Um cristão é morto por causa da sua fé a cada seis minutos no mundo

Apesar de ter havido uma queda de 105 mil para 90 mil cristãos martirizados no mundo de 2014 para 2016, número ainda é impressionante

Um cristão é morto por causa da sua fé a cada seis minutos no mundoSegundo estimativa do Center for Study of Global Christianity, divulgada em janeiro, 90 mil cristãos – evangélicos, católicos e ortodoxos – foram mortos no ano de 2016 por causa de sua fé. Isso significa que um cristão é assassinado por causa da sua fé a cada seis minutos no mundo. Os dados da instituição são menores do que de dois anos atrás, quando o número chegou a 105 mil. Segundo informações, 70% destes cristãos mortos em 2016 foram assassinados em conflitos no continente africano. A maior parte do restante abrange mortes por ataques terroristas, na destruição de povoados com moradores cristãos por grupos radicais anticristãos e também por ataques de governos, como o da Coreia do Norte. Além disso, se estima que em todo o mundo mais de 500 milhões de cristãos não professam livremente a sua fé.

Massimo Introvigne, diretor do Centro de Estudos de Novas Religiões e coordenador do Observatório da Liberdade Religiosa do Ministério das relações Exteriores da Itália, falou acerca da falta de liberdade religiosa hoje no mundo. “Sem querer esquecer ou diminuir os sofrimentos dos membros de outras religiões, os cristãos são o grupo religioso mais perseguido no mundo”.

“Confrontando as estatísticas de pelo menos três diferentes centros de pesquisa dos Estados Unidos, e também do meu, o Censur, e comparando os dados de 102 diferentes países, as estimativas variam entre 500 a 600 milhões de cristãos que não podem professar a própria fé de modo totalmente livre”, disse Introvigne.

Os dados dos institutos de pesquisa, no entanto, não são consenso com relação à quantidade. Segundo o diretor, apesar do Center for Study of Global Christianity basear-se na quantidade de 90 mil, outros órgãos estimam que a quantidade de mártires cristãos ultrapassa os 100 mil mortos.

Um dos motivos pelos quais houve essa queda entre 5% e 12% do número de mártires cristãos no ano entre 2014 e 2016 se deve ao fato de que nunca houve uma divulgação maior desses dados como nos últimos anos, inclusive com os governos de alguns países ocidentais e algumas entidades internacionais de direitos humanos pela primeira vez se preocupando mais seriamente sobre o assunto. Essa movimentação pró-cristãos, embora tímida, pode ter inibido os algozeis cristãos, mas de forma ainda pequena. Afinal, os números ainda são impressionantes, terrificantes: pelo menos 90 mil martírios anuais.

Alguns dentre milhares de martírios em 2016

A Missão Portas Abertas, que trabalha na evangelização de povos não-alcançados e na ajuda a cristãos perseguidos mundo afora divulgou alguns casos de martírio que marcaram 2016. Os casos mencionados a seguir estão entre os divulgados pela entidade. Os nomes foram omitidos pela entidade para segurança de familiares e conhecidos das vítimas.

Em Bangladesh, um homem que havia se tornado um líder cristão muito ativo em seu país foi assassinado por causa da sua fé. Ele havia se convertido, suportado a pressão dos familiares não-cristãos, tido o salário negado no trabalho por ser cristão, mas permaneceu firme pregando o Evangelho. Em 2016, ele foi atacado por não-cristãos radicais durante um passeio matutino e morreu no local. A família, que havia recentemente se se convertido ao cristianismo, disse emocionada que “ele cumpriu sua missão na terra”.

Na República do Congo, a cada ano que se passa a situação piora para os cristãos congoleses. Assassinatos agora fazem parte do cotidiano deles. A jihad (luta islâmica) já custou a vida de milhares de cristãos nesse país em 2016.

Na Índia, um jovem de 23 anos que havia se convertido ao cristianismo alguns anos atrás e era um importante apoiador dos trabalhos da igreja, distribuindo Bíblias e exibindo filmes sobre Jesus, inspirando muitas famílias, foi assassinado em 2016. Alguns aldeões opositores do cristianismo invadiram sua casa e o levaram. Seu corpo foi encontrado sem vida, com vários tiros. Ele deixou sua esposa e três filhos pequenos.

Em 2016, na Coreia do Norte, um cristão de 49 anos que ajudava refugiados norte-coreanos que atravessavam a fronteira para a China foi morto por agentes secretos da Coreia do Norte que o capturaram. Ele deixou sua esposa e dois filhos, bem como três igrejas locais, com cerca de 600 membros, as quais ele ajudou a fundar e pastoreava.

