Devemos aprender com Jesus a realizar missões e contribuir com o Reino

Devemos aprender com Jesus a realizar missões e contribuir com o ReinoJesus nos deixou um maravilhoso exemplo de como evangelizar através do seu encontro com a mulher samaritana (João 4.1-29). Mas hoje em dia, muita gente aspira realizar a obra missionária a seu modo, porém, o nosso Mestre nos deixou o exemplo, e eu quero destacar esse método concebido por Cristo ao encontrar a mulher samaritana. A inimizade entre judeus e samaritanos teve raízes na divisão de Israel entre os reinos do norte e do do sul, após a morte de Salomão (931 a.C.), esta ruptura política desenhou um novo panorama religiosos: o Reino do Sul manteve a sua liturgia na capital Jerusalém; por sua vez, o Reino do Norte consagrou o monte Gerizim para as suas celebrações.

Mas o Reino do Norte acabou destruído em 722 a.C. pelos assírios que deportaram as 10 tribos que formavam a geopolítica da região. Com os moradores nativos longe de casa, o território foi ocupado por novos inquilinos: povos gentílicos que miscigenaram-se com os hebreus remanescentes. A mistura originou o povo samaritano. Os descendentes não eram idólatras, mas reconheciam somente o Pentateuco como inspirado por Deus e rejeitavam a cidade de Jerusalém com o centro religiosos; esses detalhes explicam porque os samaritanos se opuseram à reedificação de Jerusalém por Neemias (Neemias 2.19; 4.2).

Os passos de Jesus para evangelizar a mulher samaritana

O Senhor se dirigia as pessoas

O método que muitos crentes utilizam é o de esperar que as pessoas venham procurá-los. Observe que Jesus não esperou que a samaritana fosse procurá-lo em Jerusalém ou em Cafarnaum, na Galileia. O texto bíblico revela que Ele foi até Sicar; lá, o Senhor descansou próximo a um poço aberto pelo patriarca Jacó (acredito que o Senhor esperasse pela mulher). O apóstolo João calculou esse evento por volta do meio dia (o horário de maior calor e menos probabilidade de alguém buscar água no poço). Por sua vez, o apóstolo Paulo afirma que “a fé vem pelo ouvir, e o ouvir a Palavra de Deus” (Romanos 10.17). Em primeiro lugar, o evangelista deve se dirigir ao pecador munido com a Palavra de Deus.

Evite os preconceitos

A palavra preconceito é, na verdade, formada por duas outras palavras: pelo prefixo latino “pré”, que significa anterioridade ou antecedência;  e pelo substantivo “conceito”, que é uma opinião, reputação, julgamento ou avaliação. O preconceito é, portanto, o conceito formado de se ter os conhecimentos necessários; é a opinião formada antecipadamente, sem maior ponderação.

O preconceito é uma das grandes dificuldades que o ser humano enfrenta para respeitar e amar o próximo de forma objetiva e sensata. “Desse modo não existe diferença entre judeus e gentios, entre escravos e pessoas livres, entre homens e mulheres: todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus” (Gálatas 3.28). “Porque para com Deus não há acepção de pessoas” (Romanos 2.11).

Jesus conhecia a situação moral daquela mulher, mas Ele nos deixou uma poderosa lição, pois o Senhor contemplou a sua alma e não o que ela fez, e este deve ser o comportamento do missionário. Há pessoas que desejam fazer a obra de Deus, mas carregam consigo preconceitos contra vários grupos de pessoas. A situação é tão grave que, ao cruzar o caminho com determinados cidadãos, os religiosos chegam a “clamar o sangue de Jesus”, como se para aquelas pessoas não houvesse solução. Mas Jesus mostrou-nos que há solução para aqueles que pensamos estarem perdidos, é o que Ele quer para realizar uma grande obra. A mulher samaritana que não desfrutava de boa reputação entre seus conterrâneos, transformou-se numa evangelista.

Interessar-se pelas almas

Aprendemos com o Mestre que devemos nos interessar pelos demais, se quisermos que haja interesse por parte deles à mensagem do Evangelho. A narrativa bíblica revela o interesse de Jesus em auxiliar a samaritana.

É a compaixão que leva o crente a mostrar interesse pela pessoa que não conhece o Evangelho. Jesus deixou claro na parábola do Bom Samaritano (Lucas 10.25-37) que seus seguidores deveriam ter misericórdia das pessoas que precisam de ajuda. A Bíblia Sagrada relata em diversas passagens a compaixão do Senhor, compaixão esta necessária para nos dispormos a levar as boas novas a alguém (Mateus 9.27; Mateus 9.35,36; Mateus 14.13-21; Mateus 15.30-32; Mateus 20.30-34; Lucas 7.11-14).

