Variações na palavra grega para Deus

“Estudando um Novo Testamento grego, em versículos variados me deparei com duas formas de escrita para Deus no original em grego. Qual a diferença?”

Variações na palavra grega para DeusPrimeiramente, esclarecemos a questão a que se destina essa resposta. Trata-se de uma dúvida originada da descoberta de duas formas diferentes da palavra grega que se traduz por “Deus”, no Novo Testamento.

As duas palavras destacadas na questão – theos e theou – são formas bastante frequentes no Novo Testamento grego. Para satisfazer essa dúvida, é necessário discriminar alguns pontos elementares da gramática do grego. Na língua grega, theos é um substantivo, e as palavras dessa classe são flexionadas de acordo com os casos próprios da língua; cada caso tem uma ideia fundamental e indica a função que a palavra exerce na função que a palavra exerce na sentença, e cada caso possui terminações diferentes para uma palavra. Por isso, ambas as formas destacadas na questão são variações da mesma palavra; a palavra é uma só, mas, neste caso, flexionada segundo dois casos gregos.

A primeira forma theos está no caso chamado nominativo, cuja ideia fundamental é aposição; nas formas do nominativo, as palavras ocupam principalmente as posições de sujeito, predicativo e aposto. A segunda forma theou está em outro caso, chamado genitivo, que tem como ideia fundamental especificação ou classificação; nas flexões do genitivo, as palavras especificam ou qualificam outras palavras com que se relacionam na sentença.

A exemplificação tornará mais claro o assunto. Vejamos a primeira ocorrência de cada uma dessas duas formas no Novo Testamento:

1) Mateus 1.23: “EMANUEL traduzido é: Deus [theos] conosco”.

2) Mateus 3.16: “…e viu o Espírito de Deus [theou] descendo como pomba e vindo sobre ele”.

Na primeira referência, o emprego de theos (nominativo) aparece na tradução do nome Emanuel. A tradução – “Deus conosco”, ou, como no grego, “o Deus conosco” – equivale a um título e está simplesmente aposta ao nome que traduz. Essa é a razão para a aplicação do nominativo, que guarda a ideia de aposição. Na segunda referência, theou (genitivo) aparece em relação com outro elemento da frase – “o Espírito”. O uso do genitivo, que é o caso da especificação, indica que a palavra “Deus” está qualificando a palavra “Espírito”, com a qual está relacionada; ou seja, o Espírito em questão é, especificamente, “de Deus”, “divino”.

Concluo acrescentado duas observações importantes. Primeiro, no Novo Testamento, existem mais formas da palavra theos, de acordo com os outros casos gregos. Além disso, os substantivos gregos também variam em número, singular e plural; nos dois casos explicados antes, as formas estão no singular. Segundo, theou, além do genitivo, é também a forma de outro caso grego, o ablativo, cuja ideia é de origem, separação, derivação; um exemplo desse emprego encontra-se em 2 Coríntios 4.7. Portanto, as variações dessa e de quaisquer outras palavras gregas referem-se à sua posição no texto, conforme a terminação própria do caso empregado.

Por, Anderson Granjeão.

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