Onde estão os atributos de Deus?

Onde estão os atributos de DeusHá muito de Deus onde não parece haver. Há belos e suspirantes dias em que estamos transbordantemente satisfeitos em Cristo. Nossa gratidão porque vai tudo bem parece nos transporta para tão perto dEle! O sentimos de forma tão próxima e plena! Parece que agora Ele “lembrou” que existimos. É como se estivéssemos flutuando… Mas, de repente, somos surpreendidos. Tudo sobre o qual parecia termos o controle escapa de nossas mãos rapidamente. Tudo que tinha um tom de imutável, irrevogável e fixo acaba de se esvair. “Mas, espera, tem algo errado aqui. Não estava tudo bem? Não consigo entender”, você se pergunta. “Deus parecia ter movido Sua mão em meu favor, logo como pude ser tão surpreendido?”

Engraçado, já me fiz a mesma pergunta tantas vezes. A última, antes de escrever este artigo, ao receber a notícia da morte do filho de uma conhecida cantora evangélica brasileira. Desde que descobrira que ele se encontrava acometido por uma doença grave, conclamou toda a igreja brasileira que orasse por sua cura, mesmo após a medicina tentar desenganá-la. E assim aconteceu até o último suspiro de vida de seu filho, que tinha, então, 17 anos. Eu orei por aquele garoto. Eu cria no milagre, como muitos outros que já haviam contemplado nosso Deus operar. Logo, mal pude acreditar quando recebi a notícia de sua morte. Minha cabeça tentava entender tudo o que havia acontecido. Várias coisas passaram em minha mente. Mas, conhecendo o Deus que permitira sua partida, em meu coração o Espírito Santo sussurrava: “A morte dele foi para minha glória. Estou sendo exaltado porque um servo meu descansa agora em meus braços”.

Glória! Temos tanta dificuldade em associar coisas que parecem ruins aos atributos divinos. É tão difícil acharmos que algo que cause dor ou prejuízo tenha realmente sido para a glória de Deus. Se eu chego bem ao meu destino enquanto caminho a pé, eu glorifico a Deus. Por que não poderia fazer o mesmo se eu tropeçasse no meio da estrada?

Vislumbramos perfeitamente que a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita. Isso nos parece compreensível e moldável às bênçãos que o Senhor nos concede. Mas como podemos dizer igualmente que Sua vontade é boa e agradável na morte de um filho? Em que Deus pode ser glorificado nisso? Agradável é a condição de algo que traz prazer e deleite. Não parece haver gozo em algo assim. Porém, se temos a Bíblia como divinamente inspirada, podemos compreender que Paulo, quando descrevia a vontade de Deus, não usava de seus próprios parâmetros para tal. A vontade do Senhor é perfeita, sim, mas segundo Seu próprio pensamento, não segundo o que nós formulamos.

Deixe-me ser mais clara. Tudo parece ter mais sentido ao lermos Romanos 8.28: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Sempre que duvidar de que algo não traduz a vontade de Deus, lembre-se disso: bom ou mal aos nossos olhos, os propósitos do Senhor são plenos e sublimes e traduzem um plano muito maior que aquele que imaginamos.

Quanto ao questionamento da morte do garoto por quem orei, percebi o quanto este acontecimento glorificava a Deus. Quantas pessoas que já não oravam mais foram impulsionadas a interceder por sua vida? Sem dúvida, até pessoas que ainda não entregaram seu coração a Cristo passaram a falar com Ele. Quem sabe, com esse acontecimento, muitos daqueles que conviviam com ele não tomem a decisão de receber Jesus como Salvador de suas vidas. Posso glorificar a Deus por isso. Posso me alegrar nisso.

Jó também questionava a Deus. Talvez pensasse como muitos de nós. Por mais que se esforçasse, não compreendia como um Deus do qual tanto ouvira falar de sua bondade e justiça, permitira que tamanhas desgraças acontecessem em sua vida. Jó se defendia a ponto de quase duvidar da sabedoria divina. Deus, incrivelmente, responde a Jó mostrando que ele – um homem fraco e inteiramente dependente da graça gloriosa – poderia ter desmoronado em algum momento, mas que nada do que havia acontecido o surpreendia. Aliás, tudo fora permissão sua. Apenas a primeira das muitas perguntas que Deus faz a Jó já derruba todos os argumentos usados por ele: “Onde é que você estava quando criei o mundo?” (Jó 38.4).

Temos um pouco de Jó em nós. Talvez não se dirigindo a Deus, mas você já deve, em algum momento, ter indagado ou balbuciado consigo mesmo o porquê da turbulência. Quem sabe até questionou o que você fez de tão grave para “merecer” isso. Para nós, é tão mais simples confiarmos em nossos planos que parecem milimetricamente traçados. “Não tem como dar errado!”, dizemos. Mas somos tomados pelo medo ao perceber a instabilidade de tudo por aqui.

Se você conhecesse alguém que poderia ver seu futuro, perguntaria para ele o que vai acontecer com você daqui a alguns anos? Perguntaria quais as melhores escolhas a fazer, que caminho seguir para que dê tudo certo? Bom, Deus é esse alguém. Ele está o tempo todo tentando nos conduzir pela estrada correta. Ele sabe melhor. E a coisa mais preciosa disso tudo é saber que aquilo que Ele faz tem um “Q” de eternidade. Isso mesmo. Deus não está tão interessado em traçar um brilhante, extravagante e esplendoroso caminho para você aqui na Terra. Tudo que Deus faz é no intuito de te aproximar da eternidade, com Ele, é claro. Deus conhece perfeitamente quais ruas você deve seguir para chegar ao destino final correto, o lindo Céu!

Talvez as ruas pelas quais você tem andado não são as que te farão chegar nessa mansão celestial. Por isso, não se apavore, não se frustre, nem se atemorize se Deus mudar a rota. Não se esqueça: Ele sabe melhor. Quando você sentir medo, Ele está do seu lado, jamais te abandona. Ele sabe melhor. Esse nosso amigo é melhor que qualquer vidente de esquina. Dizer que é melhor é muito pouco. Ele sabe melhor. Ele tem um plano. Ele tem um lindo plano.

Por, Pármena Hanes.

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