Brasil, o maior celeiro de missionários

Brasil, o maior celeiro de missionáriosA missão da Igreja deve ser entendida sempre como sua forma de existir e de realizar o seu propósito neste mundo: o trabalho missionário. A missão estabelecida não tem origem humana, pois foi elaborada, planejada e ordenada pelo Senhor. Todo processo de redenção do homem por consequência do seu pecado, se dá com a eleição de um homem chamado Abraão que recebeu de Deus a promessa de que a sua descendência seria uma grande nação para alcançar todos os povos e etnias do planeta. Todo contexto histórico do povo hebreu acontece em meio ao propósito divino no sentido de buscar e restaurar todas as nações. Israel, a nação eleita, falhou devido a sua rejeição ao Messias e a desobediência à sua vontade. A missão outorgada aos filhos de Israel foi cumprida em Cristo que se submeteu ativa e passivamente ao propósito divino, culminando com a sua morte vicária em favor da humanidade pecadora. Jesus restaurou todo o processo da missão, porque logo após a sua ascensão, Ele confiou aos seus seguidores a sua continuidade. Nós somos as suas testemunhas e nossa tarefa é no poder do Espírito Santo, divulgar o Evangelho à partir do local onde habitamos até os confins da Terra.

É chegada a hora de nos levantarmos com força total e sair nos quatro cantos da Terra. Nesta oportunidade eu desejo refletir sobre a nossa situação hoje em dia, uma vez que somos considerados como celeiro missionário do mundo. Observamos no livro de Gênesis 41.47-57 que o Egito experimentou sete anos de fartura e neste período José desponta no cenário nacional como um instrumento de Deus para armazenar os celeiros de trigo. Notemos que essa narrativa tem relação com a Igreja Brasileira atual. Nós experimentamos por muito tempo um período de fartura e ajuntamos “trigo” em nossos celeiros. Hoje somos apontados como o maior país pentecostal do mundo. Deus visitou este país de uma forma gloriosa. Por todo o território nacional encontramos igrejas espalhadas com seus fiéis em plena atividade em todas as classes sociais, na gerência de cargos de relevada importância. Este fator nos satisfaz quando sabemos pertencer a este grande movimento. Somos milhões espalhados por todos os lados.

Eu comentei com um cristão africano, membro de nossa igreja em Mali, como Deus agia no Brasil e os milhares de fiéis e obreiros em território nacional, sentia-me feliz com meu comentário, até que ele perguntou-me: “vocês são tantos lá no Brasil e porque que você está sozinho neste país?”. Confesso que fiquei sem resposta. Vemos em Lucas 12.48b que “a quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido”. Este texto me traz à mente a grande responsabilidade da Igreja Brasileira. Nós temos material humano: onde quer que vá, é possível encontrar alguém dizendo que é portador de uma chamada missionária, outros sonham com o momento de sair do campo. Temos recursos financeiros, o Senhor tem suprido as necessidades de seu povo e nossas igrejas estão muito bem equipadas e ornamentadas. Este não seria o tempo de saciar a fome daqueles que sofrem? Não temos comida no celeiro? O meu temor é que nossa conduta seja análoga ao do servo da parábola de Lucas 12.42-48.

Aquele homem possuía alimento em casa para saciar a fome dos servos no tempo certo. Não estamos no período da grande colheita? Devemos ser cuidadosos para evitarmos o pensamento do mordomo: “meu senhor tarda em voltar”, de modo que ele esbanjou o alimento destinado aos servos. O Senhor tem nos abençoado. Acredito que é o momento de agirmos, se não o fizermos, corremos o risco de esbanjarmos os recursos de Deus concedido, enquanto que milhões perecem de fome espiritual e física neste mundo.

Nós não podemos correr o risco de pensar que o Senhor tarda e que ainda falta muito tempo. A volta de Jesus Cristo é iminente. Eu pergunto: A ração foi dada aos povos no seu tempo? Não temos desculpas, pois o alimento estava em nossas mãos.

Chegou a hora de abrir o celeiro e distribuir o alimento ao mundo. De nada adianta dizer que somos o maior celeiro de missionários se as nações morrem de fome. Podemos investir mais, não é necessário muito esforço para sermos modelo ou transformamos o mundo, como agiram os primeiros cristãos (Atos 17.6). Se cada crente brasileiro investir em média R$ 10,00 mensais em missões transculturais, que seria 100 vezes mais que o investimento atual, poderia multiplicar a força missionária em 100 e atender a demanda dos milhares de povos que não conhecem Jesus.

A igreja brasileira tem tendência em olhar “de vez em quando” apenas para os países de fala portuguesa, lembremos também dos países anglofones, francofones, os árabes no norte da África onde existem muitos países que esperam um missionário. Somos o maior celeiro, porém o velho continente europeu definha espiritualmente por falta de missionários.

O nosso Brasil é considerado o maior celeiro de missionários do planeta, mas em Mali na África a proporção de obreiro é de 1 para cada 500 mil pessoas. Somos o maior celeiro de missionários porém ainda existem países no continente americano que pedem socorro. Lembremos também que pela falta de obreiros dispostos a trabalhar em território nacional, constatamos fatos constrangedores: no Nordeste a carência do Evangelho é tão grave ou ainda pior do que na Índia, mais de 80 milhões de pessoas vivem na miséria onde menos de três ou até 1% conhece Jesus. No Rio Grande do Sul o espiritismo ganha destaque onde menos de 3% da população é evangélica. Constam centenas de cidades no Brasil com menos de 1% da população ser evangélica. Ainda existem centenas de tribos indígenas sem nenhuma presença missionária.

Mas qual a carência? Recursos? Acredito que não. Material humano? Nós temos aos milhares. Pessoal capacitado? Quem sabe unidade? Até pode ser. Objetivos traçados pelas lideranças? Sentimos que falta algo para fazer tudo acontecer. Devemos orar para que o Senhor nos conceda estratégias e, dessa forma, termos como responder ao clamor do mundo. Somos o maior celeiro, porém ainda encontramos igrejas sem nenhuma responsabilidade diante de Deus em alcançar vidas perdidas neste mundo.

Dirijo-me aos que ainda não conseguiram entender a prioridade da Igreja que é anunciar o Evangelho até os confins da Terra. Onde estão os missionários? Onde estão os verdadeiros cultos de missões e as verdadeiras conferências missionárias? Onde estão as orações por Jerusalém e em favor das nações? Estão no Celeiro!

Na definição do dicionário Aurélio, o celeiro é o local onde se guarda os cereais.

Verdadeiramente os Brasil se tornou o celeiro onde estão “estocados” os obreiros, mas no atual momento não distribui as sementes (missionários) para as nações necessitadas.

Por, Paulo Locatelli.

Uma resposta para Brasil, o maior celeiro de missionários

  1. Levy Castro disse:

    Bom artigo. Só não creio ser correto afirmar que o Brasil é o maior celeiro de missionários do planeta. Estados Unidos manda mais obreiros; Coreia do Sul manda mais obreiros.
    Mas concordo que seja um celeiro de missionários em potencial. Por que não estamos saindo? Ai é outra questão. Penso que muitas Igrejas veem o investimento em missionários como algo sem retorno. Outras crescem tanto que os investimentos se resumem na própria congregação; contratam profissionais, equipamentos de ultima geração, e o investimento missionário é feito com o que sobra. A desculpa é sempre de “ter o melhor pra Deus”, como se Ele se importasse com construções e aparelhos de som.

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