Há pecados que são pequenos e pecados grandes?

Em Êxodo 32.31, Moisés se referiu ao pecado de Israel como “grande pecado”. Minha dúvida é a seguinte: existe “pecadinho” e “pecadão”?

Há pecados que são pequenos e pecados grandesO texto em apreço registra a intercessão de Moisés em favor dos israelitas. O legislador pediu perdão pela idolatria cometida pelo povo (Êxodo 32.30-32). Moisés esteve no monte por 40 dias e 40 noites (Êxodo 24.18; 31.18) recebendo a Lei, instruções para o culto e as tábuas com os dez mandamentos. Nesse intervalo, os israelitas se corromperam adorando um bezerro de ouro (Êxodo 32.4). Arão, o vice-líder cedeu às pressões do povo, promoveu a idolatria (Êxodo 32.1-4) e se tornou sacerdote de um falso culto (Êxodo 32.5-6). Ao se deparar com tamanha estupidez, Moisés reagiu com indignação: quebrou as tábuas da lei, dando a entender que o pacto com Deus tinha sido rompido; reduziu o ídolo ao pó e o misturou na água para o povo beber, fazendo os pecadores provarem da própria iniquidade (Êxodo 32.19-20). Em seguida, repreendeu o insensato Arão: “Que te tem feito este povo, que sobre ele trouxeste tamanho pecado?” (Êxodo 32.21).

É a partir desta reprimenda que podemos entender os termos usados por Moisés ao referir-se a idolatria como “tamanho pecado” (Êxodo 32.21) e “grande pecado” (Êxodo 32.30,31). Moisés estava preocupado com a severidade das consequências que Israel sofreria. Quando Arão construiu o bezerro, ele disse ao povo: “Este é teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito”(Êxodo 32.4). Esse desvario levou o povo ao ultraje dos dois primeiros mandamentos das tábuas da Lei: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito […] Não farás para ti imagem de escultura”(Êxodo 20.2-4). Moisés estava consciente da gravidade da situação, ele sabia qual seria o juízo divino para a idolatria: “porque eu […] sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam” (Êxodo 20.5). Assim, diante do exposto, percebe-se que Moisés dimensiona a idolatria como “grande pecado” em vista do nefasto resultado na vida de quem a pratica.

Quanto à violação dos mandamentos, a Bíblia ensina que todo e qualquer pecado torna o homem culpado diante de Deus (Tiago 2.10,11), mas ressalvado que todos os pecados são igualmente ofensivos ao Senhor (Romanos 3.23; 6.23), as consequências que resultam no dia-a-dia diferem entre si. Por exemplo, se alguém cobiçar, comete pecado. Mas se a cobiça induzir o homem a roubar, o pecado é agravado, e se matar alguém para roubar, o pecado é ainda mais grave. Sendo a cobiça, o roubo e o assassinato igualmente pecados, todos os que o praticam estão condenados por Deus, caso não se arrependam de suas práticas (Êxodo 20.13, 15, 17). Então, onde está a maior ou menor gravidade? Nos prejuízos que resultarão de tais atos tanto para si como para os outros. O salmista Davi assevera que “um abismo chama outro abismo” (Salmos 42.7) Portanto, no aspecto da ofensa ao Senhor, todo o pecado é pecado, e por isso, todos precisam arrepender-se para que os pecados sejam apagados (Atos 3.19). Porém, sob o aspecto das consequências, Moisés ensina que existem níveis de gravidade. A respeito disto, o Novo Testamento explica que existe pecado sem perdão (Mateus 12.31) e ainda que alguns pecados são para morte e outros não (1 João 5.16,17).

Por, Douglas Roberto de Almeida Baptista.

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