Em busca do crescimento espiritual

Em busca do crescimento espiritualTodo cristão verdadeiro precisa ter consciência de que é preciso crescer. Vida cristã é vida de constante progressão e crescimento (Efésios 4.14-16). Crescimento é um dos principais assuntos das Sagradas Escrituras. Desde a primeira página da Bíblia, encontramos este ensino. Deus criou árvores frutíferas que dão fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele; criou a relva e ervas que dão semente segundo a sua espécie. Deus criou animais e aves capazes de reprodução e multiplicação. O comentário após cada estágio da criação foi: “E viu Deus que isso era bom”. A lição é simples, todavia importante: Deus se agrada do crescimento.

O crescimento espiritual inicia-se a partir do momento da conversão. O cristão coloca em desenvolvimento sua vida espiritual até que chegue a estatura de Cristo (Efésios 4.13). Para tal, é necessário abandonar as coisas de menino (1 Coríntios 13.11; Efésios 4.14) e perseguir o crescimento como um ideal cristão (Hebreus 5.14). A este respeito, observemos alguns pontos, os quais veremos a seguir.

Evidências de infantilidade e necessidade de crescimento

1) Quando as orações são sempre as mesmas (Lucas 11.1). No texto de Lucas os discípulos pediram a Jesus para lhes ensinar a orar porque as orações dos judeus eram sempre as mesmas (Mateus 6.7). Na narrativa da oração do fariseu e do publicano, encontramos um perfeito exemplo de orações repetitórias e enfadonhas (Lucas 18.9-14). Quando consideramos o fariseu, vemos uma atitude orgulhosa quando ele se aproxima de Deus. Essa atitude era demonstrada de dois modos diferentes. O fariseu demonstrava sua atitude orgulhosa, primeiro de tudo pela sua postura. Ele estava em pé. Sem dúvida, tinha olhado rapidamente ao redor de si para ter certeza de que alguém estava perto para ouvir como ele era maravilhoso. Não somente estava de pé, mas, como Jesus o descreve: “orava de si para si mesmo”. Ele estava mais preocupado em lembrar-se de suas virtudes, e com aqueles que o ouviam, do que estava em falar com Deus. Esta atitude era também demonstrada pela própria oração. Não havia demonstração de reverência a Deus. Não havia manifestação de humildade. Não havia reconhecimento de sua posição em relação com aquele a quem estava se dirigindo. Não havia petição. A única coisa que vemos na oração do fariseu era uma apresentação convencida, orgulhosa, de suas virtudes em relação com outros. No fariseu vemos o sentimento de que Deus tinha que ouvi-lo e aceitá-lo pelo que ele era e pelo que tinha feito. Sua oração era uma medonha demonstração de hipocrisia.

2) Quando há divisões em nosso meio (1 Coríntios 1.10; 3.1-5). Crianças são propensas a grupinhos, facções. Em escolas, é natural ter diversos grupos dentro da sala de aula.

3) Quando estamos mais interessados em receber do que a dar (Atos 20.35). Crianças adoram ganhar presentes, mas detestam ter de dar ou repartir alguma coisa.

4) Quando não levamos a sério os compromissos. Crianças não têm senso de responsabilidade (Mateus 16.24). Peça a uma criança para lavar o seu carro e veja o que acontece. Temos visto um evangelho superficial vivido por pessoas sem compromisso algum com a verdade. Muitos ainda hoje, estão na igreja, mas não seguem a Jesus de verdade. Estão no meio da multidão, mas não conhecem a Jesus nem tem qualquer aliança com Ele, tampouco possuem compromisso com Ele. Há muitas pessoas hoje, que vivem uma vida rasa, descomprometida, superficial. Têm apenas um verniz, uma casca de piedade, mas nenhuma essência de santidade.

5) Quando há inversões de valores. Crianças adoram espetáculos, a ficção os fascina. Elas crêem em Papai Noel, coelhinhos da páscoa, historinha da cegonha, etc. Crianças não dão valor às coisas certas: trocam uma barra de ouro por uma de chocolate. A inversão de valores na Igreja atual é arrasadora. Muitos crentes preferem o que dá certo em lugar do que é certo. Sua ética é a ética do momento, da conveniência. Muitos estão mais preocupados com resultados do que com a verdade; buscam mais a conveniência pessoal do que fazer o que é certo diante de Deus.

