Nós não somos macacos!

Nós não somos macacosCom frequência, temos visto por meio da mídia atitudes de esportistas e atores colocando-se em defesa daqueles que são chamados de macacos, manifestando repúdio ao racismo. Esse tipo de manifestação é um ato muito expressivo e bonito, que um ser realmente racional sabe fazer: valorizar as pessoas, não importando a cor da pele, nacionalidade, poder aquisitivo. Porém, afirmar que todos somos macacos escamoteia o real e verdadeiro sentido da antropologia teológica.

Muitos estudiosos penderam para o pensamento do naturalista britânico Charles Robert Darwin (1809-1882), quando afirmou que todos os seres humanos tinham primatas em sua árvore genealógica. Após o lançamento do seu livro A Origem das Espécies (1859), o homem nunca mais foi tratado como um ser especial, mas um simples animal como qualquer outro.

Essa afirmação de Darwin chocou o mundo, especialmente os cristãos, que chamaram o biólogo de um ser transloucado, desvairado; pois os cristãos seguem o relato bíblico e afirmam que tudo foi criado por Deus, cada animal segundo sua espécie, e que o homem era o zênite da criação divina.

As palavras de Darwin foram bombásticas, elas mudaram de vez o pensamento sobre o mundo, inclusive o homem, pois a dita Teoria da Evolução, para alguns, dava uma explicação racional de como os seres humanos e as plantas surgiram, como elas são, e como continuam mudando.

Muitos se apegaram a teoria de Darwin por quererem negar o lado religioso, a crença em Deus, como no caso de Richard Dawkins, que disse: “não consigo imaginar como era ser um ateu antes de 1859”. Para muitos, a teoria de Darwin leva o homem a não acreditar na existência de Deus.

É bom que se diga que existe insegurança em Darwin sobre a existência ou não de Deus. Certa vez ele escreveu para um amigo cientista dizendo o seguinte: “Não estamos preparados para termos uma conclusão sobre a questão: A questão toda é profunda demais para o nosso intelecto”, explicou ele, acrescentando: “Seria como um cachorro tentando especular a mente de Newton.”

Darwin era um naturalista, estudou Medicina e Teologia, nunca foi um aluno brilhante, nem seus pais tinham fé nele; não havia qualquer vislumbre de que ele poderia ser o maior biólogo da história. Mas toda a reviravolta em sua vida se deu quando entrou a bordo do HMS Beagle fazendo sua viagem pela América do Sul, África e Austrália. Essa expedição contribuiu para que o biólogo colhesse diversos materiais para sua pesquisa.

Fazendo análises dos objetos colhidos durante sua viagem, especialmente sobre as tartarugas, pássaros, animais pequenos, Darwin chegou à conclusão de que havia nas espécies um tipo de evolução natural que estava em constante mudança.

As análises de Darwin o levaram a seguinte conclusão: as plantas e os animais bem adaptados tinham maior chance de sobreviver e ainda passar para os seus descendentes algumas de suas características. Vamos dar um exemplo sobre a questão da adaptação do ambiente e a melhor chance de viver. Darwin dizia que um pássaro que tivesse um bico grande e que comesse sementes teria mais chance de sobreviver, mas caso esse pássaro fosse para um lugar onde só houvesse nozes, ele não se adaptaria muito bem.

Se um pássaro tivesse dificuldades para achar comida, então ficaria difícil sua sobrevivência, seu acasalamento, desse modo o seu bico não poderia ser passado adiante. Mas aquele que vivesse em um ambiente de muitas sementes poderia passar adiante suas características aos seus descendentes. Em uma ilha com muitas sementes, os pássaros de bicos grandes passariam a dominar tudo, eles iriam evoluir cada vez mais, deixando de ser aquele pássaro original quando chegou à ilha.

Não entrarei aqui no mérito da questão propriamente da Teoria da Evolução, que tem suas falhas, pois se trata de uma teoria. Sabemos que um dos critérios para se formalizar uma lei, seja ela do campo da biologia, física, química, tem que ser testada em laboratório. A lei da gravitação universal pode ser repetida em laboratório, como também as leis da genética, mas a Teoria da Evolução é apenas uma teoria.

Nosso propósito aqui é dizer que a teoria evolucionista, na hermenêutica de alguns, contribuiu para tratar o homem como qualquer objeto, e não um ser distinto dos animais. O historiador Will Duran diz que Nietzsche transformou a teoria de Darwin em pura filosofia. Nietzsche dizia que a vida era uma luta pela existência, na qual os mais capazes sobrevivem, sendo assim, a luta é a maior virtude, e a fraqueza um grande defeito.

A teoria darwinista também atingiu Adolf Hitler, pois quando seguiu a filosofia de Nietzsche, que transformou a biologia de Darwin em filosofia perversa, ele aplicou sua política cruel. Sabemos que Nietzsche foi quem lançou a ideia do super-homem, desse modo, quando Hitler procurou varrer da face da terra todos os judeus, ele estava abrindo caminho à raça superior.

Hoje, presenciamos um mundo marcado pelo pensamento da biologia de Darwin transformada em filosofia negativa, onde o ser humano despreza o outro, tenta mostrar-se superior, busca uma única raça.

Enquanto o relato bíblico apresenta de modo airoso a criação do homem, que teve um toque especial de Deus, distinguindo-os dos animais, muitos buscaram sua gênese em teorias sem fundamento, irracional, sem qualquer consciência de Deus por trás dela, sem uma causa maior.

Esquecendo-se que todo homem é imagem e semelhança de Deus, tratando-o como coisa qualquer, e que a superação vem por meio do domínio e de uma raça pura, é que atos brutais como o de Hitler, que matou mais de 6 milhões de judeus, e aproximadamente 30 mil doentes mentais, vêm se repetindo no cenário humano.

Se o homem não tem os traços divinos, se ele é como qualquer animal, sua vida e sua dignidade perdem o valor, de modo que não somente atos de violências como também palavras sem racionalidade causam a morte moral de muitos.

Posso dizer que não somos macacos, pois fomos formados à imagem e semelhança de Deus. Gordon Childe dizia que os animais tinham muitas vantagens sobre os seres humanos, isso incluía sua capacidade de sobrevivência, seu couro cabeludo, sua adaptação, mas os animais não têm um cérebro como o do homem e um complexo sistema nervoso que permite desenvolver sua própria cultura. Dizer que somos macacos é pura tolice e irracionalidade.

Aqueles que se dizem racistas, tomando de empréstimo a teoria evolucionista, afrontando os de cor negra, se esquecem de que Darwin não fez classificação de quem seria ou não macaco, mas que todos seriam descendentes de primatas, inclusive os brancos.

O salmista Davi diz que o homem é um ser especial, que Deus o fez menor do que os anjos (Salmos 8.5.6); em se tratando de raça, não de raças, o apóstolo Paulo, em seus escritos bíblicos, afirmou que todos viemos de um mesmo tronco (Atos 17.26).

A Bíblia coloca o homem no seu devido lugar, exaltando-o acima de todos os animais, e não somente isso, mas lhe dando glória, pois segundo registrou Moisés, o grande legislador, o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, e não de um macaco! (Gênesis 1.27).

Por, Osiel Gomes.

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