Arqueologia afirma relatos bíblicos

Batalhas e outros eventos bíblicos desvendados através do estudo de cientistas

Arqueologia afirma relatos bíblicosA arqueologia tem sido uma ferramenta eficaz quando o assunto é descobrir evidências acerca de fatos históricos registrados na Bíblia Sagrada, e isto é exemplificado nos resultados de uma equipe de arqueólogos que trabalhavam em uma escavação nas ruínas de uma mina de cobre que pertenceu ao rei Salomão, em um complexo no Vale de Timna, região tombada como parque nacional. Os especialistas encontraram uma muralha que remonta ao século 10 a.C. no sítio arqueológico na região do deserto de Arava, extremo sul de Israel. Os cientistas acreditam que o achado tem ligação com o reino de Edom que mediu forças contra o Exército hebreu em campo aberto. Segundo os arqueólogos, parte do território edomita acabou conquistado em batalha no período em que Israel era governado por Davi. A equipe era conduzida pelo doutor Erez Ben-Yosef, da Universidade de Tel Aviv.

Os especialistas divulgaram a notícia de que o muro da fortificação media naquela época centenas de metros de comprimento e cinco de altura. Os escavadores encontraram muitas pedras grandes perto da edificação o que leva a crer que foram arremessadas por fundas e, provavelmente, por catapultas rudimentares com o objetivo de colocar abaixo a construção. Segundo a Bíblia Sagrada os edomitas eram descendentes de Esaú (também chamado de Edom em Gênesis 25.30), irmão gêmeo de Jacó, patriarca que deu origem aos hebreus que mais tarde ocuparam as terras da antiga Canaã (Josué 1.1-6). Ambos eram filhos do patriarca Isaque e netos de Abraão.

“Temos provas arqueológicas mais que suficientes para concluir que os mineiros que trabalhavam nas minas de Timna não eram humildes escravos, como se supunha. Eles mais provavelmente eram mineiros experientes que supervisionavam o complexo e que coordenavam o trabalho dos aprendizes. Estamos descobrindo cada vez mais evidências de uma sociedade concentrada e hierárquica, que interagia extensivamente com seus vizinhos, o que é corroborado pelos textos da Bíblia e de outras fontes”, explica o doutor Erez Ben-Yosef.

Quanto ao outro achado, as célebres minas que pertenceram ao rei Salomão, os descobridores disseram que o local funcionava como um distrito de produção de cobre, oriundo de milhares de minas e submetido ao processo de fundição em dezenas de locais especializados. As escavações deixaram à mostra vestígios de fornos, roupas, tecidos e cordas, além de restos de alimentos em abundância. A extrema aridez da região contribuiu para a sua conservação através dos séculos. O registro bíblico identifica a região como “Vale do Sal”, devido a sua localização ao sul do Mar Morto, célebre pela alta concentração salina.

O confronto entre ambos os reinos teve um desfecho trágico para os edomitas que perderam na batalha 18 mil homens (2 Samuel 8.16; 1 Reis 11.15; 1 Crônicas 11-13; Salmos 60.9). Mas outras evidências foram identificadas e coletadas pelo doutor Erez Ben-Yosef: caroços de azeitonas e de tâmaras que foram enviadas para a Universidade de Oxford para serem analisadas em laboratórios. Os especialistas garantem que as raridades são do século 10 a.C, período no qual o reino de Israel foi conduzido por Davi e Salomão, respectivamente.

Cientistas afirmam saber o dia exato em que o dia parou

Enquanto os arqueólogos liderados pelo doutor Erez Ben-Yosef desvendavam um dos acontecimentos épicos da Bíblia Sagrada, a equipe multidisciplinar liderada pelo doutor Hezi Yitzhak também divulgou outra grande descoberta no terreno desértico da Palestina. Munidos de informações fornecidas pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) eles concluíram que o fenômeno observado pelos soldados israelitas e cananeus durante a batalha registrada em Josué 10.12-14 foi um eclipse solar. O argumento utilizado pelos três cientistas da Universidade Ben Gurion da cidade de Beer Sheva é que o combate aconteceu no dia 30 de outubro de 1207 a. C. e que no capítulo 10 do Livro de Josué, o general hebreu pediu ajuda a Deus, utilizando as seguintes palavras: “Sol, detém-te em Gibeão, e tu, lua, no vale de Aijalom” (Josué 10.12). Yitzhak afirma que no original o termo ‘detém’ é “down”. Os cientistas sustentam a sua afirmação do eclipse de acordo com os dados fornecidos pela NASA.

