Transtorno de ansiedade no lar

Transtorno de ansiedade no larTodo ser humano em algum momento da vida experimenta sentimentos de ansiedade em diversos graus, e esses graus variam de pessoa para pessoa. Seja pela espera da tão sonhada bicicleta, pelo início de um novo emprego, pela chegada do primeiro filho, pela mudança de escola, etc. Situações como estas fazem parte do nosso cotidiano e despertam uma reação de tensão natural no organismo. Trata-se de um tipo de alarme do sistema nervoso que é ativado sempre que percebemos uma situação diferenciada. Podemos denominar também como a representação de uma forma de estresse e que pode se manifestar física, social ou emocionalmente.

Por mais curioso que possa parecer, crianças e adolescentes vivem momentos de grande tensão assim como os adultos. E cada dia que passa, temos mais relatos de casos clínicos de crianças com sintomas de transtornos de ansiedade. Podemos citar como um dos fatores que tende a potencializar o transtorno de ansiedade em crianças e adolescentes, o conflito conjugal e porque não dizer familiar.

Com o aumento de casais em crise conjugal ou mesmo divorciados na sociedade contemporânea, as famílias têm sofrido mudanças e diversos danos na homeostase de todos os membros que fazem parte dela, sendo um deles o Transtorno de Ansiedade de Separação. Mas este pode se manifestar também em outras situações de afastamento dos pais dos filhos.

O Transtorno de Ansiedade de Separação caracteriza-se pela experimentação de ansiedade excessiva em função do afastamento de casa ou de figuras de ligação. Quando o vínculo é rompido e o elo familiar existente se enfraquece devido à vulnerabilidade que se instala no relacionamento entre pais e filhos, uma reação emocional intensa vai ganhado espaço diante do afastamento de pessoas ou bens significativos em sua vida. É na família e no relacionamento com os pais, que os filhos constroem um estado emocional de afetividade e confiança.

Dentre os comportamentos disfuncionais procedentes as reações emocionais inadequadas ao desenvolvimento da criança ou do adolescente, estão os possíveis sintomas: queixas recorrentes de sintomas físicos (como dor de cabeça, dor de estômago, náuseas) quando ocorre a separação de casa ou de pessoas de sua confiança; preocupação excessiva pela possível perda das principais figuras de vinculação ou por possíveis males que possam acontecer a essas pessoas; relutância para ir à escola; medo de ficar em casa ou em outros locais sozinho; recusa em adormecer sem estar próximo de uma importante figura de apego ou fora de casa; pesadelos repetidos que envolvem o tema da separação e etc. Além destes sintomas, os prejuízos funcionais na área social e acadêmica também devem ser considerados.

Os pais são primeiros e maiores responsáveis pelo desenvolvimento psicológico e emocional dos seus filhos. Decisões precipitadas, egoístas e/ou impensadas geram grandes prejuízos, principalmente às crianças e adolescentes, pois ainda não têm maturidade emocional para administrarem conflitos de grandes proporções.

A separação da família é um advento do “mundo dos adultos” e uma criança ou adolescente em seu pleno desenvolvimento intelectual não possui todas as habilidades de compreensão para entender o porquê de a família sofrer esta grande ruptura.

A Bíblia nos afirma que “os filhos são heranças do Senhor”. A palavra herança traz a ideia de algo que é passado para os descendentes esperando que eles administrem e zelem bem o presente que receberam. Como herança, devemos valorizá-los, guardá-los e cuidá-los com sabedoria.

Acredita-se que os transtornos de ansiedade observados na idade adulta podem ter tido sua causa durante a infância e adolescência. Se não tratados podem acompanhá-los por toda vida. Essas crianças e adolescentes poderão se tornar adultos inseguros, medrosos, com baixa autoestima e com desinteresse pela vida. Sendo assim preste muita atenção ao seu filho e não banalize reações que podem ser um pedido de socorro.

Veja algumas dicas de como identificar e ajudar crianças e adolescentes a superarem situações que lhes trazem esse tipo de sofrimento intenso:

1 – Se seu filho evita eventos sociais, animais, a escola, aviões ou basicamente qualquer situação que causa ansiedade, fique atento! Preste atenção em que circunstâncias este comportamento mais se manifesta;

2 – Estabeleça um padrão de comparação. Verifique se há determinados dias em que ele se sente mal, se fica mais ansioso quando vai para algum lugar ou quando fica na companhia de outras pessoas;

3 – Conceda uma oportunidade para verbalizar sobre o assunto sem repreendê-lo ou reprimi-lo. Deixe-o explicar o que sente sem lhe dizer como é que ele devia se sentir;

4 – No caso de mudança de rotina comece a preparar o seu filho com alguns dias de antecedência para ir aceitando a ideia de que a rotina será alterada;

5 – Cumpra aquilo que promete. Pessoas que sofrem de transtornos de ansiedade buscam segurança e estabilidade das emoções. Os filhos precisam saber que podem confiar nos pais.

Toda separação seja ela definitiva ou temporária pode de desestabilizar a atmosfera familiar causando consequências sérias e por vezes duradouras para os membros da família. Promover um ambiente que se fale sobre os conflitos, dúvidas, medos, angústias e dores trazem resultados surpreendentes.

Ao perceber que o nível de ansiedade do filho está elevado e persistente, os pais devem procurar imediatamente auxílio e orientação de um profissional de saúde mental. O tratamento do transtorno de ansiedade de separação consiste em psicoterapia, ocasião em que os pais são orientados a mudarem seus hábitos familiares para estimular a autonomia e independência da criança. A duração do tratamento dependerá do nível de ansiedade do paciente e a resposta que o mesmo dará após cada visita ao especialista.

Os filhos são um presente de Deus para os pais. Estes são apenas mordomos de algo preciso que não lhes pertence, mas lhes foi confiado pelo Dono. Por isso devem cuidar bem e produzir bons frutos para o Senhor.

Bibliografia

CARNEIRO, T. F. Separação: o doloroso processo de dissolução da conjugalidade. Estudos de Psicologia 2003, 8 (3), p. 367-374 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
MCGOLDRICK, M; CARTER, BANDA. As Mudanças do Ciclo de Vida Familiar. Porto Alegre: Artmed, Eduardo, 1995.
VIANA, Campos e Ladeira- -Fernandez (2009). Transtornos de ansiedade na infância e adolescência: uma revisão . Revista brasileira de terapia cognitiva, v5,n.1.

Por, Daniella Cristina Gonçalves de Aguiar.

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