Jerusalém e a vitória de Trump

Jerusalém e a vitória de TrumpHá muito se declara que um terremoto alterará as feições da Cidade Santa de forma indelével. Se esse terremoto destruirá construções milenares ou se dará lugar a outras construções sagradas é assunto de constantes debates. Ontem, um terremoto de outra natureza pode ter iniciado uma das mais esperadas mudanças relativas a Jerusalém – o seu reconhecimento como capital eterna e indivisível de Israel.

Seria possível pensar nesse reconhecimento por parte do Congresso americano? Seria viável uma mudança no endereço da Embaixada dos EUA da moderna Tel Aviv para a antiga e santa cidade? Como as nações reagiriam a isso? Hoje, a embaixada que eleva sua bandeira naquele lugar é a Embaixada Internacional Cristã; entidade formada por cristãos de várias nações que decidiram, diante da recusa das nações em aceitar Jerusalém como capital de Israel, estabelecê-la mesmo assim, ainda que com o desprezo dos órgãos internacionais, numa resposta bíblica que reafirma a aliança dos salvos em Cristo com o futuro do povo judeu e com a Palavra de Deus.

A resposta às perguntas aqui mesmo feitas foi dada, parcialmente, em outubro de 1995, quando o Congresso Norte-Americano aprovou o reconhecimento de Jerusalém, ocasião em que foram aprovados recursos para a transferência de sua Embaixada. Desde então, infelizmente, nenhum dos presidentes tomou a iniciativa de implementar a lei, temendo reações internacionais e defendendo certa “ética interna” de não intromissão nos atos do poder Executivo, na esfera das relações internacionais.

Passados 21 anos, no domingo 22 de setembro, após reunião com o premiê israelense Benjamin Netanyahu, o então candidato à presidência da república Donald Trump prometeu que, se eleito, reconheceria Jerusalém como a capital unificada de Israel. Representantes de sua equipe de campanha declararam na ocasião que o candidato defende a ideia de que a Cidade é a capital eterna do povo judeu por mais de 3000 anos.

O amanhecer do dia 9 de novembro de 2016 trouxe o novo terremoto que, parece, marcará os novos grandes eventos relativos à cidade do Rei. O dia revelou que os 218 votos dos democratas foram derrotados pelos 276 votos republicanos, elevando Trump à condição de quadragésimo quinto presidente dos Estados Unidos da América, chocando o mundo (expressão usada pelo “The Jerusalem Post”), provocando a queda das bolsas de valores asiáticas, despertando a simpatia do presidente russo, Vladimir Putin e o ódio dos jornalistas do Daily News, que sob o título de “House of Horrors” publicaram em sua primeira capa uma foto da bandeira norte-americana de cabeça para baixo, tendo ao fundo a Casa Branca.

Sem entrarmos nos questionamentos sobre o que levaria o povo americano a preterir a primeira candidata feminina à sua presidência, ex-primeira dama, Senadora de Nova York e Secretária de Estado, escolhendo um magnata imobiliário, estrela de TV, sem qualquer experiência política, homem rotulado pelo atual presidente Obama como ‘temperamentalmente impróprio para a presidência e ameaça existencial aos fundamentos republicanos’, atentamos apenas para suas primeiras declarações logo após o anúncio da vitória nas urnas: “Quando eu tomar o juramento do cargo, no próximo ano, restaurarei a lei e a ordem”; “Vamos nos relacionar com todas as outras nações dispostas a se relacionarem bem conosco”; “Vamos lidar justamente com todos – todas as pessoas, e todas as outras nações”. Assim, já desde a prévia de sua posse no governo, o discurso inflamado acena que assumirá cores mais amenas e conciliadoras. O quanto isso também afetará as disposições assumidas em campanha, somente o tempo dirá. Se Donald Trump cumprirá o compromisso assumido com Israel e será o governante que marcará o relógio escatológico com o reconhecimento – estatal, é verdade, mas com repercussões mundiais – de Jerusalém como capital única e indivisível de Israel e do povo judeu é pergunta ainda sem resposta.

O indiscutível é que aquele pequeno local do planeta permanece marcando a cena política, derrubando reis e estabelecendo reis, fazendo lembrar as palavras cantadas por uma mulher de fé, cujo nome era Hannah: “O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre do pó e, desde o esterco, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do Senhor são os alicerces da terra, e assentou sobre eles o mundo” (1 Samuel 2.7,8).

Quaisquer que sejam as disposições do coração do homem, todas elas, mesmo as que ainda estão ocultas a esse mesmo homem, o Senhor as conhece. Se Israel foi, para o novo presidente eleito dos EUA apenas um mote de campanha, uma maneira de receber os votos de eleitores judeus, ou se, efetivamente, está assentado em seu coração o desejo de caminhar em aliança com a nação judaica, cedo veremos. Quando o dia trouxer à luz a prova das promessas feitas, será revelado segredo e o caráter.

A esperança de Israel, no entanto, não está no homem, quem quer que seja ele. Também é importante lembrar que o acerto quanto a uma visão bíblica não afiança todos os atos de alguém. O que salta aos olhos daquele acompanha os últimos acontecimentos é, mais uma vez, a condução maravilhosa dAquele que comanda os povos e não permite aos inimigos de seu povo ultrapassarem certos limites. A não acontecida “era Hillary” prenunciava-se especialmente difícil para as relações EUA e Israel. Não era tempo – o Senhor não permitiu.

Oremos pelos líderes nos EUA. Oremos pelos líderes em Israel. Oremos pelos líderes no Brasil. Ao orarmos, creiamos na soberania de Deus e permaneçamos em Paz.

Por, Sara Alice Cavalcanti.

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