Crescendo em três direções

1) Crescendo para baixo: raízes profundas (Jeremias 17.7,8; Jó 8.17; Salmo 92.12; Colossenses 2.7; Efésios 4.14).

2) Crescendo para cima: comunhão (Salmo 92.12; Efésios 2.6; Hebreus 10.19,20).

3) Crescendo para os lados: frutificação (João 15.8; Lucas 13.6-9).

Como é possível crescer espiritualmente?

Deus está sempre pronto a nos dar o crescimento. Nós cresceremos espiritualmente se fizermos assim:

Desejar crescer (1 Pedro 2.2). A palavra “maduro” significa “cheio”, “completo”, “que atingiu o alvo”, “íntegro”. Assim, entendemos que o cristão maduro é alguém que tem sido enriquecido pelas experiências com Deus, que está alcançando o alvo que o Senhor estabeleceu para si. A verdade é que Deus tinha um propósito para as nossas vidas quando Cristo nos salvou (Filipenses 3.12-18). É impossível alcançar o alvo divino se não apontarmos em direção a ele. Talvez a distância entre nós e o alvo estabelecido por Deus seja grande, mas a distância entre nós e o próximo passo não é tão grande. Nunca alcançaremos o alvo se não dermos o primeiro passo, e depois o segundo, e assim sucessivamente. Alcançaremos a maturidade cristã quando a estabelecermos como prioridade em nossas vidas.

Ingerindo alimento sólido e deixando o leite (1 Coríntios 3.2; Mateus 4.4). A má alimentação atrapalha o crescimento. É preciso ter alimentação equilibrada para não ter crescimento anêmico ou retardado. O cristão que almeja o crescimento tem na Palavra de Deus a fonte de sua alimentação, pois dela emana boa doutrina que sustenta, dando força para sustentação diante das tempestades da vida. Algumas formas de nos alimentarmos solidamente para crescermos fortes são: estudarmos e meditarmos na Bíblia todos os dias (Josué 1.8-9; Salmo 1.1,2); aprendendo de Jesus (Mateus 11.29); aplicando a Palavra na vida e guardando-a no coração (Apocalipse 1.3).

Mortificando as obras da carne (Gálatas 5.24). Não falar palavras torpes (Efésios 4.29); não enganar ninguém (1 Tessalonicenses 4.6); não mentir (Colossenses 3.9); ser fiel na vida matrimonial (Malaquias 2.14,15); manter para com os vizinhos, seus familiares e em seu trabalho, a mesma conduta que tem na igreja; buscar a libertação de todos os males (João 8.32, 36); vestir-se de modo decente, honesto, com pudor e modéstia (1 Timóteo. 2.9,10).

Mantendo com Cristo uma comunhão ininterrupta (João 15.4,5). É de Cristo que vem toda suficiência para o crescimento espiritual. É da videira que vem substância capaz de fortalecer os ramos, para que os mesmos sejam vistosos, fortes e frutíferos.

Esteja crucificado com Cristo (Gálatas 2.20).

Fatos que evidenciam que houve crescimento espiritual

1) Capacidade cada vez maior de evitar o pecado. A criança cai muito, o adulto não (Efésios 4.17-21);

2) Linguajar diferenciado: uma criança pensa, fala e sente como criança (1 Coríntios 13.11);

3) Imunidade progressiva contra heresias e ventos de doutrinas (Efésios 4.14)

4) Superação da carnalidade pelo “despojamento do velho homem” (Efésios 4.22-24);

5) Vida prática pautada pela espiritualidade sob o controle do Espírito Santo (Efésios 4.25-32);

6) Desempenho de ministério na Igreja (Efésios 4.11-13).

O crescimento espiritual é o processo de despertar interno, e de tornar-se consciente do nosso ser interno. Significa o aumento da consciência além da existência ordinária, e o despertar para algumas verdades universais. Significa ir além da mente e do ego, e realizar quem você é realmente.

O crescimento espiritual é o direito de sucessão de todos. É a chave a uma vida de felicidade e de paz de espírito, e a manifestação do poder enorme do espírito interno. Este espírito está igualmente atual dentro da pessoa, a mais materialista, e dentro da pessoa, a mais espiritual.

O nível da manifestação da espiritualidade é dependente de quanto o espírito interno é próximo à superfície, e de quanto é coberto e escondido, por pensamentos, por opinião e por hábitos negativos.

Por, Sérgio Pereira.

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