A Prática da Evangelização

A Prática da EvangelizaçãoA obra de Jesus neste mundo sempre se caracterizou pelo ensino da Palavra de Deus. Ele nos deixou um belo, porém árduo, trabalho para realizarmos. Com o passar dos séculos, percebemos que a evangelização tornou-se algo de natureza muito mais séria do que se tem conhecimento. A Igreja remida pelo Espírito Santo tem que ter a característica de ser sempre evangelizadora.

Vemos, então, que a evangelização é um assunto de importância vital para a Igreja de Cristo. Trata-se de uma questão que define se ela está viva ou espiritualmente morta. É aquela que nos direciona para o céu prometido, tornando-nos mais espirituais, ou a sua ausência como um sinal claro de sua decadência. Todos nós deveríamos nos obrigar a estudá-la por completo. Trata-se de um assunto sério. Aqueles que partem para a evangelização sem refletir meticulosamente sobre o assunto sem a orientação divina, poderão ficar em apreensão profunda. Aqueles que desprezam esse tema apenas evidencia uma lamentável indiferença pela conservação de sua própria vida espiritual ou pela perda do que mais devemos prezar: a nossa salvação em Cristo e seu amor que nos constrange.

Jesus sempre se mostrou preocupado com assuntos referentes à propagação de seu Reino. Convido o leitor a analisar Mateus 10, e você perceberá todos os conselhos que o Mestre outorgou aos seus discípulos. Detalhes importante como se dirigir em primeiro lugar às ovelhas de Israel; curar enfermos, ressuscitar mortos e expulsar demônios; não mostrar nenhum adorno; sobre a conduta apresentada ao entrar numa cidade ou na casa de particulares, etc. Mas o que me chama mais atenção é o fator “prudência e simplicidade” (v. 16). Jesus nos ensinou que devemos buscar informações a respeito do lugar onde estaremos levando as Boas-Novas.

Informação é crucial em todas às áreas. Portanto, seja qual for o lugar, nunca vá ao trabalho evangelístico sem saber o que pode encontrar pelo caminho ou até mesmo contra você e a obra de Deus. É importante estar por dentro de tudo o que se relaciona ao lugar em si. Agindo dessa forma, os resultados serão garantidos, mesmo que evangelize 100 vezes no mesmo lugar.

Importante também é a necessidade de uma pessoa que saiba estar à frente desse trabalho. Para isso, é essencial que se peça orientação a Deus, bem como a direção certa, para que se possa saber quem é a melhor pessoa para estar à frente dessa tarefa, não como alguém que irá apenas comandar as pessoas, e sim alguém que saberá o que fazer de acordo com as situações. Esse alguém precisa apresentar testemunho positivo, mesmo porque o líder é o referencial de seus seguidores, devido ao seu comportamento, jamais pelo constrangimento.

Ainda quanto ao líder, é básico tratar seus liderados como se fossem seus próprios filhos. Se o líder quanto os demais buscarem sabedoria e conhecimento da parte do Senhor, farão a obra até mesmo nos lugares considerados os mais inóspitos pelos homens. Se todo o grupo estiver realmente preparado, saiba que divulgarão o Evangelho e estarão convictos do sucesso de sua missão.

Não devemos nos esquecer também que para evangelizar é importante adquirirmos cada vez mais conhecimento das Escrituras e também da área de atuação do evangelizador. Sejamos realistas: não deixar-se ser vencido por quaisquer argumentos significa ter conhecimento para se defender de qualquer questionamento ou argumento que interessa afrontar a verdade da Palavra de Deus. A possibilidade de você ganhar almas será algo real se você viver e manifestar o Evangelho através de suas atitudes e palavras. Porém, viver o Evangelho é mais do que isso tudo. Mesmo quem adquire conhecimento pode mostrar aos outros que sua vida diante de Deus ainda é inadequada. Agora, quem coloca em prática a Palavra de Deus e se dedica a ensiná-lo a toda a criatura, mostra que o Evangelho é abundante em sua vida. Portanto, não devemos nunca tirar a convicção de nossa mente: a vitória de ver e testemunhar alguém se rendendo a Cristo está reservada àqueles que estão dispostos a pagar o preço.

