Achado desmente Unesco sobre Monte

Entidade força que judeus não têm ligação com local; Brasil votou contra Israel

Achado desmente Unesco sobre MonteA Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) anunciou no dia 13 de outubro uma resolução no mínimo esdrúxula: o Monte do Templo, em Jerusalém, “não tem ligação” com os judeus. O conteúdo da divulgação indica apenas nomes muçulmanos aos locais sagrados que pertencem a Cidade Antiga. O documento foi assinado por 24 países-membros, porém 26 se abstiveram. Os países que se manifestaram contra a resolução foram os Estados Unidos, Reino Unido, Lituânia, Holanda, Estônia e Alemanha.

As consequências de tal determinação afetam diretamente a comunidade judaica que administra os lugares considerados sagrados tanto para os judeus como aos muçulmanos. A resolução foi concluída em um encontro em Paris (França), que foi um acontecimento similar a uma votação ocorrida em abril. Os laços históricos virtualmente desfeitos serviram como argumento da ONU para a entrega do Muro Ocidental (Muro das Lamentações) aos palestinos.

A reação do governo de Israel foi incisiva e classificou a resolução como “antissemita e absurda”, as autoridades israelenses acrescentaram que a ONU contribuiu com os “abusos provocativos que violam a santidade e a integridade” da área. O governo israelense considera tal decisão um duro golpe diplomático que podia ser antecipado depois que a Unesco decidiu em 21 de outubro de 2015 que o Túmulo de Raquel e a Caverna dos Patriarcas em Hebrom passariam ao controle dos muçulmanos. Mas durante a reunião da Unesco, outro lugar igualmente sagrado e emblemático para os judeus ortodoxos também estava na pauta da entidade: o Muro das Lamentações. O local é considerado uma extensão da mesquita de al-Aqsa. Mas o projeto não avançou por causa da pressão dos países aliados de Israel. Um ano depois, a proposta foi aceita.

O jornal Ynet News publicou um panfleto concebido pelo Ministério israelense das Relações Exteriores que defendia a irrefutável conexão histórica dos judeus com a Cidade Santa. Os 120 delegados permanentes da Unesco cujos países têm relações diplomáticas com Israel tiveram acesso ao material que foi distribuído. Por sua vez, os representantes palestinos almejam nomear um observador permanente da Unesco em Jerusalém. O objetivo é desaprovar as atividades israelenses em territórios disputados.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu expediu veemente protesto contra a decisão da ONU. “O teatro do absurdo continua com a Unesco. Hoje, a organização tomou sua decisão mais bizarra, dizendo o povo de Israel não possui nenhuma ligação com o Monte do Templo e o Muro das Lamentações. Obviamente, eles nunca leram a Bíblia. Desejo aconselhar os membros da Unesco que visitem o Arco de Tito, em Roma, onde poderão ver o que os romanos levaram para a sua capital, após terem destruído e saqueado o Monte do Templo dois mil anos atrás. Poderão ver gravado no Arco, o menorah de sete braços, que é o símbolo do povo judeu, bem como o símbolo do Estado judaico hoje”.

O Conselho Executivo da Unesco é formado por 58 países membros sendo a maioria muçulmanos e esse detalhe fortalece aos palestinos. Embora a Palestina não seja reconhecida como nação ou mesmo integrante da comissão, seis Estados árabes representaram os palestinos ao apresentaram a proposta na reunião. Foram eles: Argélia, Egito, Kuwait, Marrocos, Tunísia e Emirados Árabes Unidos.

Os incidentes em torno da reconstrução do Templo recomeçaram no último ano, depois que os judeus religiosos anunciaram fartamente que já estava tudo pronto para erguer o santuário como um cumprimento parcial das profecias do Antigo Testamento e o anúncio da vinda do Messias.

Entrementes, uma descoberta arqueológica apresenta informações que podem complicar os defensores de uma Jerusalém administrada pelos palestinos, isto sob a alegação de que não há comprovação da “intimidade histórica” ente judeus e a antiga cidade no Oriente Médio: foi descoberto um fragmento de um papiro antigo que passou a ser considerado a mais antiga referência a Jerusalém na língua hebraica fora da Bíblia. Sem pestanejar, o governo de Israel divulgou mais essa “prova” da comunhão entre a comunidade judaica e a milenar cidade.

