Oneomania: a compulsão do consumista

Oneomania - a compulsão do consumistaEstamos vivendo em uma era totalmente informatizada, onde as operações em todos os segmentos são regidas pelas leis de consumo. O consumidor, ancorado no ideal de felicidade incorporado no pensamento coletivo pela mídia, acredita que a felicidade é conquistada apenas com a “posse de algo”. Conceitos como “qualidade de vida”, “bem-estar”, “saúde” e “alegria” muitas vezes disfarçam as frustrações pessoais e a incompletude dos desejos humanos. O básico sai de cena, e a corrida hedonista em busca do prazer e da ostentação (1 Timóteo 6.8) ganha impulso cada vez mais relevante no exigente mercado de consumo.

O comportamento de muitos vai sendo moldando pelas exigências sociais, levando cada vez mais vítimas para o abismo do consumo compulsivo. A simples ação de comprar estimula a área Tegmental Ventral (ATV) do cérebro, liberando a dopamina (neurotransmissor que, além de outras funções, fornece a sensação de recompensa). Esta, por sua vez, proporciona um agradável senso de prazer que instiga a mente para outras experiências semelhantes, isto é, para próximas compras. Esse sentimento prazeroso é similar à sensação identificada nos dependentes químicos: prazer imediato e angústia posterior – no caso do consumista, culpa pelo ato.

Quando um comprador não possui controle emocional suficiente, acaba se emaranhando nas seduções do consumismo, seja comprando descontroladamente coisas ou serviços. Esse distúrbio comportamental é identificado como “Oneomania”. Trata-se de um vício comum e presente em muitas pessoas no planeta, porém nem sempre não verificado ou aceito como problema. A frase “É preciso ser feliz” está entrelaçada com a outra, “É preciso consumir”, e para a realização dessa felicidade vale qualquer sacrifício.

“Você precisa ser”, insiste o espírito do consumismo, “e para ser é preciso ter”. É assim que reage o consumidor compulsivo. Essa lógica prende as vítimas nas teias dos cartões de crédito e manipula a mente das pessoas com os comerciais repletos de mensagens subliminares e psicológicas. Uma sucessão de promessas de conforto e facilidades se aliam ao orgulho, à cobiça, à inveja, às frustrações pessoais e, sobretudo, à imprudência, promovendo nas mentes de muitos uma atitude falsa de defesa, que clama: “Se eu fizer ou tiver isto, ficarei feliz”. Essa e outras justificativas vão arrastando suas vítimas pelas ruelas das dívidas, causando um descontrole surreal e uma dependência viciante. Conseguir para estar acima, ter para não ficar abaixo ou simplesmente por uma falta de domínio próprio e descontrole financeiro.

Na obra “The High Price of Materialism” (“O Alto Preço do Materialismo”), o autor argumenta que “quando as pessoas organizam suas vidas em torno de objetos externos, como a aquisição de produtos, elas apresentam mais infelicidade em seus relacionamentos, menos humor e mais problemas psicológicos”. É fato comprovado por estudos que a compra de bens materiais não traz precisamente a felicidade; esta só é proporcionada pelo dinheiro quando se compra “experiências”, a realização de algo superior ao supérfluo, uma verdadeira sensação de bem-estar que perdura e é benéfica.

A cura da oneomania é possível mediante a conscientização do problema. Quando o portador admite sofrer de tal distúrbio comportamental, já consegue um significativo avanço para a eliminação da compulsão, às vezes necessitando de ajuda profissional e do envolvimento de toda a família para uma total remissão do vício. Toda ação leva a uma reação e toda liberdade em consumir leva a uma responsabilidade em pagar o preço.

A prevenção desse vício está na educação familiar. Além de passar lições de economia aos filhos, os pais devem ensinar-lhes o autocontrole emocional e o saber administrar as frustrações da vida. O próprio temperamento é fundamental para formar consumidores conscientes e libertos do consumismo.

A profilaxia para nós, como cristãos, se pauta em se exercitar na temperança e na prudência.

A temperança ou domínio próprio é um traço de caráter gerado pelo Espírito Santo, qualidade específica daquele que não se deixa dominar pelas emoções da carne. Este é moderado e comedido em suas ações (Gálatas 5.22).

A prudência é a virtude que faz prever e evitar as faltas e os perigos (Provérbios 16.16). Obedecendo à Palavra de Deus, não haverá sofrimentos e distúrbios comportamentais procedentes do consumo exagerado de bens materiais: “Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma. Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? (…) Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida (…), nem quanto ao vosso corpo. (…) Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta? Mas buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (1 Coríntios 6.12b; Lucas 14.28; Mateus 6.25,33).

Por, Vânia Nunes Pires.

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