Quando Jonas disse “não” a Deus

Quando Jonas disse “não” a DeusA trajetória do profeta Jonas é bem conhecida por todos nós. A maneira pela qual ele tentou “fugir” da missão a ele confiada pelo Senhor, o terror do profeta quando se deu conta de que estava no ventre de um enorme peixe e o seu livramento. Mas a sua desobediência foi o fator que o conduziu a esta situação tão terrível. O texto bíblico não deixa dúvidas. “E veio a Palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: levanta-te, vai a grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim. E se levantou Jonas para fugir de diante da face do Senhor para Társis, e, descendo a Jope, achou um navio que ia para Tarsis; pagou, pois a sua passagem e desceu para dentro dele. Mas o Senhor mandou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava para quebrar-se” (Jonas 1.1 a 4).

A narrativa prossegue e revela um panorama desesperador. Os passageiros e a tripulação corriam risco de vida: a iminência de um naufrágio avizinhava-se rapidamente. Entretanto, em meio àquele caos, os tripulantes descobrem o profeta que logo é convocado para clamar a Deus em busca de misericórdia. A tempestade não mainou, logo os marinheiros decidiram lançar sortes para saber a causa de tão cruel tempestade (Jonas 1.7). Jonas foi o indicado. Os tripulantes o interpelaram: “Declara-nos, agora, por causa de quem nos caiu este mal. Que ocupação é a tua? Donde vens? Qual a tua terra? E de que povo és tu?”. Então Jonas respondeu: “Eu sou hebreu temo ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra”. Então os homens ficaram possuídos de grande temor e lhe perguntaram: “Que é isto que fizeste?” Pois sabiam que ele fugia da presença do Senhor, porque lhes havia declarado.

O texto é muito ilustrativo e esclarecedor. Jonas se conhecia e o Senhor também. O Senhor destacou o profeta fujão para realizar uma missão de impacto. Jonas estava identificado com aquela missão. Caso contrário, Deus não o escolheria, até porque leviandade não faz parte do caráter divino, e certamente não indicaria alguém incapaz, sem os predicados necessários para o cumprimento da tarefa. O Criador conhece a nossa capacidade e nossas limitações. O Senhor analisa todos os pormenores e, então, convoca o mensageiro. Ele implanta no coração de seu servo a identificação com a sua vontade e, em parceria, Deus e homem trabalham juntos para fazer com que a missão avance vitoriosamente. Mesmo quando Deus permanece “calado”, Ele não está inerte. Mesmo assim, diversas vezes nós rejeitamos o seu chamado. Dessa forma, colhemos os frutos de nossa desobediência. O profeta Ezequiel deixou registrado em seu livro no capítulo 33 e versículos de 7 a 9 a seguinte mensagem: “A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre Israel; por isso, ouça a minha palavra e advirta-os em meu nome. Quando eu disser ao ímpio que é certo que ele morrerá, e você não falar para dissuadi-lo de seus caminhos, aquele ímpio morrerá por sua iniquidade, mas o seu sangue demandarei de ti. Mas, se falares ao perverso para que ele se desvie do seu mau caminho, e ele não se desviar, morrerá ele na sua iniquidade, mas tu livraste a tua alma”.

Os dois profetas, Jonas e Ezequiel, estavam identificados com seus respectivos ministérios. O povo hebreu identificava-os como profetas de Deus e deveriam agir como tal. A desobediência gera crise de autoridade. Senhor e servo, cada qual é responsável em suas missões. A identificação entre os dois proverá o êxito da operação. Devemos observar que a rejeição de Jonas quanto à tarefa outorgada por seu Senhor, refletiu o desprezo aos atributos que o identificavam com seu Deus. O Senhor desejava transformar o povo de Nínive, e o escolhido para realizar a missão foi o profeta Jonas. Tratava-se de uma honra tal distinção. Mas o profeta não analisou sob este aspecto. Simplesmente desprezou o poder de Deus sobre a criação e valorizou mais a crueldade praticada pelos ninivitas. Então Jonas decidiu fugir. Prezado leitor, que tipo de atitude é esta? Onde estava a confiança de Jonas? Por que Gideão temeu ir ao encontro dos midianitas opressores com somente 300 soldados? Ele desejava combater com 32 mil homens à sua disposição. Todavia, Deus permitiu somente 300. E assim mesmo, divididos em três colunas de 100, munidos de trombetas, cântaros, vasos e tochas. Gideão venceu os midianitas (Juízes 7.1-25). Mas, percebemos que o juiz de Israel também manifestou medo e insegurança, os mesmos sentimentos que acontecera a Jonas. Só posteriormente concordou em agir como Deus lhe falara. Jonas, de igual modo, arrependeu-se e aceitou aquele desafio, o que resultou em um quebrantamento total na cidade de Nínive.

A Igreja tem seu papel a desempenhar. O clamor da humanidade ecoa pela Terra. A estrutura política e econômica é ineficaz para preencher o interior do homem. As frustações e questionamentos são constantes no cotidiano das nações. A ação restauradora deverá ser coordenada pela Igreja. A ela foi outorgada a incumbência. A Igreja é a coluna e firmeza da verdade. Ela traz consigo a “pedra da esquina”, a “pedra angular”, que combate e aniquila todo o sistema escravizador do homem, seja de origem humana ou celestial: “Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os princípios e potestades, contra os dominadores desse mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6.12).

O comportamento de Jonas provocou uma crise naquela embarcação. Ele identificou-se como hebreu e seguidor do Deus vivo. Até aquele momento conseguira camuflar a sua identidade e provocado toda aquela balbúrdia. Quando assume a sua responsabilidade e orienta os tripulantes como proceder, a situação volta ao normal. De igual forma, quando a Igreja primitiva por sua identidade junto ao seu público-alvo, ela estabelece padrões de atuação no âmbito local, nacional e mundial, que consolidarão sua excelência, trazendo reconhecimento e colher frutos do seu trabalho. Com firmeza em sua caminhada, estabelece procedimentos de conduta, de abordagem, de manifestações diversas, as quais desviarão, com toda certeza possíveis crises de comportamento, pois a igreja sabe quem é, quem a constitui e comissionou para atender os reclames da Grande Comissão. Não há meio termo, nem acomodações. Sua estrutura espiritual será consolidada. Seu avanço estratégico proporcionará maior capilaridade junto às comunidades e, assim, adentrará no combate pela busca do pecador perdido. Seu agir criterioso se anteporá a possíveis crises de omissão e acomodação, pois antes de tudo, a Igreja, sabe quem é, o que tem para fazer e o que lhe aguarda. Seu iminente rapto para a eternidade de gozo com seu amado noivo. Que assim seja!

Por, Pedro Tadeu S. de Maia.

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