De Norte a Sul, Israel em chamas

De Norte a Sul, Israel em chamasQuem visita Israel admira-se ao contemplar o resultado de anos de esforços para a transformação do deserto em florestas e jardins. Algumas décadas são passadas desde que os pioneiros drenaram pântanos, foram atingidos pela malária e gastaram suas últimas forças carregando pedras, irrigando a aridez local e plantando um futuro para as próximas gerações. Suas preces eram firmadas na certeza de que, se sucumbissem, o Eterno enviaria outros para darem prosseguimento ao trabalho. Instituições como o Keren Kayemet Le Israel recrutam esforços humanos, financeiros, biológicos e tecnológicos para recuperar o bioma original da região, privilegiando as espécies nativas e recuperando o equilíbrio necessário para que se conciliem o avanço populacional e suas exigências, o brilho das águas, a cor das florestas, a profusão das flores e a alegre presença dos pássaros.

Nesses dias de tantos discursos ecológicos, pouca menção é feita a esse trabalho – não é caso de espanto, afinal, trata-se de Israel, com quem a mídia dificilmente é simpática. Ainda assim, foi espantoso o quase silêncio de muitos veículos de comunicação diante dos incêndios criminosos ocorridos nestes últimos dias de novembro. Desde o dia 22, as chamas começaram no centro e no norte de Israel. O fogo atingiu milhares de casas, grande superfície de florestas e somente ficou sob controle no domingo, dia 27. Foram, portanto, cinco dias, durante os quais cerca de 80 mil pessoas precisaram ser evacuadas somente da cidade e dos arredores de Haifa, cidade onde mais de 1.500 apartamentos foram afetados, sendo que 500 tornaram-se impróprios para habitação.

Os incêndios foram, primeiramente, compreendidos como eventos comuns por causa do período de falta de chuvas. Mas, a sequência de focos, notadamente em regiões com maioria da população composta por judeus, a prisão de incendiários em fuga e uma criteriosa perícia técnica levaram o governo a concluir sobre a natureza criminosa dos eventos. Escolas esvaziadas, penitenciárias interditadas, hospitais repletos de pessoas necessitando de ajuda por causa da inalação de fumaça, bombeiros exaustos e incêndios fora de controle era o quadro que se contemplava na quinta, dia 24 de novembro. Cerca de 500 soldados da reserva foram convocados para prestar auxílio. “Os bombeiros estão lutando contra as chamas há cinco dias. Eles estão à beira de um colapso”, declarou Avi Ankouri, da Associação Nacional de Bombeiros de Israel. Enquanto os esforços concentravam-se em Haifa e nas áreas florestais ao redor de Jerusalém, novos incêndios atingiram áreas mais ao sul e novos alertas de evacuação foram emitidos, enquanto as forças operacionais tiveram de se dividir.

Israel recebeu apoio de bombeiros palestinos, além de equipes de emergência da Grécia, Chipre, Croácia, Itália, Rússia e Turquia. O primeiro-ministro declarou ter recebido ofertas de ajuda do Egito e da Jordânia. Duas aeronaves anfíbias (Beriev Be-200) foram enviadas pelo Ministério para Situações de Emergência da Rússia, e conduziram uma operação de combate ao fogo nos arredores de Haifa; instaladas na base militar israelense de Hatzor, atuaram “em regime de deslizamento, […] recolhendo água da bacia do Mediterrâneo, o que exigiu a máxima concentração da tripulação” realizando, “de fato, um trabalho de filigrana”, frisou o representante daquele Ministério. Seu objetivo principal foi ajudar a conter o fogo nas regiões de Haifa, Galil e Carmel. Também os Estados Unidos prestaram auxílio, apesar da grande distância. A devastação somente não foi maior do que o grande incêndio de 2010, ocorrido no norte do país, mas suas características não deixaram dúvidas – tratou-se de uma destruição premeditada.

O Ministro de Segurança Pública, Gilad Erdan, declarou que Israel estava diante de um novo tipo de terrorismo. Com ele concordou Benjamin Netanyahu, que falou de uma “onda de terrorismo incendiário” ou “terrorismo com fogo”. O chefe da polícia de Israel, Roni Alsheich não tem dúvidas de que o crime foi provocado por motivações políticas. Israel deteve 30 suspeitos de incitar ou provocar o fogo, dos quais 23 permaneceram presos. O porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld, referiu-se a 12 pessoas detidas enquanto tentavam iniciar novos incêndios – aos quais YisraelHasson, vice-diretor do Serviço de Segurança Shin Bet chamou de “armas de destruição em massa”. O governo de Israel prometeu medidas severas.

Enquanto isso, mesmo com a negação de envolvimento da Autoridade Palestina (também ocorreram focos na região da Cisjordânia), várias comemorações aos estragos provocados pelo fogo aconteceram nas redes sociais. O termo #IsraelisBurning (Israel está queimando) foi amplamente usado no decorrer da tragédia. Mishary Rashid Alafasy, imã no Kuwait, declarou: “Desejo a melhor sorte ao fogo”.

O ataque foi terrível para o ecossistema e foi severo para com as propriedades, mas não há relatos de vítimas ou mesmo de pessoas gravemente feridas. O Senhor passou com Israel pelo fogo. Mais uma vez, a população prepara-se para um renascimento. Sequidão, estio e fortes ventos que espalharam as chamas foram as armas com as quais contaram os incendiários. Porém, recordemos que as cinzas também adubarão os próximos jardins. Esperança é a tônica, trabalho é o método e a fé em Deus é o motor que fará com que os visitantes possam contemplar, em breve, novos e renascidos jardins na Terra Santa. Kadima (Avante)!

Por, Sara Alice Cavalcanti.

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