Por que o terror não pode dominar Israel?

Por que o terror não pode dominar IsraelPasur, cujo nome significa “soltar”, filho de Imer, era dirigente do Templo em Jerusalém nos dias do profeta Jeremias. Sua posição correspondia à de um governador substituto (pakidnagid). Curiosamente, foi ele o responsável por prender o emissário de Deus a um tronco, diante da porta de Benjamim, por uma noite inteira, após ordenar que recebesse 39 açoites. A razão da atitude estava em seu aborrecimento diante das palavras de correção e advertência proferidas pelo profeta. Pasur foi denunciado por suas atitudes opostas à vontade de Deus, conduzindo o povo à idolatria e à confiança em acordos com o Egito. Ainda que seu terrível fim tenha sido o cativeiro babilônico, a grande mudança em sua vida ocorreu justamente na manhã da soltura de Jeremias: o Criador de Pasur, o Senhor a quem ele julgava servir num cargo de tamanha importância, mudou-lhe o nome. A partir daquele momento, passaria a chamar-se MaghorMissabhibh, que em hebraico significa “terror para todos os lados”. De anunciador de uma falsa paz, Pasur foi, literalmente, transformado num objeto de pavor para si mesmo e para seus amigos (Jeremias 20.4). A palavra maghor ou maghur expressa a extensão e profundidade do medo provocado pela sensação de destruição iminente. Trata-se do medo profundo, que invade a vítima de tramas e ameaças, sem que possa se defender, por não saber de onde ou quando lhe sobrevirá o mal. Para o terror, as falsas palavras de esperança não são remédio eficaz e se comprovam, com o tempo, em discursos ilusórios e vazios de certezas. “Espera-se a paz, e não há bem; o tempo da cura, e eis o terror” (Jeremias 8.15).

Pasur, talvez, carregasse em sua alma o germe de uma atitude que une a crueldade com a exposição pública, visando acrescentar às palavras persuasivas a força do medo. Mais do que as armas físicas, químicas ou biológicas, o poder destrutivo do medo, em especial do medo unido ao espetáculo ainda não pode ser mensurado. Os jornalistas Marcelo Moura e Rafael Ciscati, escrevendo para a matéria “A matança como espetáculo”, Revista Época, 1º de agosto de 2016, declararam: “O terror sempre se apoiou em duas pernas: violência e divulgação. Há mais de mil anos, o assassinato com requintes de crueldade serve menos para calar uma pessoa e mais para apavorar as outras em volta. O terrorismo começou a virar um fenômeno global a partir da televisão. Um marco foi o atentado cometido por terroristas palestinos contra a delegação de Israel durante a Olimpíada de Munique, na Alemanha, em 1972. “Estudiosos procuram determinar cronologicamente o início das investidas de organizações terroristas no mundo e, ainda que haja diferenças históricas importantes, é inegável que o episódio envolvendo os atletas judeus tenha sido importante a ponto de chegar mesmo a ser chamado de “início do século 21” aquele “dia que não terminou”. O atentado ocorreu no dia 5 de setembro, quando onze integrantes da equipe olímpica de Israel foram feitos reféns por membros do grupo palestino denominado Setembro Negro. Tendo a Alemanha recusado o apoio de uma equipe especial de operações antiterror do Tzahal, o resultado desastroso das tentativas de resgate contabilizou 17 mortos, sendo seis treinadores israelenses, cinco atletas, cinco membros do Setembro Negro e um policial alemão. Este ano, uma homenagem será feita durante as Olimpíadas do Rio aos 11 membros da equipe israelense mortos no ataque à Vila Olímpica alemã. A cerimônia deverá realizar-se no dia 14 de agosto.

Ilana Romano, viúva do levantador de peso Yoseph Romano – sequestrado, torturado e morto naquela madrugada terrível, em entrevista à Folha de São Paulo, elogiou a postura do Comitê Olímpico Internacional (COI), na pessoa de seu presidente, o alemão Thomas Bach, que permitiu a homenagem, mas criticou a resistência que ainda existe em reconhecer publicamente a sequência terrível de erros cometidos na ocasião. Para ela, Bach “deu um passo enorme e elogiável. Ele levará para o Rio de Janeiro uma pedra da Grécia antiga na qual serão gravados os nomes dos mortos. É uma vitória com a qual nem tínhamos sonhado. Mas realizar um minuto de silêncio na abertura da Olimpíada ainda é importante. Esperamos que algo diferente aconteça no Rio. Até agora tudo o que ouvimos foi ‘não, não, não, não, não’”. O antigo pedido das famílias dos mortos foi reinterpretado pelo comitê, que afirmou: “Vamos dedicar um momento durante a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos para permitir que todos no estádio, bem como aqueles que estão assistindo em casa, lembrem dos entes queridos que já faleceram”. A medida visa não provocar dificuldades no relacionamento do comitê com as entidades palestinas.

Não há como dissociar aquele 5 de setembro com outra terrível data do mesmo mês, no ano de 2001, quando dois aviões atingiram o World Trade Center. Minutos depois, era noticiada a queda de um Boeing 757 da American Airlines, com 58 passageiros e seis tripulantes sobre o Pentágono. Em seguida, outra notícia – a Torre Sul do World Trade Center desabou, reduzindo-se a pó. O choque das informações dadas com intervalos de menos de uma hora, os milhares de mortos, o espanto, tudo foi visto, transmitido, comentado a espectadores atônitos e impotentes diante do terror espalhado em imagens via satélite. A cooperação mundial que se seguiu alcançou as mais variadas esferas da vida americana, envolvendo bancos, ministros de finanças, chefes de Estados, unidades de informações, trabalhadores de operações de resgates, além das palavras emocionadas de pessoas de todos os lugares. O poder daquelas imagens compartilhadas entre as diversas redes parecia ter a força de fazer ceder as competições e promover um sentimento igualitário de horror e de desejo de cooperação. Quem, provavelmente, melhor tenha expressado o sentimento geral tenha sido o prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani. Perguntado sobre o número de vítimas, respondeu: “mais do que podemos suportar” (Financial Times, 15-16/09/2001). Mais do que podemos suportar é saber das 300 pessoas feridas e dos 32 mortos nos dois atentados no aeroporto de Zaventem, na Bélgica, em março deste ano; dos 49 mortos e 53 feridos no ataque em Orlando, nos EUA, ocorrido em junho; dos 84 mortos e 200 feridos em Nice, na França, no dia 14 de julho; dos cinco feridos em Wurzburg, Alemanha, no dia 18 de julho; dos 10 mortos em Munique, também na Alemanha; dos 15 feridos em Asabach, também na Alemanha; do padre Jacques Hamel, degolado na França num ataque durante uma missa no dia 26 de julho ou do ataque a Sagamihara em uma clínica para deficientes, resultando em 19 mortos e 26 feridos no Japão. É mais do que qualquer um possa suportar, e o susto e a incerteza que resulta de tais investidas cresce de tal maneira que o termo terror não se aplica mais ao ato em si, mas em seus efeitos para calar, para intimidar, para forçar a legitimação de atitudes vis, a tal ponto que se torna “politicamente incorreto” desagradar seus agentes, num cuidado covarde e – que futuramente se mostrará – ineficaz como estratégia de autodefesa.

Pasur propagou a violência, escolhendo a visibilidade da porta de Benjamim em detrimento às sombras de um cárcere, por saber que a propaganda é uma das ferramentas do terror – é seu agente multiplicador. O efeito da propaganda do medo somente não obtém sucesso diante da permanência da Palavra de Deus proferida. Uma vez manifesto que “sobre a tenda de Israel não vale encantamento”, nem mesmo os urros terríveis de seus ameaçadores alcançarão sucesso. E, em resposta aos seguidos nãos recebidos por Israel diante do COI, com relação ao respeito manifesto publicamente aos seus mortos, fique registrado nosso mais profundo respeito, nossas lágrimas comuns, nossa solidariedade às famílias, aos descendentes daqueles jovens que se foram tão brutal e precocemente. Sim, vale um minuto compungido a todas as vítimas do terror e a lembrança justa de que, quanto aos seus promotores, o Altíssimo os conhece pelo nome. Caminhar sem medo é nosso desafio, é o desafio de Israel, é o desafio da Igreja diante dos opositores. O povo santo não se deixa paralisar ou intimidar – o verdadeiro amor, o amor de Deus já lançou fora todo o medo – nos lugares mais improváveis a mensagem profética prossegue, sendo proclamada triunfantemente.

Por, Sara Alice Cavalcanti.

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