A origem da hipocrisia, um mal dos séculos

A origem da hipocrisia, um mal dos séculosUm mal terrível assola a humanidade. É uma miséria lastimável, um sentimento nefando que alquebra de forma macabra a alma do ser humano. Refiro-me a uma falsa devoção travestida de afetação de bons sentimentos, disfarçada de piedade, mas que é marcada pelo germe do fingimento e da dissimulação. Esse terrível mal atende pelo nome de hipocrisia.

Para entendermos a hipocrisia, precisamos recorrer às Escrituras, pois somente mediante a orientação exata do texto sagrado é que poderemos decifrar os enigmas que circundam esse terrível mas dos séculos.

Ezequiel registra de forma metafórica um fato interessante, quando profetiza contra o rei de Tiro. O capítulo 28 de sua profecia é quase que na sua totalidade dedicado a trazer o juízo iminente de Deus sobre esse personagem que os estudiosos reconhecem que, em algum momento, é uma referência a Satanás, o inimigo de Deus.

De acordo com a narrativa de Ezequiel, esse personagem presunçosamente declarou-se Deus (Ezequiel 28.2). São palavras de um coração tomado pela inveja e pelo orgulho, algo acontecido em tempos eternos. Uma rebelião foi premeditada no coração desse ser. Com a força do desejo impróprio, essas foram as terríveis palavras pronunciadas do píncaro da soberba trovejante desse querubim: “Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento no coração dos mares” (Ezequiel 28.2).

Afirmar ser o que efetivamente não é, fazer uma declaração perniciosa dessa envergadura, é, na forma mais clara da palavra, um exemplo de hipocrisia. Assim, percebemos que ali, naquele momento, nasceu a hipocrisia. No recôndito do coração de Lúcifer, um querubim da guarda ungido, essa maldade tamanha apareceu.

E como se deu a sua evolução entre os homens? De acordo com os registros bíblicos, um dos primeiros exemplos humanos dessa forma degenerada de agir está no Gênesis, no seio da primeira família. Caim aproximou-se de Deus com uma suposta intenção de adoração, porém seu coração estava longe do Criador, estribado em pensamentos espúrios que evidenciam a maldade humana (Gênesis 4.8-16). Ele não procurou compreender que o Senhor atenta para o coração do homem, esquadrinhando cada pensamento (Salmos 139.1-5). Caim foi o precursor dos modernos hipócritas.

Os descendentes de Adão passaram a contemplar o avanço da maldade sobre as pessoas produzindo gerações deformadas pelo pecado. Até hoje, são homens e mulheres sem temor, sem afeição natural, sem apreço pelo próximo e completamente afastados de Deus (Romanos 1.18-32). Essa avalanche de fatos medonhos acabou por concretizar a formação de um “reino” nefasto, no qual os súditos cultivavam a hipocrisia como elemento característicos dessa realeza deformada. O “reino da hipocrisia” é uma realidade na vida da sociedade atual, maculada pelo germe do pecado, herança terrível do casal edêmico desfigurado pela desobediência (Romanos 3.23).

Jesus combate a hipocrisia

Nos dias de Jesus, existiam em Israel alguns segmentos sociais que alimentavam nos corações o mal da hipocrisia. Os principais eram os escribas, os fariseus e os saduceus. Esses indivíduos pertenciam a grupos políticos e religiosos, que viam na pessoa do Nazareno uma ameaça aos seus escusos interesses.

Os escribas representavam mais uma profissão do que uma seita religiosa. Tinham a responsabilidade pela cópia da Lei. Eram autoridades nesse particular, exercendo o função do ensino e sendo chamados de doutores da lei (Lucas 5.17). Foram censurados pelo Mestre em várias ocasiões (Mateus 23.13-29).

Os fariseus se separavam dos demais judeus, observando com rigor o cumprimento dos deveres religiosos. Jejuavam, davam esmolas e faziam abluções como forma de piedade. Eram demasiadamente preocupados com o exterior. Por causa da religiosidade fria e apenas externa, Jesus os repreendeu severamente (Mateus 23.27, 28).

Os saduceus estiveram juntamente com os fariseus fazendo oposição ao Filho de Deus, sempre com perguntas astutas (Mateus 22.23). O Mestre aconselhou seus discípulos a fugirem do fermento dos fariseus e saduceus (Mateus 16.6, 12).

Jesus condenou veementemente a prática da hipocrisia. Ele criticou durante a conduta degenerada desses homens e anunciou o juízo divino que lhes aguardava. Por várias vezes, o Mestre asseverou categórico: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!” (Mateus 23.25).

Ao longo dos séculos, a Igreja tem sido atacada por Satanás, que tenta implantar, no seio da comunidade dos fiéis, falsos adoradores como forma de minar as defesas da Igreja, no sentido de desastabilizá-la e levá-la ao esfriamento espiritual. Infelizmente, alguns cristãos têm sido infectados por esse mal, procurando as glórias humanas e sua efemeridade, mergulhando no “reino” maléfico da hipocrisia. Dessa forma, estão combatendo inconscientemente contra o Reino de Deus, ao qual deveriam defender.

Os males causados pela hipocrisia não poupam, claro, nem o ministério. Há hoje  no mundo alguns homens que se dizem pastores a serviço do Reino de Deus, porém são lobos devoradores, que a pretexto de uma falsa piedade apresentam-se como súditos do Reino de Deus, porém são servos do “reino  da hipocrisia” e, como tais, são marcados por uma impostura condenada por Deus. “Ministros” que evocam para si títulos apenas com o objetivo de se tornarem cada vez maiores. São, porém, moinha que o vento dispersa (Salmos 1.4). Não percebem que serão alvos da condenação imposta por Deus, cabendo-lhes uma herança terrível no porvir.

Necessitamos compreender que a Igreja está atravessando um momento decisivo. É hora de despertar, pois grande é o perigo dos tempos hodiernos. Precisamos lutar contra o assédio constante desse reino do inferno que tenta atingir o povo de Deus, coma terrível missão de enfraquecê-lo. Lutamos tenazmente contra as forças nefastas da hipocrisia. Você também é um soldado! Lute corajosamente com as armas de nossa milícia espiritual conforme preceitua o apóstolo Paulo (Efésios 6.10-19).

Por, Raimundo Leal Neto.

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