Desafios da igreja no Século 21

Desafios da igreja no Século 21A igreja do presente século se depara com muitos desafios, os quais não podem ser ignorados, pelo contrário, devem ser enfrentados. Conforme a própria Bíblia preconiza, a iniquidade aumenta a cada dia e o amor consequentemente se esfria (Mateus 24.12). Se isso já foi problema no passado, hoje se trata de epidemia dos tempos modernos. Essa frieza espiritual na pós-modernidade, nem sempre se traduz como no passado, com um abandono radical da fé, mas se manifesta com um galopante relativismo, onde se adapta uma espécie de vale-tudo dentro do evangelho.

O que antes era pecado, agora não é mais tão pecado assim, ao mesmo tempo em que as práticas profanas vão se infiltrando em nossas lides litúrgicas e eclesiásticas de maneira sutil. Isso é lastimável, mas um desafio que tem de ser enfrentado.

No passado, quando numericamente pequenos, éramos desprezados e relegados a segundo plano, mas tínhamos a marca do protestantismo contra o pecado, do santo, do transcendental e do eterno. Agora quando crescemos, aparecemos como um mercado consumidor. Por esse motivo o mundo já não nos considera como esterco da sociedade, mas como uma fatia de mercado a ser conquistada. Isso é perigoso, afinal, não podemos nos engodar com essa falsa aparência de amizade e aceitação por parte do mundo, pois esse jaz no maligno, e essa realidade não mudará. É preciso vigilância!

Os órgãos de imprensa, que antes se constituíam nossos algozes, agora acenam com afagos e ainda disputam nossa audiência utilizando-se dos nossos adoradores, e ou como eles mesmos costumam denominar, nossos “artistas gospel”. Isso é um tremendo desafio e ao mesmo tempo um teste de discernimento espiritual. Não podemos nos iludir.

Por outro lado, a classe política agora também nos vê como uma espécie de curral eleitoral e, para tanto acena com as benesses do poder. Por mais que saibamos que somos cidadãos e precisamos participar da vida pública, não podemos negociar ou relativizar nossos princípios cristãos exarados nos estatutos das Sagradas Escrituras. Estamos no mundo, mas não somos dele, somos temporariamente cidadãos terrenos, mas nossa cidadania permanente é a celestial.

Enquanto cumprirmos nosso papel de “sal e luz”, seremos odiados pelo mundo, porém abençoados por Deus, mas quando nos mostramos insípidos, o próprio mundo nos pisará, e não teremos a proteção do Senhor.

Internamente também temos diversos desafios, como por exemplo, a institucionalização. É algo do que não temos como fugir; é fundamental para a organização, mas ao mesmo tempo se não for aplicada com equilíbrio, poderá ser prejudicial para o organismo vivo que é a Igreja.

A instituição é a detentora do sistema, e este não respeita nada, a não ser a perpetuação dos seus próprios objetivos. Por conta do sistema, corremos o sério risco de não ouvirmos as orientações do Espírito Santo e nos esquecermos que Ele é livre e soberano para dirigir a Igreja. Todo cuidado é pouco.

Creio que os desafios internos são os maiores, afinal temos também que aprender lidar com os lobos devoradores travestidos de pastores, bispos e apóstolos (Mateus 7.15) e ainda os falsos profetas e mestres que introduzem sutilmente heresias em nosso meio (2 Pedro 2.1). Não podemos generalizar, mas muitos deles têm aparência de piedade, humildade e devoção voluntária e por esse motivo arrastam multidões, as quais enganadas depositam milhões em dinheiro aos seus pés, e assim financiam seus gananciosos projetos, os quais, em via de regra, nada tem em comum com o Reino de Deus, mas com seus próprios empreendimentos de caráter material.

Outra questão que assola o meio evangélico é a proliferação de igrejas, ministérios e denominações, as quais para se auto sustentarem, além de relativizarem o pecado, relegam a doutrina da santificação a planos irrelevantes, facilitam a eternidade alargando a porta do céu, e ainda subestimam o horror do inferno.

Entre os que assim procedem, ainda existem aqueles que outrora foram bons obreiros, alcançaram confiança, fama e credibilidade entre nós, mas ao se desviaram sutilmente do evangelho genuíno saíram de nós, e agora aplicam a credibilidade adquirida para enganar o rebanho, através de um proselitismo impiedoso e desonesto. É necessário a participação efetiva de verdadeiros obreiros do Senhor, destemidos, que possam cumprir a palavra do apóstolo Paulo a Tito, quando disse: “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” (Tito 1.9).

No campo da liderança eclesiástica, outro desafio a ser enfrentado é a exigência de um multifacetado exercício do ministério pastoral, onde ministros são requeridos ao mesmo tempo como pregadores, pastores do rebanho, administradores e ainda gestores de mídia, uma necessidade do tempo presente, isso sem falar das responsabilidades pessoais com a sua família. Como conciliar tudo isso? É mais um desafio a ser enfrentado.

Entre muitos outros desafios, não podemos nos esquecer que a importância da internet, não nos livra da tentação da troca do mundo presencial pelo relacionamento virtual, inclusive na igreja, o que nos afasta uns dos outros, o que deixa o mundo atual frio, distante e nos afasta dos conceitos de mutualidade cristã.

Precisamos de muita oração, graça de Jesus Cristo e orientação do Espírito Santo. Que Deus tenha misericórdia de nós!

Por, Carlos Roberto Silva.

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