Pregação: lições de Harry E. Fosdick

Pregação - lições de Harry E. Fosdick“Pregar é um aconselhamento pessoal numa base de grupo”. Essa simples declaração sobre a filosofia do pregar foi articulada por Harry Emerson Fosdick (1878-1969), considerado por muitos nos Estados Unidos um mestre como pregador. Seus sermões atraíam enormes congregações e audiências de rádio.

Ministro batista, ele formou-se no Seminário Teológico União (EUA) em 1904. Fosdick serviu a várias igrejas na área de Nova York e trabalhou como capelão durante a Primeira Guerra Mundial. E rapidamente se estabeleceu como pregador talentoso, capturando até a atenção do magnata do petróleo e filantropo John D. Rockefeller. Na época, Rockefeller foi o principal benfeitor da Igreja de Riverside, uma grande catedral que estava sendo construída na parte rica de Manhattan. Por insistência de Rockefeller, Fosdick se tornou o primeiro pastor daquela igreja em 1926, cargo que ocupou por 20 anos.

Fosdick foi, sem dúvida, um dos pastores e pregadores mais influentes na história americana. Além de pregar várias vezes por semana, ele ensinou sobre pregação no Seminário Teológico União, escreveu 47 livros e centenas de artigos em revistas. Ele ministrou sermões no “National Vespers Hour” da rede NBC, que foi ao ar por 19 anos em rádio de ondas curtas para 17 países. Fosdick foi capa da revista “Time” em 1925 e 1930.

Em 1928, Fosdick escreveu um ensaio para a revista “Harper” intitulado: “Qual é o problema com a pregação?”. Publicado em julho do mesmo ano, o artigo incluiu 12 observações atemporais sobre pregação:

1) “Há muitos sermões medíocres” – Nos dias de Fosdick, como no nosso, muitos sermões eram esquecíveis. Fosdick lamentou o sermão medíocre e desinteressante, dizendo: “Ele produz o efeito de vazio e futilidade, em grande parte porque não estabelece nenhuma ligação com os verdadeiros interesses da congregação”. A observação de Fosdick deve ser uma chamada de despertamento para cada ministro que serve a uma congregação. Às vezes, os pastores desconhecem as necessidades de seus congregados e suas circunstâncias de vida. Eles perdem de vista as preocupações vitais dos membros, que vêm esperando ouvir palavras inspiradas. Fosdick escreveu: “É patético observar o número de pregadores que comumente, no domingo, apresentam apenas peças religiosas no púlpito, não estabelecendo absolutamente nenhum contato real com o pensamento ou interesses práticos de seus ouvintes”.

2) “Todo sermão deve ajudar os ouvintes a resolver algum problema” – Fosdick defendeu que um sermão que aborda as necessidades reais demonstra a relevância do Evangelho. “Todo sermão deve ter como seu principal objetivo a resolução de algum problema. Um problema importante e vital intriga mentes, sobrecarrega consciências”, disse Fosdick. “Qualquer sermão que enfrenta problemas reais, que joga luz sobre eles e ajuda as pessoas praticamente a encontrar seu caminho através deles não pode ser desinteressante”.

3) “O tema deve ser identificado precocemente no sermão” – Ouvintes querem saber de antemão onde o sermão está indo. As declarações de abertura devem captar a sua atenção e convencê-los a continuar a ouvir. Fosdick escreveu: “No primeiro ou segundo parágrafo depois de iniciar um sermão, todos da congregação devem já perceber que o pregador está abordando algo de vital importância para eles. (…) Eles devem ver que ele está envolvido em um esforço sério e prático para indicar de forma justa um problema que realmente existe em suas vidas e, em seguida, lançar luz sobre o que eles devem fazer”.

4) “Abordar as necessidades das pessoas é a principal tarefa do pregador” – Pessoas nos bancos acham sermões interessantes quando suas necessidades e preocupações são abordadas. “Qualquer pregador que, mesmo com habilidade moderada, ajuda pessoas a resolver biblicamente os seus problemas reais está sendo eficiente”, disse Fosdick. “Ele pode não ter eloquência nem aprendizado, mas está fazendo a única coisa que é o ‘negócio’ do pregador. Ele está produzindo para a comunidade aquilo que ela tem o direito de esperar do púlpito, tanto quanto ela tem o direito de esperar sapatos de um sapateiro. E se algum pregador não está fazendo isso, mesmo tendo erudição e boa oratória, não está sendo eficiente”.

