Cristãos: entes políticos na sociedade

Cristãos - entes políticos na sociedadeO termo “política” deriva do grego “polis” que designa “a cidade”. A política procura a conduta ideal do Estado, pelo que seria uma ética social. Ela procura definir quais são os caracteres, a natureza e os alvos do governo ideal.

Assim, a política é um conjunto de significados: é a arte de governar a cidade de acordo com o projeto relativo ao conjunto de cidade; é empenhar-se na ação que pretende a tomada do poder para fazer triunfar as suas ideias.

O objetivo da política é de organizar de melhor forma possível a convivência social.

Desenvolvimento histórico

Para compreender mais apuradamente o panorama político atual é necessário que se tenha certo conhecimento do processo histórico em que as diferentes formas de governos foram estabelecidas. Em cinco séculos da História, o Brasil foi colônia portuguesa (1500-1822), império (1822-1889) e república (1889 em diante). Nossa Sociedade foi marcada pelo tipo de colonização implantada pelos países ibéricos (exploratória), pelo escravismo e rígida estratificação social.

Na prática, foram exatamente quatro séculos de regime totalitário, abrangendo o período colonial e a república. A fase de República foi também marcada por vários períodos ditatoriais (como o “Estado Novo” e ditadura militar) quando a população mais uma vez era privada de seu direito de livre expressão.

As missões religiosas fomentadas pelos portugueses explicam as raízes católicas de nossa nação e a intensa perseguição às missões protestantes no início do século passado. Em fase deste problema, a igreja não poderia deixar de exercer seu papel. Nenhuma outra entidade da sociedade civil tem uma estrutura tão ampla como a igreja evangélica.

A Bíblia apresenta o povo de Deus como parte efetiva da sociedade em que vive e também responsável pelo processo social. Através de Jeremias o Senhor aconselhou: “procurai a paz da cidade para onde vós desterrastes e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz” (Jeremias 29.7).

Os evangélicos hoje são um dos mais expressivos segmentos da população brasileira. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, tínhamos mais 142milhões de eleitores habilitados a votar em 2014, sendo 22,4% de eleitores evangélicos, de acordo com o censo do IBGE de 2010, em nosso país. Só nas últimas duas décadas os evangélicos descobriram-se como uma força política. Políticos do Brasil inteiro tiram proveito do povo evangélico sem, contudo assumir quaisquer compromissos com os mesmos.

A política e o parlamento

A verdade é que a falta de ética, a falta de compromisso e a desonestidade norteiam por todas as profissões. Mas só se encontram setas para apontar os políticos.

Quem assim age, esquece-se de que as autoridades são constituídas por Deus (Romanos 13.1) e que ao invés de injúria, merecem respeito e honra (Romanos 13.7). Ademais disso, há a considerar que os evangélicos autênticos estão no parlamento municipal, estadual, federal, o porta-voz de nosso ponto de vista, de nossa fé no Deus vivo. Quando eles combatem a contravenção e praticas do homossexualismo, aborto, eutanásia, etc., dizem lá o que diríamos se dispuséssemos de uma tribuna. Quando condenam o alcoolismo, expressam nossa opinião que não pode ecoar no plenário do parlamento. Quando expõem à opinião pública aquilo que todo homem“nascido de novo” (João 3.7) tem no coração, mas não alcança ecoar muito longe.

Porque tomam posições em defesa de nossa fé e contra o mal, estes homens são muitas das vezes tratados com desdém, com indiferença, com hostilidade até, pelos veículos de comunicação, em que militam muitos materialistas e ateus. O combate à corrupção e ao vício de drogas contraria poderosíssimos interesses econômicos.

Este é o momento oportuno para enfatizar o alto sentido da participação evangélica na atividade parlamentar e em cargos executivos. É claro que não fazemos apologética do envolvimento da política na igreja na sua essência, porque isto é extremamente perigoso, pois a história nos diz isso. Temos dito que pode o crente entrar na política; o que se não deve admitir, em hipótese alguma, é que a política entre no crente. Porque devemos buscar, primeiramente, “o reino de Deus e sua justiça” (Mateus 6.33).

A Bíblia e a política

Cabe lembrar que o ambiente cultural nos tempos bíblicos era bem diferente de nossa realidade atual. Nos deparamos inicialmente com governos teocráticos e hereditários, mas também entram em cena regimes totalitários, como o Império Romano. A presença desse elemento político pode ser percebida desde a liderança político-social de Abraão, passando pela influência de Moisés. Vejamos algumas das lideranças políticas bíblicas.

