Prosperidade e necessidade dos ímpios

Provérbios 13.25 informa que “o ventre dos ímpios terá necessidade”, mas em Salmos 73 encontramos Asafe reclamando da prosperidade dos injustos. Como pode ser isso?

Prosperidade e necessidade dos ímpiosPara entender essa aparente contradição, é necessário uma análise do contexto de ambas as citações bíblicas. Os Salmos formam o livro de orações e o hinário inspirado de Israel. O livro retrata a fé, a esperança e o sofrimento de um povo. O salmo de número 73 busca respostas para o polêmico problema do mal (Salmos 73.12). Asafe não conseguia entender como os ímpios viviam bem, enquanto ele, que servia ao Senhor, vivia com dificuldades (Salmos 73.14). De tanto questionar e não achar respostas, o salmista quase perdeu a sua fé (Salmos 73.2). Ele chegou a considerar ser inútil e uma total perda de tempo ter as mãos limpas e o coração puro (Salmos 73.13). Asafe acreditava que os justos deveriam ter saúde e prosperidade, mas em sua percepção eram os ímpios os beneficiados com tais bênçãos. Esse dilema perdurou até que o salmista teve um encontro pessoal com Deus. Então, descobriu que fizera uma avaliação parcial da realidade. Constatou que, na verdade, o caminho dos ímpios é escorregadio (Salmos 73.18); que a queda dos ímpios é repentina (Salmos 73.19); e que a vida dos ímpios é efêmera (Salmos 73.20). Diante deste cenário, Asafe reconheceu que tinha sido estúpido e ignorante. Sua ideia da prosperidade dos ímpios estava equivocada (Salmos 73. 21-22). A partir daí, o salmista reconhece que Deus nunca abandona aquele que anda em retidão; que na verdade é o Senhor quem sustenta o justo (Salmos 73.23); que o justo é guiado por Deus e será recebido na glória (Salmos 73.24); que o bem supremo do justo é o próprio Deus (Salmos73.25); que embora às vezes o justo possa sofrer, Deus é sua fortaleza e lhe garante vida eterna (Salmos 73.26); e que o fim dos ímpios é inevitável, e eles perecerão sem salvação (Salmos 73.27). Com esse entendimento, Asafe concluiu que era melhor ser justo, estar sempre perto de Deus e depositar no Senhor toda a confiança (Salmos 73.28).

De outro lado, o livro de Provérbios pode ser compreendido como instruções diversas para adquirir sabedoria e abandonar a insensatez. Os capítulos 10 a 15 do livro enfatizam a diferença existente entre a vida justa e a vida ímpia. A maioria dessas afirmações é constituída de paralelismos antitéticos, isto é, a segunda linha do versículo faz um contraste com a primeira linha. Por exemplo: “O Senhor não deixa o justo passar fome, mas rechaça a aspiração dos perversos” (Provérbios 10.3), e o texto paralelo em apreço “O justo come até ficar satisfeito, mas o ventre dos ímpios passará necessidade” (Provérbios 13.25). Ambos os textos afirmam, na primeira parte, que Deus é o provedor dos justos em suas necessidades. E na antítese, na segunda linha, explicam que os perversos e ímpios ambicionam tudo, mas jamais serão saciados. Por mais que alcancem aparente sucesso, nunca estarão satisfeitos e por fim descerão à sepultura sem esperança e sem salvação.

Portanto, os textos são distintos e não contraditórios. A constatação inicial de Asafe, que os ímpios prosperam e os justos perecem, era na verdade um equívoco pessoal, que o salmista, após encontrar-se com Deus, apressou-se em corrigir.

Por, Douglas Roberto de Almeida.

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