No Egito, após uma bomba ser lançada sobre uma igreja durante o culto de Natal de 2016, 27 cristãos morreram, entre eles muitas mulheres e crianças.

Um líder cristão egípcio também foi morto em 2016 por militantes do Estado Islâmico logo após ter ministrado combates contra os cristãos e assim estabelecer o islã à força. Os muçulmanos radicais visam a exterminar com os “kaafirs” (“não muçulmanos”) através de uma luta física e ideológica.

No Quênia, um ataque deliberado objetivava forçar a saída de todos os cristãos de uma região de maioria muçulmana. Uma granada foi lançada em um bloco residencial à noite enquanto todos dormiam. Muitos morreram. O grupo extremista Al-Shabaab reivindicou a morte de seis cristãos na cidade de Mandera, no Nordeste do Quênia.

Na Nigéria, uma cristã de 42 anos foi atacada e morta em julho de 2016 por militantes radicais islâmicos enquanto pregava a Palavra de Deus em uma pequena igreja perto de sua casa, na região de Kubwa, na cidade nigeriana de Bwari. Ela era casada com o líder cristão Olowale Eliseu e tinha sete filhos. Uma cristã de 74 anos também foi morta em frente ao seu próprio comércio, por supostamente blasfemar contra Maomé. A vítima estava com seu marido Mike, o líder da igreja Deeper Life Bible, mas ele não conseguiu impedir o ataque. Um dos policiais que estava no local disse que o incidente ocorreu logo após uma discussão sobre religião entre ela e alguns comerciantes, mas várias fontes negaram que a mulher tenha “blasfemado contra o profeta Maomé”, como os radicais muçulmanos acusaram.

Na Etiópia, uma cristã passou por momentos difíceis e dolorosos quando perdeu o marido. Ele foi assassinado em seu próprio restaurante por militantes de um grupo extremista islâmico. Um dos filhos do casal que sentiu demais a perda do pai viveu momentos de revolta, mas ele disse que aprendeu a perdoar. “Não há necessidade de vingança, pois meu pai não morreu em vão. Saber que ele morreu por causa de Jesus é uma honra para mim”, disse o rapaz.

O campeão das atrocidades contra cristãos no mundo ainda é a comunista Coreia do Norte. “Mesmo que a perseguição a cristãos seja horrível em lugares como o Iraque, a Síria e a Somália, não há país que tenha as restrições, a violência ou o direcionamento sobre os cristãos como a Coreia do Norte”, afirma Emily Fuentes, da Missão Portas Abertas, que elegeu em janeiro, pela décima quinta vez consecutiva, a Coreia do Norte como o país que mais persegue cristãos no mundo.

Oremos pela igreja perseguida!

Boa notícia: advogado cristão na China é solto

Zhang Kai, um advogado cristão de defesa dos Direitos Humanos, que ficou desaparecido após ser levado sob custódia pela polícia da China ano passado, foi liberto em 29 de dezembro último. Ele passou dois dias desaparecido e está agora na companhia de seus pais, no norte da Mongólia Interior, uma região autônoma da China.

Kai, que trabalhou com pastores cristãos protestando contra o programa de remoção de cruzes das igrejas da China, foi “intimado” a prestar depoimento em uma delegacia de polícia local e foi forçado a permanecer dois dias sob custódia no local. Sua irmã, Zhang Yan, disse a fontes que trabalham com a organização cristã China Aid, que Zhang frequentemente recebe essas “convocações” por defender os cristãos. A China Aid expõe abusos, como os sofridos por Zhang Kai, com o objetivo de promover a liberdade religiosa, os Direitos Humanos e o Estado de direito. Kai ainda está pagando fiança, em razão de uma detenção anterior. No entanto, a família ficou particularmente preocupada desta vez, porque ele permaneceu sem fazer contato por 48 horas.

A situação do advogado mais uma vez despertou a atenção internacional, depois que sua mãe chamou a atenção para o caso na internet. Um usuário de mídia social especulou: “Eles podem fazer algo como fizeram com Yang Hua e prendê-lo sob o argumento de ‘segredos de Estado’”.

Kai foi encarcerado em 2015 e depois liberto sob fiança no início de 2016, depois que ele “confessou” o crime de “perturbar a ordem pública e pôr em perigo os segredos de Estado”. Ele foi condenado a retornar a uma delegacia de polícia em Hohhot, na Mongólia Interior, em 27 de dezembro. Então, ele foi levado sob custódia e tanto sua mãe como sua irmã receberam visitas de funcionários da segurança que lhes disseram que sua libertação dependia de sua “disposição para cooperar” com o governo.

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