5) “Seja cuidadoso quando ministrar uma pregação expositiva” – Fosdick alertava que mensagens expositivas que se fixam longamente em aspectos históricos ou questões bíblicas triviais podem perder a atenção da maioria dos ouvintes. A menos que os congregantes vejam nesses aspectos levantados alguma maneira de aplicar aquela mensagem em suas vidas, eles provavelmente não irão se importar com tantos detalhes. “As pessoas não vêm à igreja desesperadamente ansiosas para descobrir o que aconteceu com os jebuseus”, disse Fosdick.

6) “Deixe a Bíblia lançar luz sobre a vida moderna” – Fosdick acreditava que a Bíblia tem grande poder para orientar as pessoas de todas as gerações. “Ela tem luz para derramar sobre todos os tipos de problemas humanos agora e sempre”, disse Fosdick. “O que todos os grandes escritores da Bíblia estavam interessados era com o viver humano, e o pregador moderno que honra-os deve começar com isso, deverá visualizar claramente alguma necessidade real, pecado, perplexidade ou desejo em seus ouvintes e, em seguida, deverá lançar no problema toda a luz que ele pode encontrar nas Escrituras. (…) A Bíblia é um holofote que joga luz sobre áreas escuras”.

7) “Conheça o seu público” – Dos políticos aos pregadores, os comunicadores mais eficazes conhecem seu público. Fosdick exortou os pastores a se aproximarem das pessoas e entenderem as lutas que elas enfrentam no seu dia-a-dia. “Um pregador sábio pregará seu sermão não como um mero monólogo dogmático, mas como um diálogo em que todos os tipos de coisas na mente da congregação – objeções, perguntas, dúvidas e confirmações – serão trazidas para a frente e serão razoavelmente tratadas. Isso requer clarividência da parte do pregador em relação ao que as pessoas estão pensando”.

8) “Apreciar a diferença entre um ensaio e uma sermão” – Fosdick disse também que muitos sermões apelam para o intelecto sem se preocupar com as emoções. “Aqui jaz uma distinção básica entre um sermão e um ensaio”, escreveu Fosdick. “Uma grande quantidade de nossas pregações consiste em discursos analíticos puros, até pertinentes a problemas reais e, muitas vezes, bem concebidos e tais sermões não são sermões, mas ensaios acadêmicos. Pode-se pregar sobre arrependimento sem fazer qualquer um se sentir tocado a se arrepender, ou discursar sobre paz sem produzir esse artigo valioso no coração dos ouvintes. Por outro lado, um verdadeiro pregador (…) faz mais do que discutir um assunto; ele produz a coisa em si nas pessoas que a ouvem”.

9) “O objetivo da pregação é a mudança na vida das pessoas” – Transformação deve ser primordial na mente de cada pessoa que prepara um sermão. Infelizmente, porém, isso nem sempre é o caso. Fosdick lamentou a pregação de seus dias, que não trazia nenhum resultado. “Frequentemente, leio sermões modernos com espanto”, disse Fosdick. “Como é que os pregadores esperar produzir qualquer coisa na vida das pessoas com tais discursos? (…) Eles produzem ensaios, o que significa que estão principalmente preocupados com a elucidação de um tema. Se eles estivessem produzindo mesmo sermões, estariam essencialmente preocupados com a transformação das pessoas”.

10) “A pregação efetiva capacita as pessoas” – Um sermão eficiente é aquele que move os ouvintes a refletir, agir, mudar e buscar mais conhecimento e ajuda. Diz Fosdick: “As pessoas devem habitualmente vir até você após o sermão não para oferecer algum elogio sem graça, mas para dizer: ‘Como você sabia que eu estava enfrentando esse problema nesta semana?’ ou ‘Creio que você poderá me ajudar. Posso falar com o senhor à parte?’. Este é o teste final de um sermão: quantos indivíduos desejam, após o sermão, conversar com o pregador à parte sobre o significado daquela mensagem para as suas vidas?”.

11) “A pregação é desafiadora, mas gratificante” – Aqueles que estão comprometidos com a excelência na pregação sabem que a cada semana essa tarefa inclui horas de pesquisa, escrita, reescrita e ensaio mental. Consciente dos desafios, Fosdick também lembrou aos pregadores as recompensas: “Claro, a pregação não é fácil. (…) Mas, apesar de todo alto trabalho que envolve a pregação, ela pode ser tão emocionante que renovará as forças do pregador assim como a boa agricultura renova o solo que ela usa”.

12) “Os pregadores medíocres podem melhorar” – Fosdick sustenta que os ministros podem melhorar como pregadores. “Ninguém precisa pregar sermões desinteressantes”, disse ele. “A culpa geralmente não reside na qualidade essencial da mente ou do caráter do homem, mas em seus métodos equivocados”. Ministros de hoje podem aprender muito com os homens e mulheres de Deus que vieram antes deles. Sabedoria adquirida a partir do passado pode ajudar a transformar vidas hoje.

Por, Enrichment Journal.

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