Reavaliando as Motivações Missionárias

Reavaliando as Motivações MissionáriasNenhum sucesso verdadeiro é fruto de casualidade. Ao contrário disso, ele é resultante do cumprimento de alguns requisitos pré-estabelecidos, e entre eles a motivação correta ocupa lugar de destaque. Isso vale também para a vida cristã, inclusive no cumprimento da missão que a Igreja recebeu do Senhor (Marcos 16.15).

Do ponto de vista bíblico, para Deus, o que vale não é somente o que fazemos ou deixamos de fazer, mas principalmente o que nos move nesse sentido. De acordo com a Epístola aos Hebreus, a Palavra de Deus é capaz de discernir “pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4.12), o que nos leva a crer que antes de observar o que um cristão faz ou não, o Senhor atenta para a intenção, ou mesmo a motivação do coração.

Essa regra serve também para o envolvimento de qualquer cristão na honrosa tarefa missionária. Portanto, antes de qualquer envolvimento com missões, o servo de Deus deve analisar a si mesmo, com vista à perseverança e também à fidelidade a Deus e à pregação do Evangelho.

Por que, como cristão, devo envolver-me com missões?

Por que, como cristão, devo evangelizar?

Essas perguntas são eficazes no propósito de nos colocar de fato diante daquilo que deve nos mover em direção aos perdidos, caso contrário, nossos esforços missionários poderão cair em dois grandes erros: vaidade e desânimo.

Eliminando tudo que é impuro

Por natureza, o ser humano é tendencioso à vaidade, chegando ao ponto de considerar-se suficiente em si mesmo. Por isso, no labor missionário, todos os envolvidos devem olhar para si, buscando descobrir – caso haja – toda impureza do coração, principalmente o de pensar se digno ou merecedor de estar envolvido nesta obra.

A má compreensão das motivações no exercício missionário pode resultar também em desânimo, principalmente porque, não tendo Deus como fonte motivadora, todas as demais opções são falíveis. Por exemplo, quando um cristão envolve-se com a tarefa missionária fundamentando-se apenas na convocação feita por alguém que não seja o Senhor, na primeira vez que a pessoa se decepcionar com este alguém, muito provavelmente ela abandonará o serviço missionário.

Sendo assim, para que haja sucesso na obra missionária, é vital que sejam bem definidas as razões pelas quais devemos estar envolvidos com a expansão do Reino de Deus e a comunicação de Seu Evangelho.

Por que devemos fazer missões?

1 – Satisfazer ao Senhor da Igreja

Ele verá o trabalho da sua alma, e ficará satisfeito…” Isaías 53.11a).

Nesta extraordinária profecia a respeito do inigualável sofrimento de Jesus, o profeta Isaías nos coloca a par de que Cristo se satisfaz quando vê os resultados do que realizou no Calvário. Não há dúvida que esses frutos são vidas que, mediante a fé e confissão, são alcançadas pela graça salvadora do Senhor Jesus.

Conforme bem sabemos, a salvação é resultante da fé e não das obras a fim de que ninguém venha a se gloriar (Efésios 2.8,9), e esta fé é produzida no interior do crente à medida que ele ouve a Palavra de Deus (Romanos 10.17). Portanto, quanto a Igreja se envolve com a pregação do Evangelho entre aqueles que encontran-se perdidos, de maneira direta e clara, ela está abrindo mão de seus próprios ideais com o propósito de agradar e satisfazer ao Senhor Jesus com os frutos de seu esforço missionário.

De maneira bem prática, quando alcançamos o objetivo de satisfazermos nosso Senhor, nós somos os maiores beneficiados, porque nossa força depende da alegria do Senhor (Neemias 8.10). Ao instituir Sua Igreja, o Senhor Jesus depositou sobre ela a grande e honrosa tarefa de proclamar a verdade do Evangelho e que, seus resultados viriam a satisfazer ao Senhor, e isto nos basta, pois nada supera o fato de termos a certeza de que, como resultado do que fazemos, está produzindo frutos.

Não se esqueça: Fazer missões é trabalhar naquilo que produz satisfação no Senhor.

2. Envolver-se naquilo que Deus está envolvido

A segunda principal razão pela qual a Igreja deve estar envolvida com a evangelização mundial é o fato de que a Missão, embora confiada a Igreja, ela pertence exclusivamente a Deus, isto é, aquilo que geralmente chamamos de Missão da Igreja, na verdade deve ser chamado de Missão de Deus.