Despertar  a curiosidade

Jesus fez um simples pedido à samaritana: “dá-me de beber”. Entretanto, este pedido causou uma reação na mulher; “como você, sendo um judeu, pede água para mim, samaritana?”. A reação era natural, por causa da inimizade de judeus e samaritanos. Porém, Jesus era diferente e a mulher interessou-se em saber a razão. Se nós agirmos da mesma maneira, não despertaremos a curiosidade de ninguém para o que temos a oferecer.

As diferenças que o mundo precisa enxergar em nós:

  • A nossa união como Corpo de Cristo (João 17.21).
  • As boas obras que glorificam a Deus (Mateus 5.13-16).
  • A vida irrepreensível de um legítimo filho de Deus (Filipenses 2.14, 15).
  • Uma fé que subsista aos olhares mais atentos (2 Reis 4.9; Daniel 6.3,4).

Falar a linguagem que o pecador compreenda

Jesus se aproxima daquela mulher e fala de uma forma que ela compreendeu. Quantas pessoas se mobilizam para anunciar o Evangelho, mas acabam por  utilizar uma linguagem “espiritualizada”, ou seja, em vez de anunciar a Palavra de Deus, acaba por escandalizar a Palavra de Deus, acaba por escandalizar as pessoas.

  • Não crie falsas esperanças, apenas anuncie  “Boas Novas”.
  • Se a pessoa não desejar escutar a mensagem, converse com alguém mais receptivo.
  • Não aborde de imediato o tema inferno, mas ensine o conteúdo básico do Evangelho. A história básica de Jesus é um bom início. A abordagem deve ser da seguinte maneira:
  • Com profundo amor.
  • Com paciência e persistência.
  • Sabendo iniciar e terminar o diálogo.
  • Ouvir se a pessoa está evangelizada.
  • Fazer perguntas sobre a salvação.
  • Evitar assuntos polêmicos e discussões.

Anunciar a palavra certa no tempo oportuno

Apesar do interesse e curiosidade demonstrados pela mulher samaritana, Jesus trabalhou com ela com calma. A mulher estava envolvida na atividade de retirar água do poço e Jesus levou-a a interessar-se pela água viva (v. 10). Jesus mostrou-lhe que conhecia fatos acerca da vida dela (vv 16-18) e a samaritana conjecturou que o galileu fosse um profeta. A mulher queria saber onde deveria adorar a Deus: em Gerizim ou em Jerusalém (v. 20), mas o Mestre a ensinou que Deus procura quem o adore em espírito e em verdade (vv 23 e 24). Foi neste ponto que a mulher lembrou-se da promessa do Messias e que Jesus revelou-se como o Salvador prometido (vv 25 e 26). O segredo para apresentar a “palavra certa” no tempo oportuno é o trabalho na dependência do Espírito Santo. Para cada tipo de pessoa há uma maneira melhor de apresentar o Evangelho.

  • Pescadores: “Eu vos farei pescadores de homens” (Mateus 4.19).
  • Pessoas habituadas à vida agrícola. O semeador (Mateus 13.1), o joio e o trigo (Mateus 13.24), os lavradores maus (Mateus 21.33).
  • Os apreciadores de esportes (1 Coríntios 9.24-27).

Não condene as pessoas

Evangelizar sim, julgar as pessoas não. O próprio Jesus não condenou a mulher samaritana, Ele falou do seu pecado, lembrando-lhe de seus cinco maridos. Ela mesma sentiu a sua condenação. Em João 8.11 podemos observar a palavra que Jesus deu à mulher surpreendida em adultério: “Nem eu te condeno; vai-te e não peques mais”. Condenar uma pessoa pelos seus maus feitos serve, muitas vezes, para fechar a porta de oportunidade de evangelizá-la. Lembremos que ser cristão é muito mais do que seguir regras como “não fumar” e “não beber”. Lembre-se que quem convence a pessoa do pecado, da justiça de Deus e do juízo é o próprio Espírito Santo (João 16.8).

Outras ocasiões em que Jesus praticou o evangelismo pessoal: Jesus e Zaqueu (Lucas 19.1-28); Jesus e Nicodemos (João 3.1-21); Jesus e a mulher adúltera (João 8.1-11); Jesus e o paralítico de Cafarnaum (Marcos 2.1-12); Jesus e o jovem rico (Mateus 19.16-30).

Sigamos o exemplo do maior missiólogo de todos os tempos, Jesus de Nazaré.

Por, Edvaldo Santos da Silva Filho.

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