Como não perder os filhos na adolescência

Como não perder os filhos na adolescênciaOs filhos são herança do Senhor (Salmos 127.3). Bebês são mais fáceis de cuidar, é uma fase muito gostosa. Depois, vem o momento de irem para a escola, interagirem com novas realidades e pessoas, e aí começamos a perder um pouco o “controle” sobre eles. Já na adolescência, os desafios aumentam, são explosões de mudanças e muitos pais não sabem mais como agir, nem como lidar com os próprios filhos. Este artigo tem como objetivo trazer algumas dicas para amenizar as dificuldades dessa transição, tornando-a saudável e levando pais e filhos a entenderem que esse é um período para aprendizagem e comunhão.

Adolescência vem de adolescentia, que significa período de crescer, de desenvolver-se. Nessa fase, acontecem grandes mudanças físicas (puberdade). Ao falar sobre a síndrome normal da adolescência, Knobel (1981) defende que, como os adolescentes atravessam normalmente desequilíbrios e instabilidades externos que os obrigam a recorrer ao uso de defesas e comportamentos também externos, é possível falar de uma “patologia normal” do adolescente. Os sintomas são procura de si mesmo, formação de grupo, necessidade de fantasiar e intelectualizar, crise religiosa, desorientação temporal, atitudes sociais reivindicatórias, rebeldia, separação progressiva dos pais, e flutuação do humor.

Na pré-adolescência, há uma carência de metas definidas. O jovem não sabe ainda o que vai fazer no futuro. E os problemas do presente geralmente são resolvidos sem serenidade nem objetividade, já que não há ainda maturidade. Já na adolescência, para se auto-firmar, o jovem lança-se nos mais diversos projetos de planos e reformas, e estabelece metas as quais seguidamente reformula, pois seus planos de vida são ainda carentes de objetividade.

Segundo Townsend (2001), a adolescência é um período de transição, tendo mais a ver com o que não é do que com o que é. Ela não é de dependência e olhos admirados da infância. Também não é de maturidade e autonomia. É um misto desses dois estágios, mas não é nenhum deles. E esse é um grande desafio para os pais.

A adolescência abrange, em geral, a faixa dos 12 aos 20 anos. Nos últimos anos, a adolescência sofreu uma extensão: muita gente com20 está mais para adolescente do que para jovem. Os pais precisam saber que seu adolescente está passando por transformações extraordinárias, que abrangem muitos aspectos da vida, como neurológico, hormonal, emocional, social e espiritual, e que essas transformações ocorrem ao mesmo tempo, tornando essa fase mais complicada.

É fundamental os pais levarem os adolescentes a entenderem que estão atravessando um período de grandes mudanças, mas que tudo está bem porque serão apoiados. É uma fase em que precisam se manter firmes nos valores espirituais, exercitar a paciência com eles mesmos e com os outros, e reconhecer o aumento da autoridade sobre sua própria vida e a responsabilidade de honrar seus compromissos, fazendo escolhas certas. É muita pressão. Logo, seu filho(a) precisará muito de você!

Para manter vínculo nessa fase:

1) Seja compreensivo – Compreenda os conflitos dele(a) e tente resolvê-los juntos. Não cobre dos seus filhos algo que ainda não têm condições de oferecer.

2) Não seja muito critico – O que menos os adolescentes querem ou precisam é de um pai ou mãe que passe o tempo todo criticando suas roupas, maneira de falar, de andar, de se portar, seu amigos etc. Não estou dizendo para deixá-los fazerem o que quiserem, mas é importante lembrar que não estamos mais lidando com bebês nem crianças. Eles estão em busca da autonomia, que é muito importante para formação de um adulto saudável. Por isso, é fundamental utilizar o diálogo para refletirem sobre seus comportamentos.

3) Aprenda a ouvir – Deixe falarem sobre dúvidas, inseguranças, temores e erros. É muito importante não ter uma crise de histeria quando o filho buscar em você ajuda para resolver suas questões. Nunca aumente o problema!

4) Quando errar, reconheça – A pior coisa para um adolescente é descobrir mentira e hipocrisia em seus pais. Se você errou, peça perdão. Isso não é fraqueza. É um exemplo poderoso que certamente ensinará seu filho mais do que palavras ou lições de moral.

5) Ore com seu filho(a) – A oração continua tendo um papel fundamental em todas as áreas e fases da vida. Infelizmente, muitos se esquecem do poder da oração. Esse momento a três (você, seu filho e Deus) é muito enriquecedor espiritual e emocionalmente, e solidificará a relação de vocês.

6) Não projete neles seus sonhos – Muitos pais tentam realizar nos filhos sonhos que são seus, gerando conflitos. Deixe escolherem sua futura profissão, com quem vão casar etc. Nosso papel é orientá-los na vida, não viver a vida por eles.

7) Deixe que cresçam – Como terapeuta, ouço muitas vezes a frase “Meu bebê”, e deparo-me com“bebês” de 12, 15 ou 20 anos. A superproteção faz mais estragos do que não proteger, pois inibe a tomada de decisão, a autonomia e a autoestima. Afinal, se sempre há alguém resolvendo tudo, como aprenderão? O que será deles quando não houver mais? Por isso, às vezes é preciso deixar “quebrarem a cara” e ensiná-los a assumir as consequências de seus erros. Eles jamais o farão se continuarem a ser tratados como bebês.

8) Valorize o diálogo – Mas não aja como um agente da CIA. Conceda liberdade para falarem sobre tudo. Antigamente, muitos filhos não tinham liberdade para falar com os pais sobre namoro, sexo e conflitos pessoais, mas hoje é fundamental que os pais estejam atualizados e falem sobre isso com os filhos de forma natural.

Referencias Bibliográficas

ABERASTURY, Arminda. Adolescência normal, Arminda Aberastury e Maurício Knobel, Artes Médicas, 1981.
GRIFFA, Maria C., Chaves para a Psicologia do Desenvolvimento, tomo 2, Paulinas, 2001.
TOWNSEND, John, Limites para adolescentes: fortaleça laços e estabeleça limites, Editora Vida. 2001.

Por, Serenita Rienzo.

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