Para esclarecer melhor essa questão, atente para a seguinte pergunta: “Quem nasceu primeiro, a Igreja ou a Missão?” Leia ainda a seguinte pergunta: “A missão foi feita para a Igreja ou a Igreja foi feita para a Missão?”

O pastor e teólogo John Stott afirma, dizendo: “Todos nós deveríamos concordar que a missão surge primariamente da natureza de Deus e não da natureza da igreja”. Stott ainda acrescenta que “a missão primordial é a de Deus, pois foi ele quem mandou seus profetas, seu Filho, seu Espírito. Destas missões, a do Filho é central, pois foi o auge do ministério dos profetas e inclui em si, como clímax, o envio do Espírito. Agora, o Filho envia – como ele próprio foi enviado”.

Sempre que o assunto for Missão, é preciso partir do princípio de que ela pertence a Deus, ou seja, se trata de um termo que encerra a ideia bíblica da atividade de Deus no mundo, sendo ele o seu protagonista (2 Coríntios 5.19). A Igreja é fruto dessa Missão,  e passou a ser parte direta da mesma.

Tendo destacado a quem de fato pertence a Missão, é necessário que compreendamos que a Igreja é chamada a fazer parte dessa obra que Deus vem realizando na terra. Ao enxergar desta forma, é possível que a ideia predominante de que a obra missionária é um peso, seja destruída e passemos a vê-la como privilégio, principalmente porque, envolver-se com Missões, é estar envolvido diretamente com Deus e naquilo que Ele está fazendo no mundo.

Estabelecendo isso como motivação missionária, dificilmente nos desanimaremos ou nos envaideceremos, primeiro porque somos cônscios da grandeza do que estamos realizando em parceria com Deus e depois, porque o que estamos realizando começa em Deus e não em nós.

Não se esqueça: Fazer missões é trabalhar naquilo que Deus está trabalhando.

3. Ama o que verdadeiramente Deus ama

A Bíblia nos coloca diante da realidade e da grandeza do amor de Deus de diversas formas, inclusive como algo real mesmo quando ainda éramos pecadores e estávamos mortos em nossos pecados (Romanos 5.8; Efésios 2.4). Frente a este indizível e maravilho amor, somos desafiados a reverenciá-lo pois o mesmo nos constrange (2 Coríntios 5.14).

O amor de Deus não somente é capaz de causar admiração no crente, mas também de colocá-lo diante da grande responsabilidade de produzi-lo de diversas formas, dentre elas, demonstrando o mesmo sentimento de Cristo (Filipenses 2.5). Isso implica que, necessariamente, a igreja deve amar exatamente o que Deus ama.

Mas afinal, quem de fato é o objeto do amor de Deus?

João 3.16 responde, dizendo: “Porque Deus amou o mundo…”

Todos nós sabemos que o uso da expressão “mundo” aqui, refere-se aos homens, não restando dúvidas de que Deus ama a humanidade e esta tem sido alvo de resgate. Assim sendo, a igreja é convocada a estabelecer os homens como objeto de seu amor, devendo canalizar todas suas forças no sentido de comunicar-lhes o amor divino, revelado em Cristo Jesus.

As palavras de Jesus em Marcos 16.15 são claras: “… Ide por todo o mundo…” Observe que a Igreja é enviada a pregar o Evangelho ao mundo, que por sua vez, de acordo com o que vimos, é alvo do amor de Deus.

Assim sendo, a igreja deve motivar-se em fazer missões por razões já expostas, mas também porque quando assim o faz, ela demonstra amar exatamente o que Deus ama, o que significa estar alinhado ao sentimento divino.

Não se esqueça: Missões é a oportunidade que a Igreja tem de demonstrar amor aquilo que Deus ama. Estou convencido de que, caso a igreja queira estar envolvida com missões, colhendo frutos duradouros, ela deve sempre rever suas motivações. Deus deve ser o alvo de nossa tarefa (satisfazê-lo), o trabalho missionário deve fundamentar-se naquilo que Deus está fazendo (envolver-se no que Deus está envolvido) e, finalmente, devemos basear nossa tarefa missionária no amor de Deus pelos perdidos (amar o que Deus ama).

Por, Elias Torralbo.

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