Jope e Tel Aviv: sinal de paz no Oriente Médio

Jope e Tel Aviv - sinal de paz no Oriente MédioA independência de Israel em 14 de maio de 1948 levou-o à guerra com seus vizinhos, 24 horas após o país tornar-se nação independente. Os vizinhos eram Egito, Iraque, Líbano e Síria, que formavam a Liga Árabe. A guerra durou oito meses. Vitorioso, Israel ocupou a Palestina e o deserto do Neguev, acrescentando 70% ao seu território. Naquela ocasião Jerusalém era habitada por 105 mil árabes e 100 mil judeus, ficando, por essa razão, dividida entre jordanianos e israelenses. Em face desta divisão, Israel instituiu Tel Aviv como sua capital, o que durou até 1967, e incorporou os territórios a oeste do rio Jordão. A Faixa de Gaza, com 40 quilômetros de comprimento e oito quilômetros de largura, ficou com o Egito. A partir desta primeira guerra, criou-se um dos mais difíceis problemas para a paz no Oriente Médio, pois os árabes recusaram-se a aceitar a partilha da Palestina, determinada pela ONU.

Oito anos depois (outubro de 1956), o presidente do Egito, Coronel Gamal Abdel Nasser, nacionaliza o canal do Suez, provoca o fechamento do porto israelense de Eilat, corta o acesso de Israel ao Mar Vermelho e inviabiliza os projetos israelenses de irrigação do Neguev. Israel declara guerra ao Egito, conquista a península do Sinai, reabre o porto de Eilat e controla o golfo de Ácaba. A ONU intervém, coloca uma tropa na faixa de Gaza e ordena o retorno de Israel às fronteiras de 1949. O Brasil colaborou com a decisão da ONU, enviando um batalhão para compor aquela Força de Paz: Batalhão Suez.

Seguem-se a esses episódios a Guerra dos Seis Dias (1967), a criação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e do grupo político-militar palestino Al Fatah. Entretanto, queremos comentar a existência de duas cidades gêmeas em Israel, Jope e Tel Aviv, onde árabes e israelenses convivem harmoniosamente em meio ao tumulto daquela região. Tendo a Bíblia como pano de fundo, faremos uma breve incursão a ambas.

Situada na costa mediterrânea de Israel, Jaffa significa “bela”. Para judeus, é Yaffo, para cristãos, Jope. A cidade tem mais de quatro mil anos. Pelo seu porto, Hirão, rei de Tiro, proveu toda a madeira para o templo de Salomão (2 Crônicas 2.15,16). De lá o profeta Jonas saiu fugido: Deus o enviara a Nínive e ele tomou um navio para Társis. Forte temporal se abateu e só cessou quando Jonas foi lançado ao mar pelos marinheiros. Um grande peixe engoliu-o e vomitou-o três dias depois na praia de Nínive, onde pregou o arrependimento, salvando a cidade. Há em Jope uma praça onde um peixe, com ar bonachão, parece dizer: “Eu ajudei a salvar Nínive!”

Em Jope viveu e morreu Tabita, a benfeitora que ressuscitou pela oração de Pedro (Atos 9.36-40). Lá morou Simão, em cuja casa Pedro teve a visão do lençol, que o fez entender a salvação dos gentios (Atos 10.5-16).

Napoleão conquistou Jope em 1799 e, para lembrar a conquista, existem lá estátuas de soldados napoleônicos fardados. Visitar Jope é conhecer a História de Israel, da Igreja Primitiva e das guerras coloniais contemporâneas. Jope é gêmea de Tel Aviv, primeira capital do Estado Judeu após sua instalação em 1948, que em seguida vamos visitar.

Quando Israel foi restaurado em 1948, Jerusalém se encontrava dividida entre judeus e árabes. Tel Aviv tornou-se capital do novo Estado Judeu, até que Jerusalém voltou a ser capital, em 1967. A cidade é um exemplo da obstinação judaica. Em 1909, 60 famílias compraram as dunas vizinhas de Jope, onde os árabes eram maioria, o que provocava mal-entendidos. Os judeus formaram seu próprio bairro, que cresceu rápida e desordenadamente. Muitos acorreram à cidade, na expectativa do renascimento de Israel.

Na década de 1930 os nazistas fecharam a célebre escola alemã de arquitetura Bauhaus, o melhor da arquitetura da época, em cujos quadros havia muitos judeus. A escola influenciara fortemente o arquiteto suíço Le Corbusier, de quem foram discípulos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Para enfrentar os problemas urbanísticos, Tel Aviv acolheu os arquitetos da Bauhaus, delegando-lhes a solução daqueles problemas. Poetas, escritores, músicos, pintores se mudaram para lá, dando à cidade um ar de metrópole europeia. Universidade, teatros, museus, clubes, cafés e intenso intercâmbio cultural implantaram definitivamente a língua hebraica como idioma oficial de Israel. Formou-se ali uma grande e bem ordenada concentração urbana e a cidade foi escolhida pela UNESCO como patrimônio da humanidade. O intenso calor fez com que o branco predominasse em seus edifícios, o que lhe valeu o título de cidade branca.

Tel Aviv é o maior centro financeiro, cultural e desportivo do Oriente Médio. Abriga, entre outras instituições, uma grande universidade e o Museu da Bíblia, onde estão guardados os famosos manuscritos de Qumram, ou do Mar Morto, as mais antigas cópias do livro de Isaías. Em 1932 as Macabíadas (Olimpíadas judaicas) foram disputadas em seu estádio, o primeiro construído em Israel desde os tempos da dominação romana. Visitar Tel Aviv desperta grande respeito pelo que o povo judeu realizou nesta grande e bela metrópole. Tel Aviv e Jope formam uma só cidade, conhecida como Tel Aviv-Yaffo. Árabes e judeus convivem harmoniosamente, demonstrando que pode, sim, haver paz no Oriente Médio.

Por, Paulo Ferreira.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *