O jumento, o leão, o lobo e o ramo

O jumento, o leão, o lobo e o ramoCumprindo fielmente a tarefa da qual fora incumbido, Josué repartiu entre as tribos de Israel as terras legadas por Deus. A ordem (Josué 1.6) era que o povo herdasse a terra, ou seja, que a subjugasse e a distribuísse. Para tudo o que faltasse no processo de dar continuidade às conquistas os israelitas contariam com a promessa do Senhor de que lançaria de diante deles todos os habitantes locais. As tribos de Judá, Efraim e uma das metades da tribo de Manassés receberam os termos concedidos por Jacó 450 anos antes (Gênesis 48.22) e as demais receberam as partes que lhes foram determinadas através de sorteio, exceção feita à tribo de Levi, cuja porção é o Senhor. Como recompensa e por ordem divina, foi atribuída ao líder uma propriedade localizada ao norte do Monte Gaás, conforme registrado em Josué 19.49-50: “Quando tinham acabado de repartir a terra em herança segundo as fronteiras dos mesmos, os filhos de Israel deram uma herança a Josué, filho de Nun, no meio deles; de acordo com a ordem do Senhor lhe deram a cidade que pediu, Timnat Sêrah, na região montanhosa de Efraim; e edificou a cidade, e habitou nela”.

“Timnat Sêrah”, em hebraico, significa “porção extra” ou “porção da abundância”. Segundo a Septuaginta, lá foram colocadas as facas de pedra com as quais foram circuncidados os filhos de Israel. A tradição também aponta o local como sendo o descanso dos corpos de Josué e de Caleb. No livro de Juízes, a cidade recebe o nome de “Timnat Heres”, numa alteração linguística que evoca a comemoração do milagre do sol, parado por Deus em atenção ao seu valente conquistador.

O reduto arqueológico, por sua importância, vale uma visita à Cisjordânia, ocasião em que o turista contemplará os termos designados pelo Senhor para possessão das tribos de Issacar, Judá, Benjamin e José, esse último repartido entre seus filhos, Efraim e Manassés.

Issacar foi chamado por seu pai de “jumento de fortes ossos”. Nascido em Padã-Arã, em casa de Labão, foi tido por Léa como uma recompensa, um galardão de Deus. A tribo ficou localizada numa região fértil, sempre propensa a invasões inimigas. Nela ficam o vale de Esdrelom (Jezreel) e os montes Gilboa. Para viver uma vida confortável, os membros da tribo, por vezes, preferiram pagar tributo a inimigos, ocupantes da terra, a lutar por ela ou deixa-la. Daí a palavra “hamor”, jumento, designando a postura mansa do animal forte que se submete a um pesado jugo, para poder ficar livre e desfrutar de sossego.

A partilha concedeu a Judá, o quarto filho de Jacó e Léa, mais do que terras, uma inegável liderança. Era o pavilhão de Judá o primeiro a erguer-se quando as tribos caminhavam no deserto, indo à frente, portando a figura do leão, animal com o qual seu pai o comparou. O leãozinho dos primeiros dias tornou-se o leão adulto no reinado de David e, segundo a bênção espiritual recebida, manifestou-se em Leão glorioso na pessoa de Jesus – Ele antecipa-se na caminhada daqueles que são salvos, dos quais é primogênito e guia. Jacó, pois, abençoou o filho de cuja descendência sairia Aquele que, posteriormente, abençoaria todo Israel e todas as famílias da terra. A prosperidade material é manifesta na abundância de suas colinas, que ficarão repletas de vinhas com uvas vermelhas. Seus campos parecerão brancos por causa da abundância do cereal e das ovelhas, de cujo leite se fartará. Cetro, vitória sobre os inimigos, abundância, povos à volta e, o mais importante – Siloh – ou seja, “o possuidor”, “aquele a quem pertence”, significando o dono legítimo tanto do cetro de Judá como de todos os demais poderes e governos da Terra, tais são as bênçãos de Judá.

Benjamin, o “filho da minha mão direita”, último filho do patriarca e filho da dor de Raquel herdou um território que tem Efraim ao Norte e Judá ao sul. Suas terras, embora pequenas e montanhosas, são férteis e incluem cidades importantes como Jerusalém, Jericó, Betel, Gibeon e Mispá, entre muitas outras. A tradição rabínica atribui a construção do Templo em Jerusalém ao fato de que Benjamin tenha sido o único dentre os filhos de Jacó a não participar da venda de José. Assim o Senhor teria decidido repousar em seus termos (Beit HaMikdash). Forte como um lobo que despedaça a presa, assim foi abençoada a tribo que cedeu terras para que nelas se erguesse uma casa para a glória da divindade.

