Família: projeto original de um Deus Criador

Família - projeto original de um Deus CriadorAo caminharmos pelos meandros da criação divina, nos relatos de Gênesis, nos deparamos com as diferentes faces da criação sendo desenhadas dia a dia pela imponente e impressionante palavra do Deus criador: “E disse Deus: ‘Haja…’, e houve.”

Então disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” – com essa decisão divina tem-se o início de um projeto singular e exclusivo: a criação do ser humano como fruto do coração de Deus. Como afirma o salmista, enquanto éramos tecidos no ventre de nossa mãe – e antes mesmo que pudéssemos ser detectados – Deus já nos conhecia e já nos amava (Salmos 139). Encontramos então o homem como uma criatura única, pois refletia a imagem de Deus. O criador sopra nele o “fôlego de vida” e ele torna-se humano pelo sopro de Deus (Gênesis 2.7).

Tudo parecia muito bem, porém faltava algo, o homem estava só, precisava de alguém que o completasse. Em toda a criação não achava alguém semelhante a ele, não havia uma companhia, um par. E como num grandfinale, Deus põe a dormir aquele ser que acabara de criar e depois o faz acordar para uma nova realidade: “Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne” (Gênesis 2.23). Agora, ambos refletem a glória de Deus.

Uma nova história começa. A história de um relacionamento que será vivido como um mandamento divino para que haja relacionalidade, multiplicação e gestão do universo. Estava instituído o primeiro casamento, estava formada a primeira família. Deus criou a família com desígnios sublimes: propiciar companhia um para o outro, servir um ao outro.

Equivocadamente, algumas pessoas pensam que a família só está formada quando chegam os filhos, na verdade os filhos já chegam numa família formada. Marido e mulher formam a família. Os filhos complementam, enfeitam e alegram este lar. Devemos pensar nas famílias que não tem filhos (por um motivo ou por outro). Mesmo sem filhos, constituem-se uma família.

Após serem criados, homem e mulher são agora chamados por Deus, são abençoados, devem dar frutos e multiplicarem sua descendência (Gênesis 1.28). O primeiro detalhe a que devemos estar atentos é que Deus os abençoou (homem e mulher). Juntos, marido e mulher são abençoados por Deus. A benção de Deus está sobre as famílias.

Abençoados, devem frutificar, ou seja, dar frutos no Reino de Deus. Ao constituir a família, por intermédio da união de um homem e uma mulher no casamento, Deus intenciona que sejam uma benção um para o outro e para outras famílias. Abençoados e dando frutos no Reino, devem multiplicar, ou seja, a família foi constituída com o objetivo da procriação para experimentar o dom da geração da vida. Um dom que Deus vive com intensa perfeição. Sendo a coroa da criação, homem e mulher administrarão o universo e tudo que nele há como servos de Deus.

Originalmente o projeto de Deus é perfeito, como tudo que Ele faz: “E viu Deus que tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom;” (Gênesis 1.31), todavia o pecado tentou romper o fundamento enraizado por Deus. A Palavra do Senhor, no Salmo 128 afirma que será abençoado o homem (e sua família) que teme ao Senhor. No Salmo 78, percebemos um cuidado extraordinário: Deus faz com que até o solitário viva em família.

Ao longo das Escrituras, percebermos o propósito do Senhor em manter seu pacto com as famílias da terra. Em Gênesis 7, encontramos a proteção de Deus para a família de Noé, e a preservação da humanidade através da construção da arca para guardá-los, firmando assim um pacto: “Eu estabeleço o meu concerto convosco, e com a vossa semente depois de vós” (Gênesis 9.9).

Com o patriarca Abraão não foi diferente, Deus o chama, faz dele uma grande nação, o abençoa, o engrandece e faz com que através dele todas as famílias da terra sejam benditas (Gênesis 12. 1-3). A promessa alcança Isaque, Jacó e toda sua descendência.

Em Josué encontramos o desejo, a escolha e a decisão de servir ao único Deus com toda a sua casa: “Escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e minha casa serviremos ao Senhor.” (Josué 24.15). Uma escolha acertada, firme e exemplar em meio a tantas possiblidades de idolatria.

Como numa grande sinfonia, cada membro de uma família tem o seu lugar, seu tempo de amadurecimento e seu papel a cumprir. E nenhuma dessas marcas pode faltar na construção dessa relação bonita e cumpridora da vocação humana.

Quando o homem e a mulher procuram outros caminhos, que não aqueles determinados pelo Criador, a sinfonia desanda e a vida fica atrapalhada.Infelizmente, é o que temos visto acontecer em nossa sociedade. Escolhas erradas e fora da vontade de Deus tem trazido à humanidade um caos.

A vida familiar de Adão e Eva era perfeita, porém o pecado trouxe a disfunção para o seio familiar e assim tem sido por gerações. Há muitas famílias doentes, espiritualmente mortas e moralmente corrompidas. Os lares têm deixado de ser o lugar de proteção, de acalento, de sustento e das relações harmoniosas. Paulo, prevendo que esse tempo de extrema corrupção chegaria, nos avisou que “sobreviriam tempos trabalhosos, em que pessoas seriam sem afeto natural”, ou seja, sem amor à família. (2 Timóteo 3.1-3)

A Igreja do Senhor Jesus Cristo é a única instituição de fato preocupada e empenhada em defender e preservar as verdades eternas. Crianças, adolescentes, jovens e casais devem ser edificados na Palavra de Deus. Nosso compromisso mútuo deve ser o de viver conforme o plano de Deus.

Há uma proposta do Senhor para as famílias hoje, renovemos a nossa mente quanto ao projeto original de Deus: Ele criou, abençoou, estabeleceu pacto, fez promessas e renovou seu concerto com as famílias e por seu grande amor nos incluiu na grande família de Deus.

O casamento e a família, enquanto instituições sagradas devem glorificar a Deus, portanto devemos viver a vida em família como um presente de Deus para nós e para todos ao nosso redor. Celebremos a vida que vem de Deus, com a dignidade de termos sido vocacionados por Ele para a humanidade.

Adoremos Àquele que criou a nossa existência para a eternidade.

Referências Bibliográficas

GILHAM, Anabel; Bill. Conversas Francas sobre o casamento. 7. Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
HUGHES, Kent&Bárbara. Disciplinas da Família Cristã. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
SOUZA Estevam Ângelo… e fez Deus a família: O padrão divino para um lar feliz. 1. Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

Por, Edna Lourenço.

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