Todo evangelista se baseia na sabedoria. Um pregador competente deve também ser alguém que saiba ser flexível e escamotear muitas vezes suas verdadeiras intenções e sua real disposição de apresentar Jesus às pessoas. O apóstolo Paulo entendia isso muito bem. Ele nem sempre abordava as pessoas de uma forma direta. Ele sabia também que mesmo para falar do Evangelho, é necessário flexibilidade e aproveitar as oportunidades. Paulo afirmava ser um homem livre, que não era escravo de ninguém, mas vivia como judeu para ganhar os judeus para Cristo. Vivia como se estivesse debaixo da Lei para ganhar os que também estivessem debaixo da Lei. Vivia como os gentios para ganhar os gentios. Tornava-se fraco para ganhá-los para Cristo. O apóstolo dos gentios sabia se adaptar às situações com sabedoria e flexibilidade concedidas por Deus para da melhor forma possível, salvar alguns para o Reino de Deus (cf. 1 Coríntios 9.19-22).

A suprema característica do Evangelho é o amor de Deus e o desejo de ganhar almas sem a necessidade de discussões e debates que só causam desentendimentos entre as pessoas. Por isso, não podemos simplesmente achar que devamos ir ao campo sem planejamento. Cristo não nos ensinou isso. A Igreja Primitiva não agiu dessa forma. Lendo o livro de Atos dos Apóstolos, percebemos que, mesmo após a pregação de Pedro, com 3 mil almas se rendendo a Cristo, essas mesmas almas, antes de espalhar as Boas-Novas, procuraram perseverar na Doutrina dos Apóstolos, ou seja, aprenderam tudo o que, de fato, caracteriza a mensagem e os ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. E não só isso, eles perseveravam também na comunhão, e no partir do pão, e nas orações, havendo temor em cada um deles. E eles tinham tudo o que possuíam em comum, vendiam suas propriedades, repartiam seus haveres entre os membros da comunidade, de modo que as necessidades eram suprimidas, perseveraram partindo o pão em casa, comendo juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e (esse era o ponto que eu queria chegar) “caindo na graça de todo o povo”. Isso só me faz crer que, antes de eles saírem a espalhar a Palavra de Deus, os crentes realizaram todas essas boas obras acima descritas, ou seja, eles mostravam, com as suas atitudes, que já havia um comportamento diferente, que se assemelhava bastante ao comportamento de Jesus Cristo. Essa graça e comunhão, essa forma de agir e de pensar foi tão poderosa entre os primeiros cristãos que “todos os dias acrescentava o Senhor à Igreja aqueles que se haviam de salvar”. O Evangelho estava tão entranhado naquelas vidas que as pessoas que observavam o procedimento da comunidade, logo manifestavam o desejo de obter mais informações para somar aos que haviam de salvar-se.

Tudo o que foi escrito acima apenas comprova que, para se evangelizar, existem inúmeras formas possíveis. A sabedoria na evangelização se encontra tanto na estratégia e prudência para alcançar vidas quanto na simplicidade para atrair vidas. Os habilidosos nessa obra sabem que há a ajuda do Espírito Santo e quando se pensa que acabam os recursos, Deus oferece novos recursos.

Sabe qual o ensinamento contido para todos nós em Atos 2.42-47? Evangelistas e sábios anunciam, em primeiro lugar, com seu testemunho, em seguida, se preparam arduamente e vão evangelizar, enquanto que evangelistas derrotados acham que devem agir de qualquer maneira, sem orientação maior do Espírito Santo, decidem logo trabalhar na evangelização, mas o fazem levianamente, para depois entenderem (e se entenderem) a essência do Evangelho de Cristo. E, por isso, digo: Seja evangelista de você mesmo, depois seja dos outros. Que Deus nos abençoe!

Por, Miquéias de Lima Nascimento.

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