O documento mede 11 por 2,5 centímetros, remonta o século 7 a.C. e foi mostrado no dia 26 de outubro pelos representantes da Autoridade de Antiguidades de Israel (AAI) em uma coletiva de imprensa em Jerusalém. No corpo da relíquia está escrita a seguinte frase: .התרענמ .ךלמה .תמ]אמ המלשרי .ןיי .םילבנ, (Da criada do rei, de Na’arat, jarros de vinho, para Jerusalém). Os arqueólogos explicaram que foram escritas apenas duas linhas, porém o conteúdo pertence a um documento que arrolava o pagamento de impostos ou uma transferência de bens para armazéns de Jerusalém. As autoridades israelenses têm motivos sobejos para comemorar o achado, pois trata-se de uma “fonte extra bíblica mais antiga a mencionar Jerusalém em escrita hebraica”.

Segundo informações divulgadas pelo jornal Christian Today, o fragmento foi recuperado na Caverna dos Crânios, no deserto da Judeia, e provavelmente deixado ou mesmo perdido por ladrões de antiguidades. A Unidade de Prevenção ao Roubo de Antiguidades foi responsável por uma complexa operação que resultou na preciosa descoberta. Mas também o que chamou a atenção dos pesquisadores foi a posição de liderança exercido por uma mulher, nesse caso a criada do rei de Judá. O Dr. Eitan Klein, representante do órgão, explica: “O documento apresenta uma evidência extremamente rara da existência de uma administração organizada no Reino da Judeia. Ela confirma a centralidade de Jerusalém como capital econômica do reino na segunda metade do século 7 a.C. De acordo com a Bíblia, reinava desde Jerusalém nesta época os reis Manassés, Amon ou Josias. Contudo, não é possível saber com certeza qual desses entregou o papiro juntamente com o carregamento de vinho”.

O governo israelense comemora a descoberta por seu conteúdo que representa uma clara refutação ao argumento provocativo da Unesco. A ministra da Cultura de Israel, Miri Regev, comentou a importância do achado e o que isto representa ao mundo hodierno. “A descoberta desse papiro, no qual o nome de nossa capital Jerusalém está escrito, é mais um indício tangível de que Jerusalém foi e continuará sendo a eterna capital do povo judeu”, asseverou. Outro que se manifestou foi Ofir Gendelman, porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. “Ei Unesco, um papiro antigo da época do Primeiro Templo, 2,7 mil anos atrás, foi encontrado. Ele apresenta a mais antiga menção que se conhece de Jerusalém em hebraico”, provocou pelo twitter.

Brasil declara voto contra Israel

O jornal Times of Israel divulgou a notícia que diferentes comitês que funcionam dentro da estrutura das Nações Unidas aprovaram no mês de novembro 10 resoluções contra Israel. Foi divulgado que em pelo menos dois documentos foram reiterados a negação dos laços judaicos com o Monte do Templo. Foi utilizado apenas seu nome muçulmano como referência ao local sagrado.

A utilização de “Al Haram Al Sharif” (Nobre Santuário) nos documentos da ONU é visto nas duas resoluções aprovadas no mês de outubro pela UNESCO, isto quer dizer que essa será a norma daqui por diante.

As resoluções analisadas e votadas pelos comitês prosseguem para a aprovação dos 193 estados-membros no próximo plenário da Assembleia Geral, neste mês. Segundo a UN Watch, entidade que acompanha de perto as atividades da instituição mundial, são raras as ocasiões em que os votos mudam entre a comissão e as votações finais.

“Uma das 10 resoluções foi aprovada por um comitê especial designado para investigar ‘práticas israelenses’. Foram 86 votos a favor, 71 abstenções e 7 contrários”, afirmou a UN Watch em comunicado.

Por sua vez, o Brasil declarou o seu voto desfavorável para Israel em todos os comitês que participou. Essa conduta levou os líderes religiosos – cristãos e judeus – brasileiros a lançar um abaixo-assinado chamado “Posição dos cristãos brasileiros com relação à Israel, lugares sagrados e o povo judeu” destinado às autoridades brasileiras.

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