Moisés – Um líder religioso e político na difícil tarefa de libertar seu povo e fazer dele uma grande nação (Êxodo 3.7-11).

José – O sábio governador do Egito foi um grande político levantado por Deus, em quem Faraó viu capacidade para governar. O primeiro plano de governo adotado na terra foi o de José, e salvou uma nação, e com isso preservou a família e descendência de Jacó seu pai (Gênesis 45.46-47).

Daniel – Vida pública por sobrepujar-se aos princípios da Corte de Dário (Daniel 6.1-5) estadista de primeira grandeza, brilhou no Império Babilônico e Persa como estrategista político sem jamais comprometer a sua fé.

José de Arimatéia – Deve-se a sua esposa a audaciosa atitude de reclamar o corpo de Jesus, prepará-lo e sepultá-lo num sepulcro de sua propriedade. Poucas pessoas teriam acesso a Pilatos (e a coragem) para fazer tal pedido (Mateus 27.60; João 19.38), nos evangelhos de Marcos e Lucas, José de Arimatéia é apresentado como Senador, possivelmente um membro do Sinédrio com poder público que lhe habilitavam a fazer tal pedido e assim dar cumprimento a uma profecia bíblica (Isaías 53.9).

Os evangélicos e a política

Até alguns anos atrás falar de política nas igrejas era tido como impróprio. Vivia-se então, o apogeu do maniqueísmo (doutrina que se funda em princípios opostos do bem e do mal) que separava na cabeça dos crentes as coisas de Deus e as coisas do mundo, dizia-se “política é coisa do diabo”, era uma expressão muito repetida cada vez que eleições se aproximavam; faltava esclarecimento quanto ao papel social da igreja e esta sofria por falta de expressão e representatividade no cenário político nacional. Entretanto, desde a redemocratização do país em 1985, os evangélicos tem conquistado a cada eleição espaço crescente dentre cargos políticos disponíveis.

Tal conscientização política é fruto tanto de um amadurecimento político da população como de um esforço conjunto de diversas denominações no esclarecimento dos seus membros. Para comprovar esta mudança de comportamento dos evangélicos, basta conferirem as propagandas eleitorais, onde os crentes definitivamente entraram no corpo a corpo das urnas; além dos discursos recheados de jargões evangélicos e versículos bíblicos, muitos deles não se constrangem em acrescentar títulos como “pastor e bispo” aos respectivos registros, usando cargo eclesiástico como elemento de legitimidade perante o eleitorado. Os evangélicos são um grupo que, unindo as forças, pode ser decisivo na definição de uma eleição, tendo o poder de decidir o destino do país. Na oração sacerdotal Jesus clamou: “Não peço que os tire do mundo, mas que, os livres do mal” (João 17.15). Definitivamente a igreja deve cumprir seu papel social e hoje isto está ligado à política. A implicação da responsabilidade social da igreja tem levado ao aumento da consciência política entre os evangélicos.

Há denominações já se organizaram e usufruem do esforço de seus trabalhos. Os cristãos semelhantes a qualquer cidadão, têm direitos civis garantidos e também deveres a cumprir na comunidade da qual faz parte, é necessário dispensar toda cooperação possível e manter espírito de boa vontade com o projeto da igreja. A igreja, em seu relacionamento íntimo com o público tem o dever de prestar um bom serviço à comunidade, a versatilidade do líder exige que ele mantenha relacionamento com as mais diversas camadas sociais e nelas penetre sempre com solicitude.

Lembremos que o bem estar da nação está atrelado ao desempenho dos políticos, nos quais nós votamos, e bom seria se tais fossem cristãos e pudéssemos dizer: “Bem-aventurada a nação cujo Deus é o Senhor e o povo que ele escolheu para sua herança” (Salmos 33.12). O crente vive e trabalha numa sociedade na qual é cidadão, a autoridade é delegada por Deus (fonte de toda autoridade) e devemos ser responsáveis (2 Timóteo 2.2).

Embora o campo de ação da igreja seja eminentemente espiritual, suas atividades podem repercutir na esfera das leis estabelecidas pelo Estado, no exercício do nosso ministério (Tito 3.1). Paulo nos faz esta exortação: “que os homens nos considerem ministros de Cristo e despenseiros dos ministros de Deus! Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel” (1 Coríntios 4.1-2). Como o líder, o ministro necessita ser compenetrado, ter boa visão para compreender e realizar. “Oremos para que o propósito de Deus seja estabelecido e sejam frustrados todos os desígnios do maligno em todas as cidades brasileiras” – Romanos 13.1-7.

Por, Eli Martins de Souza.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *