A ciência e o “dia longo” de Josué

O que afirma a ciência moderna acerca do episódio registrado na Bíblia em que Josué ora a Deus e o sol para?

A ciência e o “dia longo” de JosuéDepois de atravessarem o Jordão sob a proteção de Deus e comando de Josué, os israelitas iniciaram suas conquistas territoriais em Canaã, arrasando a fortaleza de Jericó e destruindo a cidade de Ai. Estas vitórias deixaram atônitos e apavorados os habitantes daquelas terras, e, como nem todos se julgavam em condições de enfrentar os invencíveis invasores, um povo tradicionalmente conhecido como valente e astucioso conseguiu uma aliança de paz com Israel — eram os gibeonitas.

A aliança, unindo amigavelmente dois fortes sob mútuo juramento, em nada agradou aos cananeus, de uma maneira geral, e pareceu terrivelmente perigosa aos amorreus, por estarem estes na rota dos hebreus. A situação exigia-lhes providências urgentes e enérgicas, que foram tomadas.

Adonizete, rei da fortaleza de Jerusalém, diplomaticamente enviou cartas aos reis das cidades de Hebrom, Jarmuth, Lachis e Eglon, propondo-lhes a formação de uma força militar confederada, única maneira de enfrentar os exércitos de Gibeon e Israel.

O estratégico plano visava atacar um inimigo de cada vez — surpreenderiam Gibeon e, vencido este, avançariam dali até Gilgal, para a batalha final contra Josué e seu povo. Todos os aspectos do plano foram analisados pelos soberanos amorreus, levando em conta que estava em jogo a própria sobrevivência destes. Aceito o plano, a data do ataque ficou marcada. Surpreendidos pelos poderosos confederados, os gibeonitas enviaram a Israel um dramático pedido de ajuda, e este, fiel à sua aliança, partiu em socorro de seu aliado, travando-se a mais importante batalha para Israel em todas as suas guerras de conquista. Os valentes de Josué aninharam durante toda a noite e surpreenderam seus inimigos ao raiar da manhã.

A luta durou todo aquele dia, mas à tarde os confederados começaram a debilitar-se e a fugir diante do furor de Israel. Foi então que Josué, percebendo que a noite favoreceria seus inimigos, ordenou ao sol e à lua para se deterem no céu, a fim de poder dar cabo de todos os seus inimigos. E assim aconteceu. O povo de Israel vencia a sua mais importante batalha e garantia sua própria existência como nação.

O relato de Josué é um dos casos apresentados pelos leitores superficiais da Bíblia como anticientífico, por afirmar que o sol gira em torno da Terra. Mas estas mesmas pessoas não hesitam em dizer, por exemplo: “o sol está nascendo”, “está a pino”, “o sol está se pondo”, etc., e nunca: “a Terra já deu outra volta” ou “meia volta”. A Escritura Sagrada usa a linguagem do povo, e não a dos cientistas.

Kepler, o famoso astrônomo do século XVI, escreveu — “Nós dizemos com o povo: ‘os planetas param, voltam… o sol nasce e põe-se, sobe para o meio do céu’, etc. Falamos com o povo, exprimimos o que parece passar-se diante dos nossos olhos, posto que nada de tudo isso seja verdadeiro. Entretanto, todos os astrônomos estão nisso em acordo. Devemos tanto menos exigir da Escritura sobre este ponto, quando é certo que ela, se abandonasse a linguagem ordinária para tomar a da ciência e falar em termos obscuros, que não seriam compreendidos por aqueles a quem ela quer instruir, confundiria os fiéis simples e não conseguiria o fim sublime a que se propõe”.

Por, Abraão de Almeida.

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