Os erros da Teologia Inclusiva

Os erros da Teologia InclusivaA Teologia Inclusiva propõe que, sendo Deus amor, Ele aprovaria todos os relacionamentos humanos cuja base é o amor, inclusive relacionamentos homossexuais. As abordagens mais importantes desta teologia procuram redesenhar e ressignificar as referências bíblicas que se posicionam contrárias à prática homossexual, que são: que Deus fez homem e mulher e os fez para procriarem; que Ele destruiu Sodoma e Gomorra por causa da homossexualidade; que Levítico afirma que a prática homossexual é pecado; e que Paulo, na carta aos Romanos condena a homossexualidade e em outra afirma que os efeminados não herdarão o Reino de Deus. Utilizando-se de vários argumentos, essa teologia espúria procura desfazer, com interpretações absolutamente equivocadas, essas afirmações bíblicas.

A determinação das Escrituras é que haja relacionamento sexual somente entre um homem e uma mulher, de forma monogâmica, com base na fidelidade, no respeito e na busca do prazer recíproco, em igualdade de condições. A afirmação bíblica é corroborada pela determinação cromossômica (dos 22 pares de cromossomos humanos, 2 pares definem o sexo) e gonádica (as glândulas reprodutivas femininas e masculinas, ovários e testículos, respectivamente). Portanto, a não ser que haja uma disfunção desta determinação, a pessoa nasce sabendo o que é.

Sabe-se que a sexualidade humana faz parte de uma das pulsões mais intensas do ser e é fator importante na concepção do sujeito, do eu; assim, pessoas baseadas em éticas sexuais diferentes do que se concebe e com base em suas preferências pessoais e levadas por suas emoções, que nem sempre estão relacionadas à Bíblia ou à genética, podem seguir por outros caminhos. Com base em sua liberdade e individualidade, fazem a opção pessoal de não se ater aos preceitos bíblicos e genéticos. Nesta liberdade, podem escolher o que querem ser; afinal, a liberdade humana implica justamente o que a palavra quer dizer: liberdade. A responsabilidade da consequência dos atos homossexuais é de cada um particularmente, desde que não confrontem direitos e a moral coletiva.

Mas, não é preciso os homossexuais tentarem desfazer o que a Bíblia, de forma tão clara, afirma, para não serem discriminados. Basta que todos os evangélicos coloquem em prática o que o Evangelho afirma sobre inclusão, pois quando não aceitamos que as pessoas venham a Cristo com seus problemas, negamos o poder transformador do Evangelho que pregamos e a fé que professamos. Afinal, Jesus fez isso muitas vezes: Ele comia com pecadores; uma pecadora lhe ungiu os pés (e não sabemos, mas provavelmente o perfume foi adquirido com recursos provindos da prostituição). No episódio da mulher apanhada em adultério, ele solicitou que seus acusadores atirassem pedras somente se estivessem sem pecados; Ele comia na mesa com os fariseus, que era a classe de pessoas mais criticada por Ele; aliás, Jesus nunca falou que não se deveria acolher pecadores ou mesmo homossexuais.

O que se percebe hoje no Brasil é uma militância LGBTS contra os evangélicos e alguns evangélicos, em resposta, reagindo com discursos mais agressivos. Paulo, em Romanos 1.24-27 e em 1 Coríntios 6.9,10, condena a homossexualidade, mas não cria uma militância evangélica contra eles. Aliás, a militância de Paulo é em favor da graça inclusiva do Evangelho, motivo pelo qual foi preso muitas vezes e finalmente morto.

A Teologia Inclusiva está cometendo erros em seus pressupostos, pois, levada ao pé da letra, a teologia de Cristo é que é verdadeiramente inclusiva, pois acolhe todos os tipos de pecados e classes de pecadores, ainda que bíblica e socialmente abomináveis. Assim, ela é que deveria ser chamada de “teologia do amor”, que não discrimina, não se ensoberbece, não é inconveniente, não procura seus interesses; nem se ressente, mas é paciente, longânime e suporta todas as coisas. Esses pressupostos básicos do amor devem caber em qualquer movimento cristão legítimo.

Não se pode concordar com a imposição LGBTS de projetos para que nossas crianças, sem elementos de maturidade suficientes para fazerem escolhas, sejam abordadas por conteúdos que promovem e louvam a homossexualidade, mas devemos lutar contra a violência e a discriminação contra homossexuais e outros grupos, pois qualquer forma de discriminação é pecado, tanto quanto qualquer outro.

O que está havendo é um desequilíbrio na abordagem deste tema tão complexo em função da guerra ideológica, agravados pelos episódios de intolerância e pela zombaria e desrespeito aos símbolos de fé cristãos, impetrados pelos homossexuais e divulgados pela mídia. E muitos evangélicos devem ter cuidado, pois se o Evangelho e a prática do mesmo não conseguem ser superiores a qualquer tipo de ideologia, alguma coisa está muito errada. Assumir a guerra de igual para igual, usando as mesmas armas (militância contra militância), é admitir o fracasso e a fragilidade daquilo que é a arma mais poderosa que alguém já conheceu: o amor.

Devemos ter cuidado também para, em resposta à agressiva militância LGBTS, não elegermos exclusivamente um tipo de pecado para combater. Não se deveria falar de outros pecados também? E quanto aos pecados individuais e coletivos que não têm militância e não são divulgados pela mídia? A priorização de uma agenda moral por parte dos evangélicos tem levado ao detrimento de outros temas que fazem parte do Evangelho de Cristo: o cuidado e a defesa dos interesses dos pobres, dos marginalizados e dos excluídos, a opressão econômica, o abuso de poder, dentre tantos outros; todos eles, em sua maioria, oriundos do último pecado do Decálogo: não cobiçarás.

A compreensão de que todos, sem exceção, são pecadores, possibilita a inclusão destes todos no Reino de Deus, desde que estejam com suas consciências purificadas no sangue do Cordeiro de Deus e vivendo as mudanças de comportamento que o poder transformador do Evangelho pode proporcionar, inclusive a libertação da ira e da intolerância.

“E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento; e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o unguento. [Jesus disse:] Perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados.” (Lucas 7.37-48).

Por, Claiton Ivan Pommerening.

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