Perguntas de uma vida indiferente a Deus

Perguntas de uma vida indiferente a DeusA mensagem do Livro do profeta Malaquias é desafiadora. Este é um livro que “denuncia os pecados do povo no período pós-exílico, isto é, que voltou do cativeiro Babilônico”.

O grande propósito da mensagem do profeta foi o de gerar restauração da comunhão dos judeus com o Senhor. Embora ele não estivesse em posição de despertar o entusiasmo acerca da construção de algum símbolo visual da presença divina entre o povo, como estiveram os profetas Ageu e Zacarias, ele foi capaz de apontar para o centro da enfermidade espiritual que havia afetado os habitantes da Judéia.

Os próprios, que de inicio mostraram zelo e temor referente a restauração de Jerusalém, e principalmente, no que dizia respeito a vida espiritual, agora estão indiferentes.

Indiferente é o “que não desperta interesse”; “frio”; “desprezo”; “insensível”. O indiferente é aquele que não aplaude, que nem censura opiniões ou crenças desencontradas, etc.

Vejamos as diversas perguntas dos indiferentes para o Senhor, registradas em passagens bíblicas do Livro de Malaquias. Em que nos amaste? (Malaquias 1.2).

“… eu vos amei, diz o Senhor; mas vós dizeis: Em que nos amaste?(Malaquias 1.2).

Moisés havia dito: “O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos, mas porque o Senhor vos amava” (Deuteronômio 7.7-8). Porém, Moisés deixou-lhes um detalhe: “Saberás, que o Senhor, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda o concerto e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardamos seus mandamentos” (Deuteronômio 7.9).

O que Moisés estava afirmando era: “Deus é fiel, mantém de pé as promessas que faz e dedica amor constante àqueles que dedicam amor a Ele”. Esta explicita a vontade divina no sentido da escolha de Deus (Romanos 9.13-15).

Em que desprezamos nós o teu nome? (Malaquias 1.6)

Infelizmente, os maiores infratores da lei mosaica naquela época eram os próprios sacerdotes. Eles rejeitaram com seus atos a missão exaltada como sacerdotes.

Desprezo é falta de apreço ou de consideração por algo ou alguém; sentimento de superioridade em relação a algo ou alguém. Respeitar é honrar, venerar, observar, cumprir. Respeito é um sentimento que nos impede de fazer ou dizer coisas desagradáveis a alguém.

Os sacerdotes não fizeram caso da responsabilidade que tinham em oferecer ao Senhor sacrifícios de animais sem defeito (Malaquias 1.8). Pelo contrário, fizeram ofertas poluídas, e sem dúvida guardavam para seu próprio uso os melhores animais.

Além de não fazerem caso (desprezo), também profanavam, ou seja, os sacerdotes, não em palavras, mas em ações, estavam dizendo: “a mesa do Senhor é desprezível”. Eles agiam como se Deus não existisse, promovendo suas profanações e blasfêmias (Malaquias 1.11).

Portanto, não desprezemos ao Senhor. Não profanemos o culto. O Senhor requer de nós um culto puro e sincero (Romanos 12.1; Hebreus 13.1517). Tem crente que não vem ao templo para cultuar, mas para provocar, insultar a Deus com suas ações. Leia o que está escrito em Malaquias 1.13 e 14).

Em que te enfadamos? (Malaquias 2.11-14, 17)

Eles haviam abandonado suas mulheres, sendo desleais ao seu compromisso e se casaram com mulheres pagãs. Estavam tão indiferentes que molhavam o altar de lágrimas, porque o Senhor não dava mais atenção as suas ofertas e não recebiam mais as suas bênçãos.

E ficavam questionando: “Por que Deus não responde?”. E Deus responde: “Eu vi a traição que vocês cometeram, abandonando suas esposas, que foram fiéis por tanto tempo!”

Eles reclamaram tanto que cansaram o Senhor com suas palavras, e ainda perguntavam: “em que o enfadamos?”

O Senhor está bradando: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal! Que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade, e fazem do amargo doce, e do doce amargo! (Isaías 5.20).

Em que havemos de tornar? (Malaquias 3.7)

Esta pergunta faz-nos lembrar do brado do profeta Isaias: “Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno, os seus pensamentos e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar” (Isaías 55.7).

Era esta a oportunidade que Deus dava a Seu povo. O senhor declarou: “Desde os dias de vossos pais, vos desviastes…”

Eles zombavam do Senhor com esta atitude. Mas eis aí a porta aberta. Eis a oportunidade de Deus: “Tornai vós para mim, e eu tornarei para vós, diz o Senhor”

Em que te roubamos? (Malaquias 3.9)

Eles roubavam ao Senhor nos dízimos e nas ofertas. Retinham para si enquanto a casa do Senhor sofria e a maldição vinha sobre eles. Importante: um judeu fiel e devoto dava quatro tipos de dízimos:

  • Dízimo para o sustento dos sacerdotes e levitas. Era chamado “dizimo do santuário” (Levíticos 27.3032; Números 18.21,24).
  • Dízimo dos festivais sagrados nacionais. Era um dizimo para custeio dos festivais sagrados nacionais, observados principalmente em Jerusalém. Era um dizimo constituído de bens comestíveis (Deuteronômio 14.5-6,11,17-18; 14.22-27).
  • Dízimos para os pobres, viúvas, órfãos e estrangeiros. Era um dizimo para assistência social. Era usufruído onde era possível (Deuteronômio 14,24-26).
  • Dízimo dos dízimos. Era pago pelos levitas para o sustento dos sacerdotes do Senhor (Números 18.25-28; Neemias 10.38).

A orientação do Senhor foi: “Tragam todos os dízimos, aos depósitos do templo, para haver alimento suficiente em minha casa. Se fizerem isso, abrirei as janelas do céu e derramarei uma benção tão grande que não terão lugar onde guardá-la. Experimentem! Dêem-me uma oportunidade de provar que isso é verdade!” (Malaquias 3.10).

Que temos falado contra ti? (Malaquias 3.13)

“as vossas palavras foram agressivas para mim. Diz o Senhor” “Vós dizeis: Inútil é servir a Deus; que nos aproveitou termos cuidado em guardar os seus preceitos e em andar de luto diante do Senhor dos Exércitos? (Malaquias 3.14).

A questão deles era: “O que o homem ganha em servir ao Senhor? Eram homens cínicos e levianos. Eram“infiéis” e queriam a recompensa devida aos “fiéis”. Eram pecadores, mas quiseram os benefícios de um “justo”.

Sua adoração, se é que tinham, era “oca”. Seu serviço era vazio. Sua espiritualidade era inútil, não produzindo nenhum resultado notável.

Eles olhavam para os soberbos e diziam: “eles prosperam em suas maldades. Esses homens desafiaram a Deus e ganharam!”Para eles, Deus estava indiferente enquanto eles não enxergavam que os próprios viviam indiferentes a Deus.

Eis a promessa!

A promessa traz conforto ao coração dos que estão oprimidos: haverá uma ocasião em que a luz do dia perfeito brilhará!

O senhor promete em Malaquias 3.16 que conservará no céu um “registro permanente”, “um memorial escrito” diante dEle, para os que O temem e para os que se lembram do Seu nome!

Por, Edson Luís Lunardelli.

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