Os desigrejados

Os desigrejadosA Palavra de Deus sempre nos sinalizou os últimos dias como tempos trabalhosos e não temos dúvidas de que estes já chegaram. No bojo das suas novidades e inovações, surgiu um fenômeno que cresce a cada dia, que são os crentes desigrejados, ou seja, crentes sem vínculo com qualquer igreja, comunidade, ministério ou pastoreio fixo.

É lógico que, para sermos sinceros, essa prática de evangelho foi alimentada pelo erro e desvios de conduta de certos líderes e suas igrejas, o que também já está preconizado nas Sagradas Escrituras, os quais chamam esse tipo de “lideres” de “cães”. Jesus disse: “Mas, ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira” (Apocalipse 22.15). Ora, se o próprio Senhor já deixou claro que esses existiriam e por fim pagariam sua atitude com a condenação eterna, não existe motivo para que alguém queira “reinventar a roda”, criando outro tipo de evangelho.

Por outro lado, considerando a diversidade de temperamentos, maneira de agir e costumes dos seres humanos, Deus sempre viu com bons olhos o agrupamento das pessoas, como comunidades e congregações, uma espécie de melhor organização, com lideranças específicas segundo as suas necessidades, desde o tempo do Antigo Testamento, como o foram com as tribos de Israel.

Em que pese sabermos que na Nova Aliança nós somos o templo do Espírito Santo, Jesus não aboliu a necessidade de frequentarmos o templo, tanto que Ele sempre lá estava, assim como determinou que a Sua Casa seria chamada de “Casa de Oração”, conforme vemos em Lucas 19.46. Jesus corrigiu os desmandos que lá havia, mas não a desqualificou ou desaconselhou que lá fossem adorar.

Na Igreja Primitiva, em que pese os primeiros irmãos também se reunirem nas casas, o principal da comunhão, da adoração e das orientações apostólicas aconteciam no templo, senão vejamos: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (Atos 2.42). Nos textos seguintes, fica muito claro que isso acontecia no templo: “E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração” (Atos 2.46). E ainda: “E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo” (Atos 5.42).

O apóstolo Paulo, quando escreveu suas epístolas, poderia muito bem falar de maneira generalizada à Igreja do Senhor Jesus, mas preferiu respeitar a individualidade, virtudes e problemas de cada congregação, estabelecidas por cidades, ministrando-lhes assim as devidas orientações segundo as suas necessidades.

O Senhor Jesus, na revelação dada a João no livro do Apocalipse, do mesmo modo respeitou a individualidade de cada igreja, se referindo diretamente ao pastor local de cada uma, mostrando claramente que conhecia suas virtudes e defeitos, exortando e mostrando-lhes o caminho certo a tomar.

Portanto, não se sustenta essa nova modalidade de cristãos que não têm congregação fixa, nem ministério, nem pastor e, quando são indagados, ainda dizem que pertencem à “Igreja de Jesus” e, portanto, quando decidem entram em qualquer templo e adoram a Deus. Isso é apenas uma maneira de se justificarem, pois nessas igrejas que existem para que eles participem no dia em que quiserem, há crentes que congregam, são membros, cumprem com suas obrigações, são dizimistas e ofertantes, adoram a Deus, ouvem a Palavra, exortam, são exortados e vivem uma vida de comunhão, caso contrário não existiria qualquer igreja.

As pessoas que vivem assim, cada dia numa igreja diferente, praticam na realidade um estelionato na fé dos outros, pois não congregam normalmente, não contribuem e, para tanto, vivem irresponsavelmente sem qualquer compromisso, sem acompanhamento pastoral, sem prestação de contas da sua vida e testemunho cristão.

Muitas pessoas precisam de auxílio mútuo, o que só encontramos numa comunidade congregacional, que comumente chamamos de igreja. Os conceitos de mutualidade cristã também só se encontram na igreja, pois a Bíblia orienta: “amando-vos”, “edificando-vos”, “exortando-vos” etc.

Quando um irmão precisa de ajuda, exortação, correção e perdão, quem o fará? Vejamos o que disse Jesus: “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano” (Mateus 18.15-17).

A igreja é o lugar de todo o cristão. E mesmo quando isso não é possível por qualquer sazonalidade, deve estar ligado a uma, de onde emanará sua liderança e cobertura espiritual em oração.

Esse novo conceito de crente sob o título de “desigrejado”, na prática, é um álibi para gente que não quer se submeter às regras da vida cristã, de uma vida em comunidade, nem às orientações pastorais. Vivem ruminando suas próprias amarguras, falta de perdão e, pelos erros de alguns, se auto justificam para não cumprirem um mandamento bíblico: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hebreus 13.17).

Que Deus tenha misericórdia de nós!

Por, Carlos Roberto Silva.

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