José, o “ramo frutífero”, também encontrou herança naquela região. Filho sábio, amoroso e perdoador, José recebeu uma terra abençoada com o orvalho dos céus e irrigada pelas águas da terra. Além disso, a bênção de seu pai incluía a fertilidade dos animais e dos homens. A ele foram designadas bênçãos maiores do que as reservadas a Abraão e a Isaac. José, embora amargurado e odiado, resistiu ao pecado, perdoou e venceu. Seus filhos tornaram-se patriarcas de duas tribos e seu filho Efraim, tornado primogênito, recebeu a maior porção do que se chamou, posteriormente, Reino do Norte. C. F. Pfeiffer (1984) declara que a linguagem usada por Jacó “indica que a abundância dos frutos provenientes de José ultrapassaria as fronteiras de Israel, sendo assim compartilhados com o mundo. Sendo José um ‘tipo de Cristo’ este versículo [Gênesis 49.22] pode ser visto como uma figura do futuro Reino Milenar de Jesus Cristo, quando então o ‘verdadeiro José’ estará reinando sobre a nação de Israel ultrapassando suas fronteiras para reinar sobre todo o mundo”.

Contemplar Timnat Sêrah, estender os olhos aos seus arredores, lembrar o dedicado trabalho de Josué desde o seu lugar de descanso, mesmo que apenas através destas linhas, deve alegrar o coração daqueles que creem que as promessas de Deus são imutáveis e irrevogáveis. O Possuidor determinou os termos onde pastarão o jumento, o leão e o lobo, e onde frutificará o mais abundante dos ramos. Num tempo distante, quando nem mesmo as nações estavam formadas, muito menos organismos supranacionais como a ONU e outros onde são reunidos os representantes das coroas da Terra, repito, num tempo distante, quando o próprio Deus visitou os patriarcas e lhes fez promessas tais coisas foram estabelecidas. Enquanto durarem os céus, a lua e as estrelas, que contemplaram o pacto então firmado, elas permanecerão. O decreto de alguns e a omissão de outros não têm poder para invalidá-las. A Terra pertence a Deus.

Por, Sara Alice Cavalcanti.

Uma resposta para O jumento, o leão, o lobo e o ramo

  1. Meyre Santos disse:

    Doutora Sara Cavalcanti, a Shalom de nosso Senhor e Rei Yeshua cubra de bençãos sua vida. A senhora tem sido para mim uma inspiração. Gostaria de ser uma discípula sua, direta. Tenho dito a mim mesma, quero ser como Sara Cavalcanti daqui a uns dez anos e para isso tenho que voltar para uma sala de aula.Que sorte e felicidade tem aqueles que podem conviver com a senhora e receber tantas bençãos através de sua fé, amor e sabedoria!Vejo seus vídeos e fica estarrecida com esse carinho que tens ao se relacionar com O TODO PODEROSO e com Israel. Sou mineira do Interior e meus antepassados tem tradições e sobrenomes que indicam a possibilidade de eu ser descendente dos judeus. Mas eu não tenho hoje como buscar minhas raízes e estou entregando isso nas mãos do senhor. Por hora só sei dizer que qualquer coisa que se refere a este povo e a Terra de Israel; seja livros, filmes, histórias e especialmente as escrituras mexem com minhas estruturas de maneira tal que minha cota de lagrimas já devem ter sido esgotadas lá em cima! Tenho tido contato com as raízes judaicas da fé há pelo menos dois anos e meio. E latente em meu coração o desejo de me aprofundar nos termos hebraicos e judaicos das escrituras, pois creio sinceramente ser um caminho no qual as igrejas de Cristo vivenciarão nestes últimos dias, UM RETORNO A JERUSALÉM e um amor por todo israel. Tenho acompanhado pela internet o Ministério Ensinando de Sião de Belo Horizonte e lá tenho aprendido muito. Moro em São José dos Campos e atualmente congrego em uma igreja Batista mas até pouco tempo congregávamos em casa, eu, meu marido e minhas tres crianças. Mas, confesso que depois de me aprofundar nas raízes judaicas da fé, enfrento dificuldade de adaptação na igreja devido ao antissemitismo que ainda ´persiste em certos momentos das aulas e sermões. Na verdade isto tem roubado minha paz. Gostaria muito de ter um contato e me aconselhar contigo. Aguardo na fé d’Aquele que é poderoso para mais que pedimos e pensamos.

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