Desafios de hoje para a evangelização

Desafios de hoje para a evangelizaçãoNas últimas três décadas, parece-me, que a questão da busca do crescimento numérico das igrejas e do entendimento desse crescimento como um sinônimo de sucesso se fortaleceu. Essa busca, pelo crescimento da igreja local ou da denominação, é uma preocupação humana, horizontal, por vezes política e econômica. Mas que se entrelaça com a Missio Dei, com a Grande Comissão, que são bíblicas e atemporais, e estão na agenda de Deus. Podemos nos perguntar: Como lidar com essa dicotomia? Quais são os desafios contemporâneos à evangelização? Como lidar com eles?

Em resposta, quero destacar primeiramente que um dos desafios contemporâneos à evangelização e crescimento de igreja é superar a influencia das práticas mercadológicas; pois como afirma o filósofo Michael Sandel “o mercado invadiu áreas que antes não lhe pertenciam”. Não é por coincidência que o profissionalismo eclesiástico (que em si é positivo) tem crescido tanto, somado à popular prática de pagamento de cachês altíssimos para pregadores/palestrantes, cantores, artistas, etc., que as igrejas têm investido tanto em marketing denominacional, que surge constantemente um novo evento de capacitação para líderes apresentando métodos de crescimento brilhantes, incríveis, milagrosos.

Outro aspecto que destaco é o da cultura. Conhecer, entender e lidar com a cultura de uma comunidade sempre é desafiador, porque isso implica em respeitar o ritmo de vida local, a maneira como os relacionamentos são construídos e os costumes. Conhecer a cultura é um pré-requisito para se alcançar uma comunidade. Além disso, este reconhecimento da cultura local precisa ser feito para não nos inclinarmos à colonização ao invés da evangelização e também com o fim de descobrir necessidades que a igreja local pode suprir através do serviço.

Importa enfatizarmos a relevância do anúncio da mensagem do Reino de Deus. Há muitas denominações que ao invés do Evangelho de Cristo anunciam a si mesmas, os seus métodos, sua visão de trabalho e suas doutrinas (nem sempre bíblicas). E isso, com o tempo, gera e tem gerado muita frustração e desligamento de inúmeras pessoas. E, por conseguinte, muitos, fecham-se para Deus. Isso é tão evidente que já os desigrejados se tornaram estatística do IBGE.

Mediante a isso, afirmo que o grande desafio da evangelização é pregar o Evangelho de forma que a mensagem gere reconciliação entre Deus e o homem, entre o homem e si mesmo, entre o homem e seu próximo e o meio em que vive.

Porém, também é necessário capacitar os membros da igreja para cooperarem na evangelização. Para isso é necessário definir, apresentar e ensinar os valores, princípios e prioridades que norteiam as iniciativas eclesiásticas. Tais princípios precisam ser bíblicos, mas podem ser formados segundo a identidade da igreja local. É necessário que sejam apresentados de maneira compreensível e que funcionem como filtros no momento de escolhas das atividades e projetos missionários.

Tal capacitação pressupõe também o ensino da Palavra. Atualmente, muitos cristãos aprenderam a convidar as pessoas para irem a um evento na igreja e desaprenderam a testemunhar sua fé em Cristo. Assim, o ensino de Palavra é central para o desenvolvimento das habilidades dos membros da igreja na evangelização. Pois este conhecimento é pré-requisito para o testemunho pessoal. Pois, como alguém pode testemunhar uma mensagem, um Evangelho, uma Palavra que mal conhece?

É preciso também promover a motivação entre os membros da igreja, fomentando a visão missionária da igreja local através do ensino sobre discipulado. Reforçamos: capacitar a igreja para evangelização pressupõe formar discipuladores, pois não é possível formar um discípulo de Cristo apenas com uma cruzada, um evento ou uma única abordagem evangelizadora.

A tarefa da igreja não é encher o templo, mas reconciliar as pessoas com Deus, abraçá-las, inseri-las na comunhão, dar oportunidade de crescimento, oferecer apoio na trajetória cristã, ensinar “todas as coisas que Jesus ensinou” e isso é um processo de longo prazo.

Hoje, pastores, líderes e igrejas engajados no processo de evangelização precisam superar as influencias mercadológicas, conhecer e lidar com a cultura local, pregar o Evangelho de Jesus Cristo, capacitar os membros da igreja para colaborarem na ação missionária através do estabelecimento de princípios e valores, do ensino da Palavra e da formação de discipuladores.

Por, Flavianne Vaz.

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