Evangélicos são 29% da população

Pesquisa indica preocupante perfil mais liberal da nova geração evangélica

Evangélicos são 29% da populaçãoO crescimento dos evangélicos no Brasil, que teve tido um acentuado avanço desde a última década do século 20, continua intenso. De acordo com um levantamento realizado em todo o país pelo Instituto Datafolha, os evangélicos no Brasil representariam hoje 29% da população, sete pontos percentuais a mais do que o divulgado pelo Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso representa um crescimento de 30% em sete anos.

A pesquisa, divulgada no final da última de semana de 2016, mostra também que entre outubro de 2014 a dezembro de 2016, paralelamente ao crescimento evangélico, o número de católicos foi reduzido em pelo menos 9 milhões de fiéis. Isso significa que 6% dos brasileiros com idade maior que 16 anos deixou de ser católico nos últimos dois anos e dois meses.

O levantamento do instituto realizado em 2014 mostrava que 60% da população brasileira era católica – 5% a menos que o registrado pelo IBGE em 2010. Hoje, os seguidores da igreja católica romana somariam 50% do total.

Nos últimos dois anos, o número de pessoas que dizem não seguir nenhuma religião passou de 6% para 14%. No entanto, o professor de sociologia Reginaldo Prandi, docente da Universidade de São Paulo, afirma que isso não significa que todos esses se tornaram ateus. “Pode não ter religião hoje e ter amanhã. A gente que ficou muito ao sabor da época da vida, dos compromissos que se quer assumir”, afirma o sociólogo em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo.

A matéria repercutiu dados do Centro Global de Estudos da Cristandade (CGEC), que mostram que, ao redor do mundo, os católicos crescem a taxas maiores que a população como um todo, mas em quantidades menores que os evangélicos, num movimento oposto aos dos não-religiosos, que crescem a taxas menores do que o número de pessoas que nascem a cada ano.

Segundo levantamento do CGEC, o ritmo de crescimento da população total é 1,21% ao ano; o de católicos, 1,28%; o de evangélicos, 2,12%; e especialmente o de pentecostais, 2,20%. As religiões independentes se expandem a taxas de 2,21%, chegando a 2,94% na Ásia. Já os sem-religião crescem 0,31% por ano, os agnósticos, 0,36%, e os ateus, 0,05%. No Brasil, a redução percentual de católicos não é exatamente correspondente ao crescimento dos evangélicos, mas, de acordo com informações do Pew Research, que se dedica a estudar os fenômenos sociais ligados à religião, metade dos brasileiros protestantes têm origem na Igreja Católica, onde foram criados.

Mesmo com todo o crescimento dos evangélicos, na Região Sudeste do Brasil, houve redução no percentual de pessoas que se dizem ligados a igrejas evangélicas. Em agosto de 2006, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, os evangélicos somavam 51% da população, e hoje, são 43%, um recuo de oito pontos percentuais.

Vistos como versáteis e adaptados ao mundo moderno, os evangélicos foram definidos pelo filósofo Luiz Felipe Pondé, da PUC-SP, como “livres da rigidez, da centralização decisória e da gestão esclerosada da Igreja Católica”. Segundo ele, os evangélicos “se movimentam rapidamente para atender às necessidades do seu público”. Em seu depoimento ao jornal Folha de São Paulo, Pondé lembra da quantidade de igrejas evangélicas nascidas em pequenos locais como garagens e terraços de casas.

Perfil da “nova geração” de evangélicos no país

Nessa mesma pesquisa feita pelo Instituto Datafolha, foi revelado como seria o perfil da nova geração de evangélicos que hoje chega a ocupar metade dos bancos das igrejas. Temas como aborto, “casamento” gay, adoção de filhos por homossexuais, bebida e outros valores foram pesquisados, e os resultados foram publicados na última semana de dezembro último no jornal Folha de São Paulo. Os dados mostram a nova geração mais liberal em tudo, exceto na questão do aborto.

A pesquisa revela que mais de 70% dos evangélicos até 35 anos são contrários ao aborto. Já entre os que possuem mais de 60 anos, esse número cai para 54%. Os dados, ao que parece, são confirmados também por outro levantamento, feito pelo Paraná Pesquisas, mostrando que 73,7% são contra o aborto, sendo 78,2%das mulheres contra 68,7% dos homens, segundo matéria publicada no site da revista Veja.

Em relação ao “casamento” gay, o Instituto Datafolha afirma que 56% dos jovens evangélicos são contrários, contra 28% a favor. O número dos favoráveis cai ainda mais conforme aumenta a idade. Entre os que possuem de 30 a 35 anos, são 14% os que aprovam, restando apenas 5% de favoráveis para os que têm acima de 60 anos.

Sobre alguns aspectos do estilo de vida comum dos não evangélicos, como o hábito de ingerir bebidas alcoólicas, a pesquisa do Instituto Datafolha revelou que de cada 10 evangélicos menores de 24 anos, 4 não conseguem seguir completamente a orientação bíblica dada por suas igrejas para não beber. Esse número cai pela metade nos que possuem mais de 60 anos. Ou seja, 40% dos jovens evangélicos com menos de 24 anos bebem, contra apenas 20% dos evangélicos maiores de 60 anos.

Ainda segundo a pesquisa, 43% dos jovens evangélicos levam em consideração conteúdos da TV e da internet considerados impróprios (ou seja, 57% não) e apenas um terço (33%) se preocupa com as recomendações doutrinárias sobre o estilo das roupas que usam no dia-a-dia (67% não se preocupa).

O Instituto Datafolha ouviu 2.828 brasileiros, maiores de 16 anos, em 174 municípios. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *