Hebraico é alfabeto mais antigo

Hebraico é alfabeto mais antigoO arqueólogo e especialista em epígrafes Douglas Petrovich, da Universidade Wilfrid Laurier, no Canadá, divulgou o resultado de uma pesquisa na revista científica Science News que mostra o hebraico como sendo o alfabeto mais antigo do mundo, inscrito em tábuas de pedra espalhadas em diversos locais do antigo país dos faraós. Segundo o estudo, os hebreus que moravam no Egito trabalharam de modo a transformar os hieróglifos dos habitantes em um protohebraico, mais de 3,8 mil anos atrás. Esse relato corrobora as passagens bíblicas que descrevem os israelitas como moradores do Egito. Petrovich afirma ser uma forma primitiva de hebraico. O que se pode compreender é que os antigos hebreus estudavam uma forma de se comunicar com seus irmãos e, para alcançar esse objetivo, condensaram o intrincado sistema de escrita hieroglífica dos egípcios. Eles estabeleceram as 22 letras que formariam um alfabeto. Essa é a tese apresentada pelo especialista no final de 2016, e que faz parte do livro The World’s Oldest Alphabet (“O Alfabeto Mais Antigo do Mundo”), que detalha as suas descobertas.

A escrita e suas origens nos variados locais do planeta – incluindo a do alfabeto esculpido nas lajes egípcias – têm sido objeto de acalorados debates há tempos. “Há uma conexão entre os textos egípcios e os alfabetos mais antigos preservados”, disse Petrovich. Porém, antes disso, em 1920, um especialista alemão já havia identificado semelhanças do hebraico com a antiga escrita egípcia, porém muitas letras desse alfabeto permaneceram indecifráveis, resultando em a uma tradução inverossímil e rejeitadas pelos especialistas.

A “grande chance” de Petrovich veio em janeiro de 2012. Naquele momento, o arqueólogo realizava pesquisas no Museu Egípcio no Cairo quando acabou por encontrar a palavra “Hebreus” em um texto de 1874 a.C. O cientista afirma que o material continha a letra alfabética mais antiga conhecida pelos acadêmicos. Entrementes, a Bíblia Sagrada revela que a permanência dos israelitas no Egito foi de 434 anos, entre 1876 e 1442 a.C. Mas a comunidade científica costuma oferecer resistência para aceitar a realidade do contexto bíblico. Muitos cientistas afirmam que as datas bíblicas em torno desse fato histórico “não são confiáveis”. A descoberta de uma antiga laje de pedra trouxe à luz inscrições que foram identificadas como hebraico e traduzidas. Os cientistas indicaram um desenho das inscrições na laje que mostra as letras hebraicas antigas ao lado das correspondentes letras hebraicas modernas (verde). O texto diz: “O que foi elevado está cansado de esquecer”. Na parte superior lê-se: “O superintendente de minerais, Ahisemach”.

Douglas Petrovich utilizou como estratégia as combinações de letras ou identificações anteriores do alfabeto antigo e as comparou com suas próprias identificações de letras que constituiriam o protohebraico. Municiado com informações desse alfabeto incipiente, Petrovich conseguiu traduzir 18 inscrições de três locais diferentes no Egito.

O arqueólogo também pôde identificar o nome de diversos personagens bíblicos nas inscrições traduzidas: Yossef (José), que se tornaria uma poderosa figura política no Egito; Asenath (Azenate), a esposa de José e o seu filho Manasseh (Manassés), que daria origem a uma das tribos de Israel. O cientista afirma que até Moshe (Moisés), que libertou os israelitas da escravidão egípcia, também é mencionado.

Outra inscrição, datada de 1834 a.C., diz: “O vinho é mais abundante do que a luz do dia, do que o padeiro, do que um nobre”. A declaração dava conta de que, naquela época ou pouco antes, a bebida era abundante. Petrovich comenta que a data estava de acordo com o período que a família de José migrou para o Egito. No país dos faraós, havia fartura enquanto Canaã encontrava-se devastada pela fome (Gênesis 41.57).

Enquanto os arqueólogos se debruçam para decifrar enigmas do idioma semita, o governo de Israel mobilizou-se para dar início a uma expedição de três anos com o objetivo de procurar mais Rolos do Mar Morto e outras antiguidades no deserto da Judeia. Desde 1993 não se ouve falar de um levantamento em larga escala a fim de conseguir artefatos antigos naquela área. A busca teve início em dezembro de 2016. Os arqueólogos disseram que o projeto inclui as centenas de cavernas no deserto próximo ao Mar Morto, local onde um grupo de pastores de cabras encontrou os manuscritos bíblicos mais antigos do mundo. O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vai cobrir os custos da iniciativa. O premiê sempre defendeu a conexão das Sagradas Escrituras com o destino do povo hebreu.

O governo de Israel tem sérios motivos para investir na busca de artefatos antigos em seu território. Em primeiro lugar, por causa dos contrabandistas de antiguidades que encontraram manuscritos na área nos últimos anos, sem contar que a Autoridade Palestina pediu à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) que não reconheça a posse do governo israelense dos Pergaminhos do Mar Morto; os palestinos argumentam que as cavernas onde os artefatos foram encontrados estão no território considerado deles.

Amir Ganor, da Autoridade das Antiguidades de Israel (AAI) argumentou que os manuscritos foram descobertos em 1947 nas cavernas de Qumran e que passaram a ser chamados Pergaminhos ou Manuscritos; o antigo material foi preservado durante séculos graças às condições climáticas únicas do Mar Morto. Os pergaminhos são considerados pelos arqueólogos a “joia da coroa” das antiguidades israelitas. Apesar disso, o governo israelense ainda não sabe responder se terão problemas por investigar na área da Cisjordânia. Amir Ganor acrescentou que durante a expedição os arqueólogos vão trabalhar como objetivo de encontrar outras antiguidades. “Sabemos que existem mais”, insiste.

Os Pergaminhos do Mar Morto foram preservados pelos antigos essênios, grupo judaico que desprezava os valores da vida mundana e se dedicava à caridade. Esses escritos registram amplos trechos do Antigo Testamento e textos apócrifos, e registros de suas práticas, crenças e hábitos. Os historiadores afirmam que os essênios surgiram 200 anos antes de Cristo e desapareceram no ano 70 d.C. quando o general romano Tito comandou seu exército na conquista de Jerusalém.

Antes do aniquilamento, esse grupo de religiosos judeus mobilizou-se para preservar os pergaminhos, e a sua iniciativa contribuiu na manutenção da história antiga ao esconderemos escritos dentro de potes espalhados por 11 cavernas próximas ao Mar Morto, no deserto da Judeia. Hoje em dia é possível visualizar uma grande parte dos pergaminhos na internet.

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