê-la e levar uma picada. Tomando coragem, a única medida para acabar com essa praga é ateando fogo. O fim de todo marimbondo é morrer queimado no fogo. Quem é você? Uma abelha ou um marimbondo? Se não é abelha, o fogo te espera.

Há um distúrbio do colapso das colônias, assim denominado pelos cientistas, (em inglês: Colony Collapse Disorder – CCD), que se refere à dizimação em massa de populações de abelhas. Albert Einstein teria dito: “Se as abelhas desaparecerem da superfície da Terra, a humanidade pode não ter mais de 4 anos de vida.” Embora não haja comprovação de que Einstein tenha dito isso, o mistério do desaparecimento das abelhas é real.

Em 2007, a National Geographic publicou matéria em que mencionava o desaparecimento de inúmeros enxames dos EUA – em certos lugares, 90% sumiram. Nem os cadáveres são encontrados – as abelhas simplesmente somem. “Um belo dia, saem para fazer seu trabalho e não retornam à colmeia. Enxames inteiros somem de repente, como por encanto”, disse um apicultor. A imagem mostrava os apicultores se aproximando das colmeias, procurando abelhas, e não achavam. As colmeias estavam vazias. Era perceptível o desespero tanto dos cientistas como dos apicultores. Não havia respostas, nem entendimento. Ainda não se estabeleceu a causa para o sumiço das abelhas. Poluição e doença são algumas hipóteses, mas não há certeza. Há relatos de desaparecimento em larga escala na Europa. Enxames inteiros somem, de uma hora para outra, misteriosamente, deixando as colmeias com pouquíssimas abelhas.

As abelhas ocupam papel fundamental na agricultura, pois são responsáveis pela polinização (a fecundação das plantas). No livro A World Without Bees, a investigadora May Berenbaum, da universidade de Illinois, afirma: “Se o número de abelhas continuar a diminuir aos níveis documentados de 1989 a 1996, elas deixarão de existir em 2035”. Supermercados e restaurantes põem a mão no bolso por depender do mel já escasso.

Embora alguns considerem as abelhas surdas, por não saberem onde se localiza sua audição, os apicultores perceberam que elas são sensíveis a certos sons metálicos. Isaías diz que, “naquele dia”, o Senhor assobiará, convocando as abelhas, e elas ouvirão e atenderão ao chamado. De igual modo, Paulo fala que, num piscar de olhos, Deus convocará seus santos ao som da trombeta (1 Coríntios 15.51, 52) e “seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares” (1 Tessalonicenses 4.17). Sem ensaios e recursos humanos, voaremos como as abelhas, num vôo solo magistral, sem asas nem turbinas; voaremos para encontrar o Senhor nos céus. Se o sumiço das abelhas deixa o mundo em polvorosa, imagine quando sumirmos, milhões e milhões de crentes em todo o mundo!

Por, Geziel Damasceno.

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