O cristão e a permanência na Palavra

“Assim como o cervo brama pelas águas, assim suspira minha alma por ti ó Deus” (Salmo 42.1).

homem-pregandoSeja esta a oração permanente nos lábios daqueles que anseiam dia após dia a presença de Deus, daqueles que não trocam seu momento com Deus por coisas banais desta vida. Somos diligentes o bastante para sabermos quando o nosso corpo físico necessita do alimento cotidiano, e fazemos de tudo para satisfazê-lo, porque ignorar tal ato traz-nos consequências gravíssimas, até mesmo a morte. Por outro lado, não atentamos para as necessidades do espírito e da alma, e somente um alimento os satisfazem: a Palavra de Deus. Pois, “nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mateus 4.4). Fica entendido que o homem é um ser dependente da voz de Deus. No Salmo 29 o salmista enaltece a poderosa voz de Deus, pois Ele é um Deus que fala.

A alma moribunda se fortalece quando ouve a sua voz! Quem dera, tivéssemos um apetite como o do profeta Jeremias (Jeremias 15.16) ou atentássemos ao conselho do apóstolo Pedro (1 Pedro 2.2). Que seja permanente o desejo em nossos corações de meditar na Palavra de dia e de noite; a prosperidade será visível na vida do cristão que assim fizer. Mesmo em meio a sequidão do mundo, este será contemplado como uma árvore verdejante (Salmo 1). Aponte-me um cristão de sucesso e veremos que o mesmo é um amante das Santas Escrituras. Não foi esse o segredo do próspero ministério de Josué (Josué 1.8)? Como o Escriba Esdras poderia exercer com afinco seu papel diante da nação de Israel se primeiramente não aplicasse seu coração a aprender a Palavra do Senhor (Esdras 7.10)? Ao obreiro do Senhor é requerido que seja apto para ensinar (1 Timóteo 3.2; 2 Timóteo 2.24). Ninguém poderá adquirir o título de ensinador se antes não levar sobre si o título de aluno ou aprendiz. Todos os apóstolos (no grego, “enviados”) um dia foram discípulos (gr. Mathete = aluno, aprendiz) até mesmo Paulo, não se esquivou dos três anos de aprendizagem e esteve com com o Senhor no deserto da Arábia (Gálatas 1.15-18), para depois  escrever aos crentes de Corinto: “porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei…” (1 Coríntios 11.23). Um desejo ardia no coração do salmista Davi: “Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e inquirir no seu templo” (Salmo 27.4). Deus atende ao ardente pedido de nosso coração se assim o agradar. O conselho do Filho de Deus é que peçamos (Mateus 7.7). Agur pediu duas coisas ao Senhor (Provérbios 30.7-9), Salomão pediu sabedoria (1 Reis 3.5-10) e Moisés pediu para contemplar a glória de Deus (Êxodo 33.18). Tiago ensina que se alguém tem falta de sabedoria peça a Deus (Tiago 1.5). Conta-nos a história que este tinha experiência no que escreveu, pois era homem de constante oração!

Necessitamos urgentemente de homens e mulheres que tenham contato com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra, que vivam ensinando e ensinem vivendo as Sagradas Escrituras, que ao pregarem não a deixem de lado, mas que ela permaneça como o martelo (Jeremias 23.29), a espada (Hebreus 4.12) e o prumo (Amós 7.7) em suas mãos.

Um sinal de fracasso na vida do cristão é, sem dúvida, sua falta de apetite pela Palavra. Perigos rodeiam a vida do cristão ausente na Escola Dominical, culto de ensino e qualquer atividade da igreja que o leve a meditar na Palavra! Somente a voz divina pode fazer arder o coração do homem (Lucas 24.32). Ela como fogo (Jeremias 23.29), e como tal, está dia após dia a aquecer o seu coração? Como podereis então permanecer como um tição aceso neste mundo? Voltemo-nos e nos deixemos ser inflamados por ela. Precisamos ser extremamente cuidadosos para que nunca falte o ensino da Palavra na Casa do Senhor! A Casa de Deus é casa de oração (Marcos 11.17), mas também é casa de ensino (Salmo 27.4). Jamais devemos trocar a ministração da Palavra por movimentos vazios e sutis, que alcançam apenas a alma, a fonte das emoções. Somente a Palavra alcança também o espírito (Hebreus 4.12). A Oração Sacerdotal de Cristo foi para que o Seu povo fosse santificado na verdade, e a palavra é a verdade! Portanto, permaneçamos na Palavra.

Por, Antônio Adson Rodrigues.

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