Compaixão pelas almas perdidas

Compaixão pelas almas perdidasPaulo, o apóstolo estava preso em Jerusalém não por ter cometido algum crime, mas pela prática do bem. Antes, quando ainda era o perseguidor Saulo de Tarso, as suas mãos estavam sujas com o sangue da violência, mas naquele momento, o missionário compartilhava as dádivas generosas para os crentes da Judeia.

Antes perturbador da paz, mas agora um ministro da reconciliação. Ele veio para falar ao seu povo sobre a vida eterna através de Jesus Cristo, o filho de Deus, mas diante dessa afirmativa, os seus conterrâneos decidem matá-lo.

O apóstolo encontrava-se em uma situação aflitiva, de modo que o Senhor lhe concede oportunidades em novas frentes de trabalho diretamente com a obra missionária.

Deus não trabalha somente quando tudo vai bem, a chamada surge em meios a tribulações e momentos em que o chamado parece incógnito.

A Bíblia Sagrada revela: aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos (Salmos 126.6). Mas a semente é regada com as lágrimas do missionário semeador.

Realmente, o missionário que semeou em lágrimas, voltou jubiloso trazendo os seus feixes.

O apóstolo Paulo estava preso, mas o Senhor o visitou no cárcere. O escritor Lucas registrou o encontro: “Na noite seguinte o Senhor, pondo-se ao lado dele, disse: ‘Coragem! assim como você testemunhou a meu respeito em Jerusalém, deverá testemunhar também em Roma’. (Atos 23.11).

Dessa maneira surgiu para o apóstolo um novo projeto e um novo campo para evangelização. Paulo recebeu o conforto do próprio Senhor Jesus, que lhe outorgou a missão de testemunhar de sua Palavra em Roma. Paulo não morreria enquanto não cumprisse o projeto de Deus.

O destino de nossa vida não está nas mãos dos homens, mas nas mãos do Deus Eterno. É o Senhor quem nos sustenta e protege, Ele abre portas para a obra em novos campos que necessitam de valentes missionários (as). O apóstolo desejava ir à capital do Império Romano e, depois, viajar à Espanha.

Paulo chega à Roma com algemas nas mãos, porém, mesmo encarcerado, ele escreve e encoraja as igrejas, evangeliza os soldados que mantém a vigilância sobre o prisioneiro, testemunha a sua fé, fala da importância do amor. O apóstolo Paulo, mesmo sem desfrutar de sua liberdade, escreve cartas contendo orientações e ensinamentos. Estes conselhos do veterano missionário permanecem sendo observados e vai continuar assim até o Senhor vir arrebatar a sua Igreja.

A convicção faz com que a pessoa mantenha-se firme no propósito para o qual Deus o vocacionou. Paulo foi um exemplo de perseverança diante das perseguições: ele foi apedrejado, preso, acusado, abandonado, desprovido de recursos, chicoteado… porém jamais abandonou a fé em Cristo. O apóstolo deixou registrado: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Romanos 8.35,37).

O apóstolo Paulo revela o seu sofrimento ao longo de sua trajetória na obra de Deus: “Trabalhei, fui preso, exposto a morte muitas vezes…” (2 Coríntios 11.23), este relato nos oferece ânimo diante das adversidades, sempre crendo nas promessas de Deus e no nosso chamado.

Paulo continua : “estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia” (2 Timóteo 1.12). Precisamos ter em mente as promessas de Deus com o objetivo de levar adiante a nossa missão que inclui ação social e evangelização.

A promessa de Jesus é esta: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28.18-20).

É preciso ter coragem para que possamos conduzir o nosso ministério. Aquele que atende à sua vocação, seja como missionário, pastor ou evangelista, não deve trazer consigo a timidez, pois devemos entender que esta é a causa divina, por isso, vitoriosa.

Não podemos realizar a obra de Deus contando apenas com a nossa capacidade humana, mas no poder de Deus.

Não vencemos os desafios confiantes nas reservas financeiras ou emocionais que possuímos, mas na coragem dispensada do próprio Deus aos seus fiéis. Não se trata de auto-ajuda, mas do esforço conjunto com o Pai das Luzes. O Deus de Israel está conosco e Ele nos encoraja. Temos que ter ânimo para não olharmos para as dificuldades, e sim para as possibilidades. Temos que ter coragem para não retrocedermos diante das nossas limitações.

Eu sou filho de missionários, e pude contemplar muitas vezes o meu pai, missionário Claribalte Liberato Nunes (in memorian) e minha mãe Zenaide Francisco (fundadora do grupo musical Dedos de David), na Bolívia e Argentina, trancados em um quarto da casa, e lá oravam e choravam para que Deus os ajudasse a ganhar almas para o seu Reino. Isto aconteceu no período em que serviam na Bolívia e Argentina. Só entende esse desprendimento quem possui a chama missionária ardendo dentro de si. Um certo pastor mencionou que: “A obra missionária é como uma doença contagiosa, ela estende-se de um para o outro e não para”.

Muitos têm o prazer em se aposentar e viver tranquilo, mas eu nunca vi um verdadeiro missionário dizer que se aposentou. O verdadeiro cristão é missionário e a chama desvanece quando o seu portador desce ao túmulo. Devemos meditar nisto sempre.

Por, Claudinei Nunes in memorian).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *