O significado da aliança de casamento

O significado da aliança de casamentoPrática comum em nossa cultura é a utilização pelos casados de uma aliança de ouro no quarto dedo da mão esquerda, a fim de demonstrar publicamente que a pessoa que a utiliza possui um compromisso legal com outra. Empregando o termo bíblico mais apropriado, o uso expressa claramente a existência de uma aliança entre um homem e uma mulher diante de Deus.

Cerca de três mil anos antes do nascimento de Jesus, os egípcios já utilizavam anéis para simbolizar a união entre um homem e uma mulher. Trata-se de um círculo perfeito, sem início e sem fim. Logo, eles bem representavam o matrimônio celebrado através de um pacto válido por toda a vida. Posteriormente, com as conquistas de Alexandre, o Grande, e com o domínio dos territórios egípcios, o costume foi introduzido na Grécia e em seguida em Roma. Ao utilizar uma aliança, a pessoa estava dizendo que não estava mais disponível para outros pretendentes. No início do século IX, a igreja cristã adotou o uso da aliança a fim de simbolizar a união e a fidelidade entre o casal, ratificando o pacto celebrado.

Atualmente, a utilização da aliança de casamento tem sido esquecida por alguns. Doutra ponta, vemos uma inovação que desvirtua-se do propósito inicial: o uso de anéis de compromisso por alguns jovens cristãos. Ao completarem certo tempo de namoro, algumas pessoas trocam anéis de prata e os usam no quarto dedo da mão direita, a fim de demonstrarem que o namoro é sério, muito embora, naquele momento, não haja a intenção do casamento. Ora, se o objetivo do namoro não é o casamento, por que namorar? E se o namoro cristão admitido é aquele com propósito, a aliança a ser utilizada após certo tempo não deveria ser a de noivado, confeccionada em ouro?

Em nossa história assembleiana, o namoro somente iniciava após o consentimento dos pais e orientação e acompanhamento do pastor da igreja onde serviam ao Senhor. Quando, após alguns meses de namoro, os dois decidiam pelo noivado, período importante para preparação dos detalhes do casamento, novamente o futuro casal procurava o pastor da sua igreja para acordarem uma data e local para receberem uma palavra de oração, geralmente na residência de uma das famílias. Nessa ocasião, os pais do moço colocavam a aliança no dedo da moça, e os pais da moça no moço. Após, eram encaminhados para o curso de noivos onde eram instruídos sobre o casamento. Até hoje, onde prevalecem essas práticas, não raras as vezes esse curso tem servido para revelar a incompatibilidade de pensamentos entre os dois, bem como os seus objetivos de vida.

Por certo, o casamento deve ser contraído com reverência e no temor de Deus. E como sinal de que os preceitos bíblicos foram observados, ao trocarem as alianças diante do ministro do Senhor, o casal está expressando sem palavras que são servos do Deus Altíssimo e o que o casamento deles deve ser digno de honra entre todos os homens. Demonstram, em outras palavras, que honram um ao outro. São companheiros, apoiadores e consoladores daquele ou daquela que Deus lhe deu para estar ao seu lado por todos os dias enquanto viverem.

Os defensores da não utilização da aliança de casamento costumam alegar que quando Deus instituiu a primeira família lá no Éden não confeccionou uma aliança para usarem. Porém, esquecem-se de que não haviam outras pessoas convivendo com eles no jardim. Logo, também não existiam motivos para demonstração pública de que Adão pertencia a alguém e da mesma forma com Eva, diferente dos dias hodiernos.

A utilização da aliança pelos casais cristãos significa que a pessoa que o utiliza o faz como prova das promessas que fez ao seu cônjuge, materializando o puro e imutável amor que lhes une. Falamos sobre um costume saudável a ser observado pelos cristãos, pois não há melhor forma de deixar claro a todos que se aproximam que elas estão diante de uma pessoa casada, evitando assim constrangimentos e até mesmo armadilhas do inimigo.

Além da alusão à celebração de pactos, encontramos na Bíblia a utilização da aliança ou de anéis nos dedos como sinal de autoridade conferida, liderança e poder (Jeremias 22.24), bem como de decisão que não poderia ser alterada (Daniel 6.17). Em todos os casos, há razão de semelhança com a aliança de casamento hoje utilizada.

O próprio Deus tratou de tornar pública a aliança feita com Noé, pondo nas nuvens um arco, simbolizando o tratado firmado entre Ele e a Terra (Gênesis 9.16). No hebraico, essa aliança é melhor compreendida como um pacto eterno cujo entendimento é universal a todos os homens. Se Deus se preocupou em utilizar um símbolo para que toda vez que olharmos para ele lembremos do compromisso estabelecido entre Ele e a humanidade, e como memória da sua misericórdia e fidelidade à sua palavra, porque descuidarmos nós, os que somos casados, de utilizarmos a aliança de casamento, para que fique notório que estamos em união legítima com outra pessoa, que pertencemos a outrem, e nós mesmos recordemos diariamente dos votos que um dia fizemos e que prosperarão até que a morte nos separe?

Na Parábola do Filho Pródigo, deparamo-nos com um pai presenteando o filho que para casa retornava “pondo-lhe o anel no dedo” (Lucas 15.22). Com esse gesto, estava o pai dizendo que naquele momento iniciava-se uma nova etapa na vida daquele moço. Era um anel de selo que possuía o timbre da casa daquele pai. Podemos compreendê-lo hoje como um cheque em branco para que aquele jovem utilizasse como bem entendesse, além de representar a autoridade que lhe era conferida. E a aliança de casamento? Qual a relação que fazemos com o anel do filho pródigo?

Quando o homem e a mulher casados utilizam a aliança de ouro no quarto dedo da mão esquerda, estão declarando publicamente que no dia em que o seu pacto de casamento foi firmado diante de Deus, iniciou-se uma nova etapa em suas vidas. Um concedeu poderes ao outro para que cuidassem um do outro mutuamente, ostentando a aliança como a marca daquela família que possui o selo de Deus, sendo agora dois que não são mais dois, mas uma só carne.

Por, Jônatas Gabriel.

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