Porém, o chefe do setor de Bíblias e Obras Especiais da CPAD, Anderson Grangeão da Costa, aborda de forma técnica e precisa o contexto bíblico analisado pelos cientistas.

“Em hebraico, para a ordem dada ao sol e à lua, usa-sedāmam (v. 12). Para a obediência do sol, repete-sedāmam; e para a obediência da lua, usa-se ‘āmad(v. 13). Luis Alonso Schökel (Dicionário bíblico hebraico-português) assim as define: dāmam– (a) emudecer, calar-se, acalmar-se, guardar silêncio, estar mudo, não abrir a boca; (b) estar quieto, descansar, cessar; ‘āmad – estar, ficar, manter-se em pé; colocar-se, situar-se, parar, cessar, deter-se; resistir; esperar, aguardar; permanecer, conservar-se”.

O apologista acrescentou que “a poesia de 12b admite dois sentidos: calar-se/acalmar-se ou parar/descansar. Então metaforicamente: calar-se/acalmar-se significaria ‘deixar de exercer sua função, ou seja, iluminar’; e parar/descansar significaria ‘não realizar seu movimento ordinário’”. Anderson Grangeão explica que o clamor do general hebreu, provavelmente, atenderia uma das duas necessidades: prolongar a alvorada, no intuito de conservar parte da escuridão de modo a aumentar o clima de confusão dos inimigos no ataque e perseguição (em combinação com o fenômeno das pedras da saraiva, v. 11); ou prolongar o dia, para que a batalha encerrasse antes de anoitecer (com o apoio do v. 13, que mostra o sol “parado” ou no meio do céu).

Mas outras descobertas foram realizadas. No dia 19 de março, a Autoridade de Antiguidades de Israel apresentou dezenas de objetos que datam do século 1. O porta-voz da entidade afirmou que os artefatos ajudam os historiadores compreenderem melhor a vida na época de Jesus Cristo. O porta-voz acrescentou que entre as dezenas de objetos descobertos recentemente na região de Jerusalém e na Galileia (onde Jesus viveu até iniciar seu ministério), segundo a tradição, encontram-se vasos, utensílios de cozinha, restos de lagares para o vinho, ossuários com inscrições em hebraico e pregos das crucificações (um deles cravado em um osso de calcanhar fossilizado).

“Agora, podemos descrever de forma muito precisa a vida cotidiana desta época, desde o nascimento, através dos costumes alimentares e das viagens, até a morte, com os ritos funerários”, explicou à AFP Gideon Avni, diretor da divisão arqueológica da Autoridade de Antiguidades.

Segundo o diretor a Autoridade tem catalogados mais de um milhão de raridades que foram descobertas em escavações, mas anualmente, recebe mais de 40 mil novos artefatos oriundos de 300 lugares.

“Nestes últimos 20 anos, avançamos na compreensão do modo de vida de Jesus e de seus contemporâneos. A cada semana são descobertos novos elementos que permitem conhecer melhor este período. Encontramos em alguns ossuários nomes de personalidades conhecidas graças aos textos desta época”, comentou Avni.

Mas no mesmo dia, a instituição israelense apresentou moedas da época bizantina, há pouco tempo encontradas nas escavações de um edifício que outrora serviu aos peregrinos cristãos, próximo de Jerusalém. Segundo a arqueóloga Annette Landes-Nagar, as moedas remontam os séculos 4 e 7 e foram encontradas pelos arqueólogos em uma parede, o que levou os especialistas a acreditarem que o proprietário teve a intenção de escondê-las.

“Esta descoberta constitui uma prova da invasão persa no fim do período bizantino, que levou ao abandono deste local cristão”, analisou a especialista.

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