Israel, Rússia e Suprema Corte: as razões do apoio evangélico a Trump

Neste ano, a mídia cravou vitória de Hillary, permanência do Reino Unido na União Europeia e aprovação do acordo com as Farc, mas errou em todas

Israel, Rússia e Suprema Corte - as razões do apoio evangélico a TrumpO ano de 2016 chega ao seu fim marcado como o ano de alguns dos maiores “micos” já cometidos na área de política pela imprensa secular tradicional e pela maioria dos institutos de pesquisa, não poucas vezes tendenciosos. Três grandes erros crassos foram cometidos por eles neste ano: a imprensa brasileira e internacional vendeu como favas contadas a derrota do “Brexit”, e o “Brexit” ganhou; ela também vendeu como favas contadas a vitória do “sim” ao acordo de paz do governo colombiano com a guerrilha de esquerda Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e o “não” ganhou; e ela vendeu igualmente como favas contadas a vitória de Hillary Clinton como presidente dos Estados Unidos, e ela perdeu.

No caso do acordo de paz com as Farc, ele foi costurado com o governo de Juan Manuel Santos pelo ditador cubano Raul Castro, a pedido das Farc, que, por estar esfacelada desde o final do mandato do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, sentindo-se próxima de uma derrota definitiva e de ter de pagar pelos seus crimes, buscou uma anistia geral para escapar da condenação e ainda ganhar, como “prêmio de consolação” por décadas de criminalidade (dezenas de milhares de assassinatos, centenas de sequestros e tráfico de drogas), assento no parlamento colombiano (sic). O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, que, segundo pesquisas, é mais popular na Colômbia do que o próprio Juan Santos, se opôs ao acordo, bem como a maioria do povo do interior do país, que sofreu mais com as Farc do que o povo da capital, que era em sua maioria a favor do acordo.

O certo seria, segundo a maioria do povo colombiano, pressionar a rendição total das Farc e julgar cada um de seus membros pelos seus crimes, em vez de lhes dar anistia agora, quando já estão esfacelados e sua derrota é certa. Enfim, o acordo era, na prática, uma benesse para as Farc e um “soco” na boca do estômago da maior parte da população, que sofreu nas mãos dela por mais de 40 anos. Por isso, o “não” ganhou.

No caso do “Brexit” (a saída do Reino Unido da União Europeia), não foi diferente. Houve uma pressão enorme contra ele pela mídia internacional, influenciada pela elite globalista ocidental, mas prevaleceu, inclusive contra as pesquisas tendenciosas, a decisão da maioria do povo britânico pela saída.

Para piorar esses três grandes “micos” do ano, o chamado “jornalismo alternativo” na internet – referimo-nos aos sites não ligados às grifes do jornalismo tradicional – previram esmagadoramente a vitória do “Brexit”, do “não” na Colômbia e de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Houve até gente que acertou com 100% de precisão, e com dias de antecedência, quais os estados que Trump e Hillary levariam. Enquanto isso, a imprensa tradicional, como o jornal New York Times, dava, na do dia 8 de novembro, mais de 90% de chance de Hillary ganhar a eleição. Só quando os primeiros resultados das urnas prenunciavam a derrota da candidata democrata, o New York Times, na internet, passou a dar mais de 90% de chances a Trump, descaradamente.

A que se deve esse vexame extraordinário? Dois fatores: em primeiro lugar, o fato de que, há muito tempo, a imprensa secular tradicional, dependente de verbas publicitárias para sobreviver, deixou de fazer jornalismo político decente para agradar os desejos de seus maiores financiadores; e em segundo lugar, há décadas que, no Ocidente, os cursos universitários na área de Humanas são dominados pelas esquerdas – no caso dos EUA, os liberals, como eles chamam lá. Logo, a esmagadora maioria do jornalismo impresso e televisivo nos EUA é de apoiadores do Partido Democrata.

A única diferença das demais eleições para a deste ano é que, para piorar, Trump era um candidato outsider, isto é, totalmente fora do establishment – o que foi, por outro lado, a sua grande força junto ao eleitorado. Até a elite do Partido Republicano o odiava. Mas, daí a considerá-lo um “demônio” ou muito pior do que Hillary, há uma distância muito grande. Se alguém se deixar envenenar pela propaganda travestida de jornalismo, pela torcida democrata travestida de imprensa, aí, naturalmente, vai crer que Trump é mesmo misógino, xenófabo, racista, um Hitler, tudo que não presta, e que Hillary é só pureza, decência, o próprio bem em pessoa, uma maravilha. Ainda bem que existe imprensa alternativa séria. Se não, estaríamos perdidos.

