O luto que glorifica a Deus

O luto que glorifica a DeusApesar de ser algo que todos sabem que um dia acontecerá, a morte sempre deixa o ser humano perplexo. É um processo natural da vida, determinado por Deus após a queda do homem: “porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gênesis 3.19). Então, por que sofremos tanto quando, devido à morte, somos separados de um ente querido? Por que a morte nos espanta tanto?

Sabemos que morte é uma consequência do pecado, não estava no projeto inicial do Criador, então o ser humano não foi criado para enfrentar este momento. É com pesar que assistimos todos os dias, nos noticiários ou pessoalmente, filhos chorando por seus pais, cônjuges chorando pela ausência da pessoa amada e a dor dilacerante de pais que, contrariando a ordem natural da vida, enterram seus filhos. Para os que ficam resta a saudade e o luto. Mas como a família deve viver este período, que é tão natural quanto à própria vida?

Muitos acreditam que o cristão não deve viver este momento de luto e lágrimas, pois caracteriza “falta de fé”. Porém, este é um pensamento equivocado, que traz ainda mais sofrimento àqueles que choram por um ente querido. Não podemos agir assim. Mesmo cristãos, somos humanos! O próprio Senhor Jesus Cristo chorou a morte de seu amigo (João 11.35).

Podemos ficar e devemos viver esse período de dor e sofrimento do luto; faz parte da vida daqueles que ficam. Emocional, espiritual e psicologicamente não é saudável reprimir essas emoções. A própria Palavra de Deus nos orienta que “TUDO tem seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar.” (Eclesiastes 3.1-4) Portanto, não é sábio para o ser humano evitar, negar ou reprimir quaisquer destes momentos comuns à humanidade. Mas há como viver cada um deles de forma que glorifique a Deus.

A Bíblia nos afirma que “quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31). O Senhor deve ser glorificado em todos os momentos na vida do cristão. Na alegria, como em um casamento ou nascimento de um novo membro da família, assim como também em momentos de dor.

Mas como glorificar ao Senhor com o nosso luto? Escrevendo a igreja de Tessalônica, o apóstolo Paulo exortou os irmãos da seguinte maneira: “Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança” (1 Tessalonicenses 4.13). Para um luto que glorifique a Deus, deve ter como base a seguinte palavra: “Esperança”.

A esperança que temos em Deus deve dominar nossos pensamentos em momentos como esse. Por mais difícil que possa parecer, podemos e devemos escolher no que pensar. As Sagradas Escrituras nos aconselham da seguinte forma: “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra.” (Colossenses 3.1-2). Então, o que devemos pensar para que nosso coração se encha de esperança e nosso luto glorifique a Deus?

Se o seu ente querido servia a Jesus, mesmo que viva seu momento de dor, despedida e saudade, traga a memória não só o que a morte dele representa para você, mas pense em tudo aquilo que ele ganhou. Ele deixou este mundo de dores, angústias e aflições e agora está em completa paz. Pense que aquilo que nós estamos lutando para alcançar, ele já alcançou, foi por este motivo que o apóstolo Paulo declarou que tinha o “desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Filipenses 1 .23).

Agora seu ente querido está definitivamente livre do julgo do pecado, sendo dotado de uma perfeição moral inalcançável neste mundo, está na companhia de todos os santos de todas as épocas e principalmente está na companhia de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, desfrutando do descanso prometido. Portanto, encha o seu coração com a esperança de um dia reencontrar a pessoa que partiu, sabendo que da mesma maneira que, em Cristo, ele venceu a morte, nós também um dia iremos vencer. Não importa se por ocasião da volta de Cristo e nós formos arrebatados, ou se este glorioso dia vier após a nossa morte, o que importa é que um dia todos nós estaremos juntos louvando ao Rei que nos amou e salvou (1 Tessalonicenses 4.16,17).

Se a pessoa que partiu tinha uma idade avançada, por mais dolorosa que possa ser a separação foi um processo natural da vida: nascemos, crescemos e morremos. Mas, se foi uma morte prematura, saiba que Deus tem todas as coisas em seu controle. O Mestre nos ensinou que até mesmo os cabelos de nossa cabeça estão contados (Lucas 12.7). Acalme seu coração e busque a Deus. O sábio Salomão refletiu e percebeu que “é melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos; e os vivos devem levar isso a sério! A tristeza é melhor do que o riso, porque o rosto triste melhora o coração. O coração do sábio está na casa onde há luto, mas o dos tolos, na casa da alegria” (Eclesiastes 7.2-4).

Na dependência do consolo e aprendizado sobre a brevidade da vida, no Senhor, muitas pessoas têm sua fé fortalecida e ganham mais intimidade com o Criador após vivenciarem uma situação de perda. Lembre-se de Jó, e veja toda a sua dor narrada de forma profunda no livro bíblico que leva seu nome. Como não se emocionar com o lamento daquele homem de Deus?

Como pai, creio que a maior dor pela qual o patriarca passou não foi a de seus bens materiais e nem mesmo de sua saúde, mas o fato de no mesmo dia ter enterrado todos os seus dez filhos. Porém, somente após ter sofrido tamanha aflição foi que ele viu a glória de Deus. Foi após o seu sofrimento que o patriarca passou a ter uma maior intimidade com Deus levando-o até mesmo a confessar diante do Senhor: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram” (Jó 42.5).

Por, Sérgio de Moura Sodré.

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