O apoio evangélico a Trump

Trump estava muito longe de ser o candidato ideal dos evangélicos norte-americanos. Porém, entre Hillary e Trump, a maioria esmagadora dos evangélicos nos EUA escolheram Trump por suas defesas mais claras de temas de interesse da igreja evangélica norte-americana e, principalmente, pelo seu compromisso assinado de escolher para a Suprema Corte dos EUA juízes de perfil conservador, e não progressistas. É que, com a morte do juiz conservador Antonin Scalia em 13 de fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos EUA, que é formada por 9 juízes, ficou com 8, sendo 4 conservadores e 4 progressistas. O próximo presidente dos EUA escolherá não só o substituto de Scalia, mas também o substituto de outros 2 deles que estão para sair nos próximos quatro anos. Logo, se a liberal Hillary ganhasse, a Suprema Corte seria majoritariamente progressista e com possibilidade de durar assim por pelo menos 30 anos.

Se Hillary ganhasse, não importaria se o ganhador das eleições de 2020 em diante fosse republicano, já que os próximos grandes embates entre conservadores e progressistas nos EUA se darão na Suprema Corte. Referimo-nos às batalhas entre direitos individuais, de um lado, e liberdades religiosa e de expressão, do outro. Logo, Hillary ganhar agora seria fatal.

Por essa razão, a maioria dos pastores e nomes entre os evangélicos nos EUA, dentre eles Franklin Graham e Norman Geisler, defenderam o voto em Trump, apesar de suas imperfeições. Como disse Graham, “Hold your nose and vote Trump!” (“Prenda o nariz e vote em Trump!”).

Trump não é um exemplo de moralidade cristã em sua vida pessoal, mas, pelo menos, tem uma agenda mais conservadora, tendo se declarado contra o aborto, por exemplo. Durante a pré-campanha, quando ainda não tinha sido escolhido como o representante do Partido Republicano para a disputa presidencial, ele afirmou enfaticamente: “Sou evangélico. Sou presbiteriano e tenho orgulho disso”, e frisou em seguida: “Vou ganhar esta eleição e serei o maior representante que os cristãos já tiveram em um longo tempo”. Chegou-se até a afirmar que Trump tivera, em junho deste ano, durante sua campanha, uma experiência com Deus que o firmara na fé. Se é verdade ou não, não sabemos, mas a esperança dos evangélicos norte-americanos é que Trump cumpra seus compromissos assumidos com eles.

Paz com Rússia e apoio a Israel

Dois grandes efeitos positivos da vitória de Trump foram o apaziguamento das relações entre Estados Unidos e Rússia, que estavam estremecidas neste segundo mandato de Obama devido a medidas implementadas pela sua secretária de Estado, Hillary Clinton, fazendo ressurgir, como a própria mídia europeia, russa e norte-americana já enfatizavam, uma nova “Guerra Fria”; e a volta da boa relação entre Estados Unidos e Israel, que fora estremecida também durante o governo Obama.

Recentemente, pouco antes das eleições, Trump teve um encontro com o premiê israelense Benjamin Netanyahu, onde prometeu que reconheceria Jerusalém como “a capital unificada de Israel” e colocaria a embaixada dos EUA em Jerusalém, caso fosse eleito. Os EUA, historicamente, sempre foram os principais apoiadores de Israel, mas o governo Obama se posicionou na contramão, tornando-se o maior defensor da entrega de Jerusalém Oriental aos palestinos.

Segundo pesquisas, mais de 60% dos evangélicos nos EUA votaram em Trump, bem como a maioria dos católicos. Enquanto isso, 68% dos ateus votaram em Hillary, bem como 71% dos judeus americanos, que são historicamente mais seculares e liberais socialmente do que os judeus de fora dos EUA. A maioria dos judeus israelenses preferia Trump a Hillary. Aliás, segundo a agência de notícias Breaking Israel News, logo após a eleição de Trump, o rabino Hillel Weiss, porta-voz do Sinédrio, enviou uma carta ao novo presidente dos EUA e a Vladmir Putin, presidente da Rússia, pedindo o apoio de ambos à reconstrução do Templo de Jerusalém. “Estamos prontos para reconstruir o Templo. As condições políticas hoje, em que os dois mais importantes líderes nacionais do mundo apoiam o direito judaico a Jerusalém como sua herança espiritual, é historicamente sem precedente”, disse o rabino Weiss à Breaking Israel News.

Aparentemente, o novo presidente dos EUA não terá tantas dificuldades em executar seus projetos, já que os republicanos conseguiram também maioria histórica na Câmara e no Senado. Ele terá, porém, a já esperada oposição da maioria da mídia. Quanto a nós, oremos para que Donald Trump tenha um bom governo. Para o bem dos Estados Unidos e do mundo. Deus o ajude.

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